O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXLII

CADA VENDEDOR VENDE O SEU PEIXE

Agora mesmo um estudante veio admirado mostrar-me um seminário de História Moderna, onde até pelos temas e sequência dá para notar a ideologia, ou facção, que se pretende promover naquela Universidade. Não, não se trata de algo facultativo, a quem está na licenciatura resta escolher este seminário, ou outros semelhantes.

Universidade de Coimbra
Nada mais comum!!! O vendedor faz propaganda ao seu "peixe", e aposta em plataformas de credibilização, nas quais faz passar a mensagem da sua exclusividade e preferência dos seus produtos. É o comum nos nosso tempos. Lembra-me sempre de certa pessoa muito querida minha que tem a tendência a ir pedir informação dos produtos ao próprio vendedor, para decidir-se a comprar ou não; as respostas são invariáveis: ou dizem "sim, estes produtos são os melhores que pode encontrar, e veja com os seus próprios olhos", ou "neste momento ainda não temos, mas asseguro-lhe que iremos ter... é que o atraso deve-se aos malandros dos correios".

É evidente que as universidades estão tomadas pelo espírito que as domina, ou mais ou menos isso. Elas acabam por ser os meios ideológicos de maior força. A Formação dificilmente não é hoje Deformação, ou no melhor dos casos é uma formação "recortada", de forma a favorecer uma ideologia, uma instituição, uma causa etc.. Aquela formação íntegra, insuspeita, era-nos dada nos velhos tempos da Europa desocupada de ideologias e crises, guiada pela Verdade e pelas mãos da Santa Igreja. Oh tempos...!!!

Então, o que é que a Universidade de Coimbra tem para nos mostrar no seu programa de seminário de História Moderna!? ... Em poucas palavras: tem para dar a perspectiva liberal, e deitar uns pingos de "água benta" nos derrotados tradicionalistas, para mais credível parecer, e convencer. Vejam:

- Revolução de 1820 e Liberalismo [... com a definição liberal de "liberalismo", a questão fica-se apenas pelo partidarismo e pelas propostas "inovadoras" para o "avanço" da sociedade]

-A ideia de Revolução em Portugal. Dos círculos clandestinos à luta política [... sempre o mesmo: os criminosos e desordeiros são apresentados como vítimas que se tentam unir em segredo, para não serem perseguidas pelos terríveis carrascos e inquisidores; quase que justificar a maçonaria, ou apresentá-la como algo necessário mesmo se por acaso ele for mencionada só uma vez que seja. Depois trata-se mostrar o processo de "libertação" e dá-lo como belo e meritório... Noutras palavras: ensinar como louvar o terrorismo sem usar as palavras certas].

- A Espanha Revolucionária e a Constituição de Cádiz (1812): ecos da propaganda política liberal em Portugal. [.... constatemos como a perspectiva é sempre a liberal! Não é possível tachar os liberais com os mesmos nomes e pela mesma falta de valores, e má moral, e erro tal como naquele tempo foram bem denunciados segundo fundamentos inabaláveis].

- O “Reino Unido de Portugal Brasil e Algarves” (1815) e a desintegração do Brasil do Império Português. [... o modelo será o mesmo de sempre: desenhar a "opressão" para justificar a "libertação"... ]

- A crise política e social do pós-guerra e a conspiração de Gomes Freire de Andrade (1817) [... em poucas palavras: "Gomes Freire de Andrade foi iniciado na Maçonaria antes de 1785, quer provavelmente em Viena na Loja Zu gekröneten Hoffnung (À Esperança Coroada), (...), quer na Loja Bienfaisence (A Benfaseja], de Lyon, com o nome simbólico de Porset. Em Portugal, pertenceu à Loja Regeneração, da qual foi Venerável Mestre."]

- A Revolução de 1820 e o triénio liberal. Nação constituinte, governo, reformas e opinião pública no quadro da monarquia constitucional. [... "monarquia constitucional" que foi o alvo onde todos os Tradicionalistas batiam, e contra o qual os padres de boa ortodoxia católica pregavam e escreviam... mas que importa falar nisso!?]

- A Constituição de 1822. Direitos e liberdades dos cidadãos e poderes do Estado [... foi uma autêntica cartilha do Diabo. Cá está "direitos e liberdades dos cidadãos"... como se os portugueses nunca tivessem tido obrigações e responsabilidades às quais pertenciam os respectivos direitos! Digam antes que se meteu pelo meio a burrice discreta do "contrato social", dos falsos direitos para induzir o povo à rebelião e todo o poder cair nas mãos da maçonaria... como foi. Esta parte omite-se na Universidade por um só motivo: os programas têm uma estranha "sintonia fina" maligna: vão-se ajustando gradualmente para dar como bem o mal, e o mal como bem, e fazer ignorantes capazes de discernir porque ficam sem matéria para o discernimento!]

- A Europa e o conflito político em Portugal. Da contra-revolução (1823) à guerra civil (1832-1834) [... nem comento!]

- A Carta Constitucional de 1826: linhas de compromisso político do liberalismo doutrinal moderado. [... isso mesmo... MODERADO... mas o que é que foi moderado?! ... E que tal um roubo moderado!? E que tal é uma imoralidade moderada!? E que tal é uma verdade moderada!? E que tal é um SIM ou um NÃO moderados!? E que tal é uma chacina moderada!? Como se a moderação não fosse uma velha desculpa dos criminosos que vencem para fazer-se aceites e para eles mesmos conseguirem dormir no meio de tanto sangue!? Ensinar aos alunos que todo o mal pode ser feito desde que lhe consigam meter a palavra "moderado", é um crime pior que matar, é um escândalo avassalador, é um guilhotinismo que faz zombies (nem os mata nem os quer vivos)!]

E que dirão os alunos ao olhar o programa, e os seus pais?! Dirão assim "que programa interessante, isto promete, graças a Deus em Portugal estes temas estão com maior notoriedade". Acham que algum destes assim pensantes tem conhecimento de estar a formar-se em propagandice liberalona depois da inscrição e participação no seminário!? ... Não, certamente que não... E não tardará depois de tempos dizerem que, afinal, o problema dos liberais foi um exagero aqui e ali, uma questão de falta de moderação, mas teve que ser, e que foi uma fase de passagem que está ultrapassada e que nos proporciona agora dias de triunfo da liberdade e dos direitos e palhaçadas assim!

As universidades, são hoje uma das maiores plataformas de "vender o meu peixe"! De tal forma, que ninguém dá conta, e gradualmente vai acompanhando e integrando esta crescente apostasia geral, com muito gosto, e só se irritando com "exageros"!

Assim vai o mundo.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXLI

BIBLIOTECA ASCENDENS - difusão (II)

(continuação I parte)

21 - Sermão Que Prégou o Padre Mestre Francisco de Matos, da Companhia de Jesus, da Província do Brasil, Lente de Prima no Colégio da Bahia, na Festa de S. Gregório Magno em Nossa Senhora da Ajuda da mesma Cidade, Estando o Senhor Exposto. (Lisboa, ano 1700) [Pt. - 24 páginas]

22 - Orações Gratulatórias na Feliz Vinda da Muito Alta, e Muito Poderosa Rainha da Grambretenha, Compostas e Recitadas na Igreja da Divina Providência à Nobreza de Portugal Nas Três Últimas Tardes do Mês de Janeiro de 1693. Pleo P. D. Rafael Bluteau, Clérigo Regular Theatinho da Divina Providência, Doutor na Sagrada Teologia, e Prégador da Rainha Mãe de Inglaterra, e Qualificador do Santo Ofício no Reino de Portugal. (Lisboa, ano 1693) [Pt.  - 52 páginas]

23 - Sermão do Grande Patriarca dos Pobres S. Francisco Prégado no Convento de Santo António dos Capuchos desta Cidade do Rio de Janeiro Pelo M. R. Padre Mestre Francisco de Matos da Companhia de Jesus, sendo Reitor do seu Colégio da Mesma Cidade: com o Santíssimo Sacramento Exposto, no ano de 1696. (Lisboa, ano 1699) [Pt. - 37 páginas]

24 - Sermões do P. António Vieira da Companhia de Jesus Prégador de Sua Alteza - I Parte (Lisboa, ano 1679) [Pt. - a cores, 689 páginas]

25 - Sermões do Padre Manuel dos Reis da Companhia de Jesus Lente de Escritura Muitos Anos no Colégio de Coimbra - I Parte em que se contem muitos Sermões pertencentes ao Advento, e Quaresma com outros adjuntos. (Évora, ano 1717] [Pt. - 703 páginas]

26 - Sermão do Máximo Doutor da Igreja, S. Jerónimo, Pai dos Monges de Belém, Que P´regou o Reverendíssimo Padre Mestre Fr. Fernando de Santo Agostinho, seu Filho, Padre da Província na sua Religião, r Examinador das três Ordens Militares. No Ano de 1687 no Convento de São Jerónimo do Mato. Dedicado ao M. R. Padre Frei Martinho Martiniano de Castro, Religioso da mesma Ordem, Prior actual do Convento de Santa Marina da Costa, depois de o ter sido do Convento Real de Nossa Senhora da Pena. (Lisboa, ano 1689) [Pt.  - 20 páginas]

27 - Sermão Prégado Nas Solenes Exéquias do Senhor D. Afonso Henriques, as Quais Mandou Celebrar, e a Que Assistiu com as Sereníssimas Senhoras Infantas o Muito Alto e Muito Poderoso Senhor D. Miguel I na Real Basílica do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra em 25 de Outubro de 1832 na Ocasião, em que fez abrir o Régio Túmulo Daquele Valeroso Monarca; dedicado e oferecido a ElRei Nosso Senhor (D. Francisco do Santíssimo Coração de Maria. Coimbra, 1832) [Pt. - 33 páginas]

28 - Sermão do Evangelista São Marcos que no seu convento da Ordem de S. Jerónimo, no seu dia Prégou o Dr. João de Sousa de Carvalho Cónego Doutor da Sé de Viseu, etc. Dado à Impressa pelo R. Pe. Fr. Sebastião Fábio, Prior do dito Convento, ano 1688. (Coimbra, ano 1689) [Pt. - 20 páginas]

29 - Sermão na Canonização do Glorioso S. Francisco de Borja .... (Gaspar dos Anjos. Coimbra, ano 1672) [Pt. - 24 páginas]

30 - Sermão Quinto e Último, em celebridade da Trasladação dos Ossos do Patriarca S. Bento, que se fez, no Mosteiro das suas Religiosas da Cidade do Porto... (Luís da Anunciação. Coimbra, ano 1673) [Pt. - 20 páginas]

31 - Sermão da Gloriosa Santa Luzia Que no Convento das Religiosas de S. Bernardo da Cidade de Tavira, Reino do Algarve, Prégou o Pe. Fr. Manuel de Azevedo... (Coimbra, 1687) [Pt. - 20 páginas]

32 - Sermão do Esposo da Rainha dos Anjos S. José prégado na Catedral desta Cidade de Lisboa no seu mesmo dia .... (José da Purificação. Lisboa, ano 1698) [Pt. - 20 páginas]

33 - Sermão no Ofício dos Defuntos da Irmandade dos Clérigos Ricos da Caridade na Igreja da Madalena no Oitavário dos Santos, ... (José de Faria Manuel. Coimbra, 1692) [Pt. - 24 páginas]

34 - Sermão Funeral nas Exéquias do Ilustríssimo e Reverendíssimo D. Fr. Aleixo de Meneses Arcebispo de Goa, Primaz e Governador da Índia: depois Arcebispo e Senhor de Braga, Primaz das Espanhas, Vice-rei de Portugal e ultimamente Capelão mór de Sua Majestade, e Presidente de seu supremo conselho em Madrid. (Gaspar Amorim. Lisboa, ano 1620) [Pt. - 30 páginas]

(a continuar)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXL

O PÃ MORREU

Depois de refutar os artigos da Chiesa Viva, a respeito das "mitras satânicas", julguei que não haveria de sobrar resistente algum! Mas não!... Um teimoso insistiu depois com uma novidade que imaginou: a figura do pastor afinal é um Pã humanizado! Oh paciência!...

Aquela mesma imagem é bastante conhecida hoje, e foi usada muito no pós-concílio para sublinhar a "postoralidade", e é muito do gosto daqueles que acham que a Igreja teria que regressar aos primeiros séculos em tudo menos na doutrina... entenda-se. Como já vi a imagem tantas e tantas vezes antes da "mitra satânica" aparecer, deitei-me à busca imagem origina do "Pã" para mostrar aqui!


A imagem está nas catacumbas romanas (numa pedra), e muitas outras há com a figura a que sempre se chamou "o bom Pastor". Esta é exactamente o mesmo desenho que colocaram na "mitra satânica"... Fica provado que o "Pã humanizado" é anedota!

Vamos ver outro "Pã humanizado" agora nas catacumbas de Domicílica (séc. III).


Etc...


Acabou a teima?! ... Acabou, sim senhor.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXXXIX

ESPECIAIS ASCENDENS (IX)

(continuação da VIII parte)


EXERCÍCIO QUOTIDIANO - VIDA DA ALMA
Recomendação portuguesa do séc. XVIII para a vida da alma, dia a dia; para quem queira seguir, ou saber mais.

VOCABULÁRIO FILOSÓFICO-DEMOCRÁTICO I (vídeo)
Para inauguração dos nosso áudio ASCENDENS, fizemos acompanhar de vídeo o primeiro áudio. A obra em questão é estrategicamente escolhida é muito oportuna, antecede a crise da Igreja no séc. XX e indirectamente ajuda a entender como foi tão fácil no nosso tempo ter as resistências quebradas.

O ÓRGÃO, INSTRUMENTO DA IGREJA I
O órgão é o instrumento da Igreja, formado na Igreja, para o Culto. Eis pequenos registos visuais e sonoros que fizemos de alguns dos órgãos portugueses:
Igreja de N. Senhora da Lapa (B - Porto)
[esta lista será acrescentada posteriormente]

DEPÓSITO ASCENDENS
Para quem ainda não conhece, ainda vai a tempo de visitar o nosso depósito do Magistério Papal (aqui). Trata-se de um formato mais funcional, que apresenta apenas um documento por página. Na coluna lateral esquerda vamos acrescentando outros documentos pré-conciliares [não abdicamos de dar por suspensos os pós-conciliares, embora tenhamos publicado o Summorum Pontificum por motivo de estudo] para o público os poder consultar, ou conhecer.

PATRIARCA DE LISBOA - MEDO!?
Pequeno artigo que recorda o estranho bloqueio dos Papas relativamente ao cumprimento da consagração da Rússia nos moldes em que Nossa Senhora a Pediu.

PÃO DA ALDEIA (vídeo 4 min)
A uns dará saudade, a outros ternura, a outros dará fome, possivelmente a outros nada dirá ou dará: uma velhinha faz pão maravilhoso, como até há anos sempre o vi fazer aqui na Beira, quer na cidade, quer na aldeia.

ASSALTO CASTELHANO À MINA, e outras coisas mais.
Não é novidade para alguns... eis um dos motivos pelo qual Isabel a Católica não poder ser realmente canonizada! Como esta prova, há outros acontecimentos históricos, registados em documento da época. Sim, é certo que a Igreja, mesmo assim, concedeu algumas benesses relativamente a Isabel a Católica... o que deu para sossegar durante alguns séculos! Mas quem é que consegue calar um espanhol emocionado, e esquecido dos factos!? O assalto relatado aconteceu depois de outros, e depois do Papa ter protegido com bula o nosso território em África (para livrar da inveja e da cobiça dos vizinhos, segundo a própria bula refere) ... tudo isto em tempo dos Reis Católicos.

"TRADUÇÃO" CURIOSA
O Sr. Cónego Ferreira queixa-se de uma estranha tradução promovida pelo "Secretariado Nacional de Liturgia". E com razão!!!

GENÉRICO DAS PRODUÇÕES ASCENDENS (video)
É com muito gosto que apresentamos o genérico das Produções Ascendens.

PAPA FRANCISCO OFENDE PORTUGAL
(...) Na linha deste artigo, está este outro.

TESTAMENTO DE LUÍS XVI, REI DE FRANÇA
É significativo para um católico ler o testamento de um rei tradicional (a monarquia assenta o poder em UM), o qual por não se vender às propostas maçónico-liberais do modelo de "poder fraccionado" era chamado de "absolutista". Tal como a autoridade da Casa assenta na autoridade do pai, assim a do Reino assenta no Rei (pai no Reino); ambos estes pais, católicos, sujeitos totalmente a Deus, não deitam as suas responsabilidades ao voto dos filhos. Quanto ao testamentos, podemos nele ver a constante preocupação que teve um Rei católico, tradicional, por tentar fazer sempre tudo conforme a vontade de Deus. Este testamento foi escrito no cativeiro, em condições nada simpáticas, e a poucos momentos da guilhotina. (versão em francês)

Fr. JOÃO DE NOSSA SENHORA - O TERREMOTO DE 1755 em LISBOA
Fr. João de Nossa Senhora, conhecido como "Poeta de Xabregas", foi responsável pelo culto a Nossa Senhora Mãe dos Homens. Segundo se diz, terá profetizado o terremoto de 1755 como castigo de Lisboa preferir a diversão aos eventos piedosos do Domingo.
Curiosa descoberta...

A RESPEITO DA CRISTIANIZAÇÃO DA ÁFRICA
A leitura deste artigo habilitará os portugueses a darem uma resposta. Ou, na melhor das hipóteses, depois deste artigo, poderá acontecer que não hajam mais incomodados com a vaidosas inverdade.

REAL MOSTEIRO DE MAFRA - PLANTAS E POEMAS

DESCOBERTA DE CANÁRIAS!? UM EQUÍVOCO
Antes dos castelhanos chegarem a Canárias já os portugueses usavam aquelas terras. Como até então não tinha havido costume de reivindicar as terras descobertas junto de Roma, Castela teve uma uma ideia original: requerer a formalização junto do Papa, portanto, formalização supostamente irreversível. Depois do Papa saber que tinha atribuído algo que não devia, tentou compensar Portugal relativamente ao restante território de Canárias. O Infante D. Henrique ainda chegou a ter parte das ilhas canárias. Interessante!

BIBLIOTECA ASCENDENS - difusão (I)

Caros leitores, 

iniciamos a nova série de artigos "Biblioteca Ascendens - difusão". Esta série tem como finalidade ampliar a todos os leitores o acesso indirecto à Biblioteca Digital Ascendens.

Os leitores poderão requisitar qualquer um dos livros da Biblioteca Digital Ascendens, desde que esteja publicado nas listas que gradualmente publicaremos nesta série de artigos. O pedido e o envio será feito por correio electrónico (ascendensblog@gmail.com). Para requisitar bastará indicar o número do livro que aparecerá nas listas gradualmente publicadas.

1 - Sacrossanto e Ecuménico Concílio de Trento - Tomo I (Lisboa, ano 1781) [Pt./Lat. - digitalização em cores, +/- 460 páginas]

2 - Sacrossanto e Ecuménico Concílio de Trento - em português e latim - Tomo II (Lisboa, ano 1781) [Pt./Lat. - digitalização em cores, +/- 650 páginas]

3 - Tratado de Casos de Consciência (Fr. António de Córdova. ano 1586) [Esp. - +/- 970 páginas]

7 - Agiológio Lusitano dos Santos e Varões Ilustres em Virtude do Reino de Portugal e Suas Conquistas - Tomo II (Jorge Cardoso. Lisboa, ano 1657) [Pt. - +/- 800 páginas]

8 - Antiguidade da Sagrada Imagem de Nossa Senhora da Nazaré (Manuel de Brito Alão. Lisboa, ano 1628) [Pt. - +/- 270 páginas]

11 - Vida da Sereníssima Princesa D. Joana Filha DelRei D. Afonso Quinto de Portugal, a Qual Viveu Santamente no Convento de Jesus de Aveiro, da Ordem dos Prégadores. (Fr. Nicolau Dias. Lisboa, 1596) [Pt. - 200 páginas]

13 - Triunfo Caramelitano do Real Convento do Carmo de Lisboa na Canonização de S. João da Cruz... (Lisboa Ocidental, ano 1727) [Pt. - 16 páginas]

14 - Arte de Furtar, Espelho de Enganos, Teatro de Verdades, Mostrador de Horas Minguadas (Pe. António Vieira. Lisboa, ano 1727) [Pt. - 440 páginas]

17 - Sermão que Prégou Francisco de Matos, Religioso da Sagrada Companhia de Jesus, Reitor no Colégio do Rio de Janeiro, na Festa do grande Patriarca S. Bento... (Lisboa, ano 1700) [Pt. - 28 páginas]

18 - Sermão do Rosário da Virgem Senhor Nossa... (João Coelho. Coimbra, 1677) [Pt. - 24 páginas]

19 - Sermão da Virgem Maria Senhora Nossa em Dia de Sua Assunção, Prégado em sua Igreja de Chaves (António Pinto da Cunha. Coimbra, ano 1692) [Pt. - 12 páginas]

20 - Sermão Panegírico de Nossa Senhora da Divina Providência, Prégado em Lisboa na sua Igreja dos Clérigos Regulares, na Festa... (Caetano Barbosa. Lisboa, 1695) [Pt. - 24 páginas]

(continuação, II parte)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXXXVIII

O MASTIGÓFORO - Satisfação Prévia ...

Satisfação Prévia aos Realistas, aos Mações, e aos Atravessados de Púrpura, e Trolha.

Quando o Maçonismo era despótico, e regulava a seu modo, e bel prazer a Monarquia, fundada nas vitórias do Senhor D. Afonso Henriques, ou antes no favor, e promessas do Deus dos Portugueses, não faltou neste reino um coro de esforçados atletas mais escolhido, que numeroso, o qual nem por isso andava a gritar pelas ruas, que sustentaria até ao fim, a mais nobre, e mais santa de todas as causas, nas por acções nada equívocas assaz mostrou, que os gritos Monarquia absoluta, ou desterro, Religião, ou morte, eram como a divisa, que os animava, e reunia. Mal posso recordar-me sem uma espécie de ufania, que fui a mais rouca, e desentoada voz desse coro, e o certo é, que saí tirei azos para nunca mais soçobrar, ou emudecer! Não era com efeito de presumir, que tendo eu arrostado a maior sanha, e raiva dos Mações, no seu requinte, ou no zenith das suas fúrias, me acobardasse agora de pôr em toda a luz os meus sentimentos. Só algum desses Mações contraditórios por essência, é que poderá estranhar-me de que eu declame ainda contra a pior de todas as seitas. Mais lhes convinha que pasmassem, e se confundissem da moderação com que os trato, demorando-me, e insistindo mais nas coisas, que nas pessoas, e seguindo o rumo contrário ao que seguiam há pouco os Astros da Lusitânia, os Portugueses Constitucionais, antes e depois de regenerados, os Censores de Lisboa, e seus reforços, os Censores Coinbrões, as Minervas, e os Publicolas da nossa Atenhas!!

"Mas para que é tanto escrever, e dissertar contra os Pedreiros Livres? Anoja-se o público de tantas refutações, e invectivas, e os tais amigos que só dão alguma coisa pela sensibilidade física, e tem perdido inteiramente o senso moral, vão-se rindo às claras, e minando à surrelfa, até plantarem outra vez, ainda que seja de estaca, a majestosa árvore da liberdade, para o que já tem as figuras prontas, e marcadas as primícias do sangue impuro, que há de regá-la!!"

Por isso é que eu escrevo, por isso mesmo é que não largo facilmente a pena. Se eles já nos tivessem despejado o bairro (Almas santas, hoje fora o dia que tal sucedesse!) ou o traste do cais do tojo lhes tivesse curado a mania, que segundo os melhores facultativos, não tem outro remédio, senão este heróico, e decisivo "forca, e mais forca" então de certo me calava eu, que naturalmente afrouxo nestes lances... mas em quanto os contemplar vangloriosos, e como triunfantes, e respirando, (que a tais extremos chega a sua inaudita loucura) no seu ar, nos seus gestos, e nas suas palavras, o íntimo desejo de verem outra vez aclamada, e entronizada a infernal Constituição Gálica em 1791 - Gaditana em 1812 - Lisboeta em 1822... não lhes dou quartel, nem eles o merecem: hei de cair-lhes em cima com todas as armas, que me possa ministrar o justo furor, que de contínuo me acendem as suas odiosas tentativas, e estonteadas maquinações.

Servi-me bons oito meses de armas curtas, e descarregados 33 golpes, vejo que os tais ainda bolem, e julgam ser, ou valer alguma coisa neste mundo!!

Bem quereriam eles, que eu para lhes dar importância, e consideração, denominasse este Periódico, a Lança, a Espada, ou um Dardo para eles. Não esperem de mim uma tal desacerto. Um bando de cegos, e de mentecaptos, cuja teima é persuadirem-se, que são filhos da Luz, que são todos uns linces, e que ninguém vê como eles, por certo não merece que se empreguem outras armas, senão aquelas com que ordinariamente se enxota um rancho de rapazes, e gritadores... Mastigóforo sobre eles, ou em Português: chicote, zorrage sobre estes pedantíssimos seguidores do novo alcorão, sobre esta seita desprezível, que o menos que merece é o tratamento, que se dá na casa dos orates aos que lá existem por menos razão.

"Mas que será feito da gravidade, e sisudeza de um escritor público? Onde estará aquele escrito de união, e caridade, que por certo deve animar todos os discípulos do Evangelho? Chufas não são argumentos, e sátiras nunca foram objecções atendíveis."

Forte novidade! Eu sou o primeiro, que o digo, e confesso, mas que se há de fazer ao Século dos Mações, que eles fizeram eminentemente frívolo, para melhor o desencaminharem... Ridículo, e mais ridículo entornado sobre eles, para se lhes abaterem as cristas, que se assim não for persistirá ele nos seus delírios, e nunca se poderá convencer, que é mais pequeno que uma pulga. No que toca às mansidões Evangélicas (que a dizermos a verdade ficam muito airosas na boca de quem trata o Evangelho de fábula, e de impostura) enquanto eu usar com os Pedreiros Livres, o mesmo que usaram os Santos com os maiores inimigos do Cristianismo irei pelo bom caminho, sem receio de me extraviar, ou perder. Basta que eu faça aos Pedreiros os mesmos ecómios, que Santo Atanásio fez a Ário, que Santo Agostinho fez a Pelágio, e S. Jerónimo a Vigilâncio, para que ninguém possa criminar-me de excessivo.

"Porém a seita (agora entram os medrosos, que vão dizer bocadinhos de ouro!) é poderosíssima, e desde os alvos, ou alvores Carbonários do País das musas, até aos negros mais retintos da Guiné, tem feito rápidas, e maravilhosas conquistas... e é bem, bem para temer, que doendo-lhe as chicotadas faça por aí alguma das suas proezas... e a sorte de Kotzebue é para abrir os olhos a quantos puserem o peito à bala por Deus, e pelo Rei."

Conheço os podres da seita no género de vinganças, ou estúpidas, ou cobardes; as primeiras são por escrito, e as segundas por obra da loje, id est, por veneno, ou apunhalada às ocultas, e à falsa fé.... Enquanto ao mais nego-lhe todos os seus poderes, que infelizmente emperraram, e claudicaram nesses dias de eterno opróbrio para a seita, em que o grito de constituição ou morte, lhe morria nos beiços, caso triste! sem lhe passar às mãos se quer uma pequenina doze daquele furibundo entusiasmo, com que se repetiam aquelas palavrinhas, que já foram a senha dos Jacobinos Franceses!!

Eu não possuo, nem talentos, nem a influência de Kotzebue, que se me assistissem as prendas deste corajoso, porém mal fadado escritor, eu antes quisera morrer, combatendo pela causa de meu Deus, e do meu Príncipe, do que viver cocegado entre a matilha dos cães mudos, que ficam imóveis, e nem se quer ladram, quando estão vendo saquear, e assolar a fazenda de seus donos!! Por outra parte os efeitos da morte de Kotzebue foram tais, que muito melhor teria ido aos Pedreiros, e Iluminados, se o estudantinho Sand não tomasse o freio nos dentes, e deixasse falar à sua vontade o autor da Misantropia, que mais fundamentalmente que um Stozi, poderia nos últimos parocismos aplicar a si o 

Exoriare aliquis nostris ex ossibus ultor.

Seria vergonha para os defensores do Trono, e do Altar, se consentissem ver-se excedidos pelos sábios indagadores da natureza, que sem embargo de todos os dissabores, contingências, e perigos, nem por isso fogem de examinar os vulcões, as cataratas, e outros fenómenos espantosos; muito embora eu caminhe sobre dolosas cinzas, debaixo das quais dorme o fogo prestes a acender-se; muito embora eu sacrifique o meu sossego, e as minhas felicidades temporais à melhor de todas as causas; muito embora eu ouça a cada instante o ranger de viperinos dentes, que me faz lembrar outro já destinado para suplício das infelizes, e desacordadas vítimas do Maçonismo; antes quero ser o último na casa do meu Deus, que o primeiro nos tabernáculo do vício, e da maldade. Ainda há pouco dizia o mais eloquente dos nossos Oradores Cristãos na augusta presença DelRei Nosso Senhor, que já tinha o lençol pronto para se enterrar com ele, eu nem esse tenho próprio, e mais de uma vez o intruso, é nefando governo Constitucional me quis arrancar, e fazer em pedaços essa mortalha em que me lisonjeava de ser entregue à sepultura!! Escrevi pois como é justo que escreva um homem despido de temores, e de pretensões, forcejarei por ser entendido, não tanto das sábias gentes de mais alta esteira! como desse povo o mais real do Universo, que a todo o custo deve ser instruído, e avisado para que se previna, e arme contra tudo o que cheirar a empresa Maçónica.

Por bem pouco não ficou ele, sem Rei, sem Altar, sem Vítima, e Sacerdócio!! a lição foi terrível, e merece que todos a aproveitem sob pena de desafiarem outra vez a cólera do Céu.. O Sistema Constitucional desapareceu da face da terra; porém as suas raízes ainda existem, e ainda brotam pestilenciais ramificações. É necessário cortá-las, e cortá-as sem dó... mãos trémulas, e convulsas não podem ser bem sucedidas neste género de operações..... já que os Mações tudo corromperam, e adulteraram começarei por instruir os desprevenidos, e ignorante, para que nunca mais se deixem embair das falcílimas promessas do Maçonismo. Verei se posso achar algum fio que me conduza nesse labirinto de incertezas, e contradições, em que laboram, e se perdem quase todos os historiadores do começo desta mortífera contagiam das Sociedades Cristã, e Civil. Penetrarei até ao mais recôndito das suas manobras para ultimarem a completa ruína do catolicismo. Projectista de reforma do Clero Secular e Regular, Prégadores Constitucionais, Teológia, e Jurisprudência Liberal, aparecerá tudo debaixo do seu verdadeiro ponto de vista, e para que assim o escritor, como os seus leitores ganhem alento, e se refaçam para contemplarem novos horrores, darei entrada a seu tempo aos mofinos, e hediondos partos de literatura Constitucional, teatro este onde com mais desaforo e sem apertos de coração poderemos calcular até onde chegou a inépcia dos que tratavam de ineptos a João das Regras, e ao Marquês de Pombal.

(Índice da obra)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXXXVII

Notícia - MESQUITISMO SUSPENSO EM LISBOA


"Está suspensa a expropriação de dois prédios que a Câmara de Lisboa quer deitar abaixo na Mouraria para construir [uma mesquita]", adianta em notícia a Rádio Renascença. "Providência cautelar suspende expropriação de prédios onde autarquia quer construir mesquita. A acção foi aceite pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa. A advogada do proprietário dos dois edifícios deu entrada com uma providência cautelar para suspender a posse administrativa dos prédios que foram declarados de utilidade pública." O proprietário do prédio vai ainda receber uma indemnização de "530 mil euros pela expropriação, um valor que contesta tendo apresentado uma contraproposta no valor de 1,99 milhões de euros que foi recusada. A autarquia quer requalificar as ruas da Palma e do Benformoso, em Lisboa, o projecto envolve a criação de uma praça coberta e um jardim além da nova mesquita para a comunidade muçulmana."


Não valeu nada o baixo assinado que há tempos difundimos, portanto! A Câmara só abrandou com a ordem do Tribunal... o que demonstra a determinação com que a Maçonaria opera na Câmara Municipal de Lisboa contra a população.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXXXVI

ASCENDENS - Curiosidades do blog em AGOSTO

Caros leitores,

para respirar um pouco, no meio dos importantes e fundamentais artigos que temos vindo a publicar, informamos da nossa curiosa previsão: até ao final do mês, o número mensal de visitantes ultrapassará o record anteriormente alcançado. O segundo lugar foi obtido em Janeiro de 2015, o terceiro lugar era  o de Janeiro de 2014 e foi hoje ultrapassado. Portanto, até ao último dia do mês, segundo parece, iremos ultrapassar o record mensal de Junho de 2016.

A publicação de Agosto de 2016 mais lida foi "A coincidência - St. Inácio de Loyola e D. João V", a segunda "D. Marcel Lefebvre - Como Portugal Reedifiquemos a Cristandade", a terceira "Dia de Santiago é Glória de Portugal". O artigo que foi mais lido, mas não foi publicado este mês, foi "Genética - Descoberta Científica: O Gene Lusitano Existe Realmente", com quase 3600 acessos.

Eis uma plêiade de artigos, todos eles relacionados com Portugal, e quase todos com a Cristandade.

Leitores por país: 1º Portugal, 2º Rússia, 3º Brasil, 4º Estados Unidos, 5º Alemanha, 6º França, 7º Reino Unido, 8º Espanha, 9º Suíça, 10º Ucrânia.

Desafiamos os leitores a aventurarem-se nos artigos menos mediáticos e mais importantes, como o são as obras de D. Fr. Fortunato de S. Boaventura, por exemplo, as quais não são teses sobre a defesa da Cristandade ou de Portugal, mas sim testemunhos, críticas, relatos da época, em defesa do que nós devemos hoje também defender, e contra as venenosas ideias e acções dos mesmos inimigos do Trono e do Altar (hoje a sociedade está impregnada deles, mesmo sem pertencer a maçonarias ou outras semelhantes militâncias).

Continuação de boa semana, na companhia de Nosso Senhor!

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXXXV

NOTÍCIA - GRANDES ATAQUES À FRANÇA

Caros leitores,

não somos muito de dar notícias, mas esta que vos trago agora, de tão dramática e simbólica ser, não pode ficar calada. A França, "Filha primogénita da Igreja" (ainda é, porque o é em essência - nunca deixará de ser), para Deus mostrar aos homens o estado de calamidade em que o mundo se encontra, mostra-nos agora um cenário muito terrível e muito visível. Do espanhol traduzo e transcrevo:


"França - De acordo com um informe do Senado francês, 2.800 templos serão demolidos na França, muitos deles com séculos. A decisão [desculpa apresentada] foi tomada pelos custos de restauro, pois são mais altos que os custos de demolição [eis o motivo porque em Portugal a Maçonaria está a iniciar o jogo do IMI contra a Concordata - estas iniciativas são programadas e internacionais, têm agenda...].

Em 2013, por exemplo, a igreja de St. Jacques em Abbeville, construída em 1868, foi demolida ao custo de 350.000€. Este valor é inferior ao início dos restauros [veja-se o ridículo de como se apresenta tudo com uma básica operação numérica de subtracção]. À medida que o número de crentes diminuiu nas últimas décadas, estes templos foram praticamente abandonados.

Para muitas cidades da França, a falta de interesse e o alto valor dos terrenos onde estão os templos não justificam o investimento no restauro [gastar dinheiro com uma bala fica mais em conta que sustentar um filho...]. Desde 2007 [lembro que neste ano, a Maçonaria de França emitiu uma declaração em reacção ao que lhe parecia ser uma tentativa da Igreja fazer um retorno em vários aspectos], quando foi tomada a decisão, várias igrejas foram substituídas por centros comerciais, lojas, edifícios para apartamentos ou estacionamentos.

A recente invasão da igreja de Sta. Rita, em Paris, que culminou com a expulsão do sacerdote e fiéis, durante a Missa [do grupo eclesiadeista IBP], reavivou [a indignação e] o debate. O terreno foi vendido e os novos proprietários necessitavam [é admirável a escolha do verbo "necessitar" um enquadramento destes...] que o edifício fosse derrubado.

A deputada Marine Le Pen lançou um desafio ao dizer que, em vez de destruírem igrejas, o governo deve "derrubar mesquitas". Ela foi porta-voz de uma causa que não tomada em conta pela maioria dos meios de comunicação. Uma parte dos terrenos está a ser vendido a grupos islâmicos que depois constroem ali mesquitas. [são da paz.. eles nem fizeram barulho para comprar.... são da paz..!!!]

Assim, centenas de mesquitas novas estão a ser construídas na Europa a cada ano que passa [e cada vez mais]. Têm capacidade para centenas de milhares de jovens muçulmanos, já os nascidos na Europa como "imigrantes" [aspas nossas], recém-chegados.

Situação idêntica para os outros países. 

A Igreja de Inglaterra, conhecida como episcopal anglicana no mundo, tem 16.000 igrejas no Reino Unido. Com o cristianismo entrando em declive, a decisão administrativa foi a de fechar pelo menos 2000 templos.

Nestes lugares, reúnem-se regulamente menos de dez fiéis. A maioria são de idade avançada, poucos e distantes entre si. Isto inviabiliza os custos de manutenção dos templos, assim que a "opção" [aspas nossas - mais valia terem escrito "decisão"] é convertê-los em "igrejas de férias", que só abrem nas semanas para o Natal e Páscoa, quando muitos cristão procuram ir à igreja só por costume.

Um programa de financiamento do governo através do Conselho de Artes de Inglaterra, está à procura de outros destinos para os edifícios da Igreja oficial do país. Os espaços podem ser alugados para uma ampla gama de eventos e actividades, como conferências, recepções de casamento, eventos de caridade, férias etc.. [se a Igreja é nacional, porque não apostaram em reevangelizar!? ... Claro ... reevangelizar sem ter de aceitar agora as limitações ideológicas maçónicas...]

The Guardian informa que 394 templos cristãos estão "disponíveis" para ser renovados, reformados e utilizados para outros fins. Em alguns casos, foram convertidos em mesquitas [ora cá está o "benefício" da política de ajudar os templos da Igreja nacional....].

Nas duas últimas décadas na Alemanha, mais de 350 igrejas foram encerradas. Agora, o projecto do conhecido político esquerdista Joachim Reining tem como objectivo "integrar mais rapidamente" os milhares de "imigrantes" [aspas nossas] muçulmanos que chegam à Europa a cada semana. [... tanta caridade... que nem se entende o motivo]. Segundo as propostas, as igrejas cristãs devem ser demolidas porque as mesquitas serão construídas naqueles mesmos espaços. [agora entende-se bem...]

O discurso de Reining, guiado pela ideologia multicultural baseia-se num documento de 2013 que ele mesmo ajudou a preparar, o qual identificou uma "necessidade urgente" para a construção de mesquitas na região.

Segundo o Senado de Hamburgo, que também produziu um documento sobre o tema, o ideal seria uma "mesquita em cada bairro". A razão principal disto é o importante "trabalho comunitário", promovido pelas mesquitas." (fonte: NoticiaCristiana)

Vejam, vejam, como a notícia começa por um drama terrível, torna-se uma questão de números, passa por uma oportunidade de negócio, e acaba na magnífica "solução" para todos os males... mas, pior : a "solução" requer que a destruição de igrejas passe a ser entendida como um bem! ... Repararam!? ... assim se faz, sem que os leitores notem!

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXXXIV

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 20 (II)

(continuação da I parte)

O mais famosos e difamado inquisidor: Tomás de Torquemada
(na verdade, um homem quase santo que tanto bem fez)
Ainda não contente a fúria dos liberais, decretou a solene demolição dos cárceres (parece que lhes adivinhava o coração  o perigo iminente de serem ainda os seus povoadores) e para a execução desta providência foi necessário que se gastassem avultadas somas, e, o que é ainda mais próprio deste século de extravagâncias, a sala principal do S. Ofício de Évora destinou-se, valha a verdade, para local de sociedades maçónicas... Tanto mudam os homens e as coisas!!! Nada mais fácil que tapar de uma vez a boca aos inimigos do S. Ofício. Muito embora não penetrem os indiferentistas modernos a justíssima causa desse impenetrável e misterioso segredo, que até certo ponto se guarda nos processos. Quando os negócios da Fé eram os que mais doíam aos Portugueses, não se estranhava coisa alguma destas, e os bons Católicos perdoavam de boamente ao S. Ofício que ele ocultasse muito do que só poderia irritar e escandalizar os fiéis. Depois que começou a grassar (até nas próprias classes que deviam sobressair em zelo e actividade para tudo que fosse promover a glória do Cristianismo) essa maldita indiferença para tudo que é sobrenatural e Divino, começaram também de estranhar-se os rigores do S. Ofício, que teve de abrandá-los, e conformar-se nesta parte às opiniões do século... O grito de usurpação dos direitos Episcopais é agora o mais indiscreto e menos atendível. Já mostrou a experiência que os Excelentíssimos Ordinários carecem da maior parte da força que acompanhava todos os procedimentos do S. Ofício. Saíram impressos nas cidades episcopais alguns escritos obscenos, e ímpios, e não vi que saíssem Pastorais a desviarem o rebanho dos pastos venenosos; o que deve cortar pela raiz o ciume de alguns Bispos que se lastimavam dessa pretendida usurpação, que era mais um favor, e um auxílio poderoso, que sustentava o ministério Episcopal, do que um atentado contra os seus inauferáveis direitos, nem os filósofos do tempo adularam os Bispos, e trataram de lhes agravar a ferida, senão com o doloso intuito de enervarem o poder do S. Ofício, que era o único de que mais se temiam, e que mais obstava aos progressos da Maçonaria. Era tão poderosa a ascendência do Tribunal sobre os malfadados vingadores de Adomirão, que assim mesmo debilitado, enfraquecido, e posto numa certa nulidade, tinha ainda forças de sobejo para lhes estorvar as suas reuniões, e impedir que se metessem a recrutar impunemente, e que fazendo gala do sambenito (o verdadeiro ficava-lhes a morrer!) preparassem, e endereçassem as loges dos seus paninhos envernizados, de suas mitras, esquadrias, e mais insígnias e utensílios de lata etc., etc. etc.

Doces despojos
Tão bem logrados
Em quanto Deus,
Enquanto os fados
O consentiam!

Ainda bem que na invenção e descoberta da Farraparia mçónica leu toda a cidade de Coimbra duas verdades mui importantes, e da maior consequência para o futuro. 1ª A existência dos Pedreiros livres, que era impugnada por certos heróis, aos quais ou faltava o senso comum, ou sobejava a malícia para encobrirem deste modo os seus caríssimos irmãos. 2ª A urgente necessidade da imediata restituição do tribunal do S. Ofício, o único que pode fazer uma guerra bem sucedidas ao Maçonismo, que só vigiado de perto, contrariado em seus planos, e ameaçado de jazer, ou jazendo de facto nos cárceres do S. Ofício, é que poderá tomar juízo. Entrementes para que o tal Sr. Maçonismo, tão presunçoso como depravado, não cuide que só contei histórias e disse algumas chalaças, e que ele esgotou a matéria, e fez um papel brilhantíssimo no Salão das Necessidades, farei um par de observações sobre a estrepitosa Sessão em que foi abolido o Tribunal da Fé, e caminharei, depois senão a uma apologia formal, que não é agora do meu intento, pelo menos a um ensaio de apologia, que não será de todo inútil para as crianças que a lerem, e poderá consolar os bons Portugueses, para os quais já tarda muito a desejada restituição de um Tribunal, a quem devemos o ser Católicos; pois que seria de nós se as heresias de Luterano e Calvino tivessem penetrado e lavrado impunemente neste Reino!!

Erros, contradições, e sandices dos trasloucados e furibundos Preopinantes, quando fizeram abolir o Tribunal da Fé...

Se ao tempo em que eu via sair de Coimbra no meio de Verdiais e homens de vara um carro atulhado de estudantes, ou vadios, ou facciosos, ou amadores de novidades prejudiciais à ordem pública, me dissesse algum dos circunstantes que aplaudiam esta rigorosa, mas indispensável medida do Vice-Reitor José Monteiro da Rocha: "Aquele de horrenda catadura que vês estendido na carreta em ar meditabundo, propriedade de ciência que faz objecto de seus estudos; e assim com a fisionomia de cabeça de motim, ou chefe de seita... esse mesmo há de governar ainda os Portugueses, há de ser ouvido pelos maiores sábios da Nação como oráculo, e para te dizer de uma vez até onde chegará a sua poderosa influência, há de extinguir o Tribunal do Santo Ofício, e ninguém abrirá bico diante dele para o impugnar ou contradizer..." eu pedia a quem tal me dissesse que ninguém mais o ouvisse, temendo que o remetessem de envolta com os heróis do carro, mas para outro destino, a saber, Casa de Oraters... A que chegámos no tempo constitucional!!! Tudo isto vimos, e o vimos calados e tranquilos!!! Não quero agora trabalhar os nossos Ixiões, a quem as nuvens parecerão Deusas... Apareça em cena o novo Fayel ou Hamlet, o pavoroso Diário de Côrtes nº 42, que nos regalou as entranhas com os debates ou rebates falsos da sessão de 26 de Março de 1821, e vejamos como ele fica depois da esfrega Histórico-crítica, que lhe tenho preparado.

Texto

Esta bula (a da instituição do Tribunal da Fé) foi reescrita por agrado pelo Rei D. João III, sem saber que recebia com ela a infâmia e a desgraça deste Reino.

Censura e comentário

Bem sei, meu Português à força (vai o C plicado, se o quiseres sem ela, farás o que te parecer melhor) que essa famigerada bula não poderia nunca ser ouvida com agrado nos Congressos de Satanás, Belzebu, Astaroth, Asmedeu, e outros que tais... porém um Rei Católico e verdadeiro Pai dos seus vassalos, (não tenhas medo a este papão) e verdadeiro Pai dos seus vassalos, muito bem inteirado do que sucedera em Lisboa no tempo do seu Augusto Pai, e de quanto era inflamável o zelo dos Portugueses em tudo o que respeitava à santa Religião dos seus maiores; e vendo-se por outra parte ameaçado das heresias de Lutero e Calvino, que só lhe traziam a perdição eterna de seus vassalos, assentou que era melhor obstar aos males em seu princípio, que ter de chorar dentro em poucos anos outra matança e destruição de seus filhos, muito acima da que se perpetrara em Lisboa debaixo de pretextos de Judaísmo... Por isso alcançou, apesar de grandes obstáculos que lhe foram suscitados na Cúria Romana, a bula da instituição do Tribunal, que Santo Ofício já o havia neste Reino, e os erros e heresias consumavam declarar-se aos Inquisidores gerais, que foram tirados das Ordens de S. Francisco e de S. Domingos. Soube ElRei perfeitamente o que recebia, e soube que afastava dos seus Reinos, quanto nele era, a infâmia de ser respeito de heresia, e a desgraça de correr após as novidades do século e de perecer eternamente... Ora tudo isto é uma verdade inquestionável; mas era tal o predomínio das opiniões filosóficas neste Reino, que a erecção do Tribunal do Santo Ofício costumava ser um grande apuro em que se viam os Pregadores nas exéquias deste Soberano, que é de tarifa celebrarem-se anualmente pela Universidade de Coimbra... Não o para mim, que em 1819 tirei desse mesmo princípio a maior glória do Restaurador da Academia, e de bom grado quis passar por intolerante e fanático, ou por insecto asqueroso, imundo resto do Tribunal de sangue, como depois me chamou certo escritor liberalismo.

Texto

O primeiro que teve a desgraça de ser Inquisidor Geral foi um irmão de ElRei, foi o Cardeal Henrique.

Censura e comentário

Mente, e comete um erro de palmatória... E são estes os que profundavam as matérias, e levavam o recadinho estudado!!! O primeiro Inquisidor geral foi D. Fr. Diogo da Silva, Bispo de Septa ou Ceuta, o Confessor d'ElRei, como se vê da bula de instituição, que vem a pág. 713 do tomo 2º das Provas da História Genealógica, e só passados bons três anos é que entrou para Inquisidor geral o Cardeal Infante D. Henrique, por ter passado para Arcebispo de Braga o primeiro Inquisidor mor, que assim lhe chamavam neste tempo.

Texto

Era lícito a toda a pessoa, por mais perversa que fosse, ser denunciante ou acusador, e as acusações eram recebidas apesar da incoerência das testemunhas.

Censura e comentário

Já notei que o último Regimento do Tribunal é cheio de circunspecção e cautelas a este propósito, e como tal merecê os forçados elogios da própria sabedoria do século. Não tenho à mão a celebérrima narrativa da perseguição, ou o quer que é, do Irmão Hipólito José da Costa, onde se lêem por inteiro os dois últimos Regimentos; só me foi possível examinar o que foi dado pelo Inquisidor geral D. Pedro de Castilho, o que é tanto melhor para o meu intento, por ser o tachado na própria sessão de Código horrível, Código de sangue, etc.. No capitulo 9 fol. 8 v. lemos o seguinte "Por uma só testemunha se não precederá a prisão ordinariamente, salvo quando parecer aos Inquisidores que é caso para isso, e a testemunha é de crédito, e que fala verdade..." Já no capítulo 3º fol. 8 se tinha advertido que não se procedesse fogosa e precipitadamente; e no capítulo 5º se recomendava o seguinte: "Assim mesmo se olhará muito a qualidade de testemunhas, e o crédito que se lhe deve dar, segundo a qualidade do caso e da pessoa, e os Inquisidores farão diligência sobre o crédito que devem dar às testemunhas, antes que procedam à prisão, como em negócio de tanta importância se requer, e o mesmo farão em todas as mais testemunhas que perguntarem, etc."

Ora este Regimento foi impresso em 1613, e já nesse tempo era fácil destruir as objecções do homem do carro.

Texto

Jazia o prezo num espaço menor que aquele onde se põem os mortos. (Aqui entraram de chusma as polés, cavaletes, ferros em brasa, etc. etc. etc).

Censura e comentário

Já o apanhei onde o queria ver, para o zurzir à minha vontade. As prisões do Santo Ofício eram mais escuras que apertadas, e se havia lá segredos, calabouços e prisões subterrâneas, imitava lá segredos, calabouços e prisões subterrâneas, imitava nessa parte o que ainda não reprovaram os Tribunais cívico quando se trata de crimes de traição ou lesa Majestade humana... prisões mais estreitas que o jazigo dos mortos, ah! que bem cabiam neste rasgo de eloquência Cicerónica essas lágrimas de pura sensibilidade, com que outro ainda mais conspícuo arengador devia molhar daí a poucos minutos o sagrado recinto!!! Eu não tive a curiosidade de ver os cárceres do Santo Ofício de Coimbra, antes me escandalizei muito de que várias pessoas, e nomeadamente alguns Sacerdotes seculares e regulares, acudissem a uma revista ou exame, que era um dos principais triunfos da Padroeira; mas sei de pessoas que examinaram os cárceres sem prevenção, e que os não vieram pelo microscópio da libertinagem e da impiedade, que eles nem ao longe se parecem com o termo de comparação, que lhes assinou o valente orador que vou refutando... No que toca aos horrorosos tratos de polés e cavaletes, etc etc., serei um pouco mais extenso... A moderação, e quase extinção de tortura, deveu-se em tempos mais antigos à em tudo bemfazeja influência do Cristianismo, e o que se tem escrito de melhor neste assunto foi roubado das obras de Santo Agostinho, sem que até agora tenham confessado a obrigação em que está o Género humano ao eruditíssimo autor dos livros imortais De Civitate Dei. Apesar disto, ficou pertencendo esta glória ao Marques de Becaria, apregoado em todos os cantos da Europa, e levado até às nuvens por ter feito acabar esses opróbrios da humanidade... Deu-me agora na vontade referir certas anedotas sobre o livro e carácter de tal Marquês, para vermos a coerência com que procedem em tudo os Filósofos modernos...

Depois da condenação do réu cala. que deu tamanho brado na França e na Europa, lembraram-se os Enciclopedistas que era uma boa ocasião de assoalhar alguns princípios que ainda se ensinavam às ocultas, e para este fim escreveram a um Frade Barnabita de Milão, que era Matemático e sócio da irmandade, pedindo-lhe que fizesse disparar a artilharia grossa Italiana sobre o rigor das penas, e sobre a tolerância, que em bom Português quer dizer guerra ao Trono, guerra ao Altar, e que os irmãos de Paris teriam cuidado de sustentar o crédito da Obrinha, e fazê-la voar até aos últimos confins da terra... A carta era de Mr. Condorcet (que herói!!!), e foi linda penetrante os sócios da Assembleia denominada de Café... id. est. Loge - Fortaleza, Loge - Regeneração, ou como outras da mesma farinha. Todos escolheram os homens, e ninguém aceitava a comissão filosófica, que estava em perigo de falhar, quando um Filósofo medíocre, o Marquês de Beccaria, com grande pasmo do auditório, que o reconhecia por incapaz de tamanha empresa, disse que a aceitava. Compôs o livro dos Delitos e penas, mandou-o à Confraria Parisiense, onde era esperado com ânsia... porém Mr. de Alambert enojou-se tanto de ler, que o não pôde levar ao fim. Assentou-se que convinha refundi-lo e ataviá-lo à francesa, e foi o Abade Morelet quem se encarregou do novo trabalho, que apenas saiu a lume, foi comentado por Voltaire, premiado extraordinariamente pela Academia de Berne, chamado o Suplemento do Espírito das Leis, e a quinta essência da Jurisprudência criminal, quando o melhor que ele contém foi apanhado da Utopia de Tomás Moro, e do próprio Montesquieu, que já fizera a mesma colheita nas obras de João Bodino. Disse pois o que basta e sobeja quanto ao livro; pintarei uma palavra no tocante ao Autor. Adoeceu-lhe a Marquesa sua mulher em Tourano, nas terras do Conde Calderari, amigo do Marquês, que lhe mandou para o verem o Doutor Moscati, e o Médico. D. Félix Mainoni, os quais, ao passarem no vale Marignano, foram incestidos e saqueados por três salteadores, cujo capitão se chamava Sartorelo... Requereram os tais Doutores ao Marquês uma indemnização desta perda, e conseguintemente o Marquês pôs toda a diligência para serem presos os criminosos, e com efeito o capitão Sartelo caiu nas mãos da justiça, mas negava tudo a pé junto, e as testemunhas não estavam certas das feições dos salteadores, o que punha o Juízes em grande hesitação, sem atinarem o modo de satisfazerem o Marquês... Foi ele próprio que sugeriu o expediente para os desenredar daquela perplexidade. E qual seria? Nada menos que a tortura!!! O que é tanto mais para estranhar, quanto é certo que na Loimbardia só em casos extraordinários a infligiam!! Segue-se pois de duas uma, ou o Mr. Beccaria, Professor de direito humano, obrou mal quando impugnava a tortura, ou fez ainda pior quando a inculcou aos Juízes no sobredito caso. Enfim nada é tão ordinário nesta casta de gente, como veremos um Frederico II curando nos seus soldados a mania do suicídio pela assistência às leituras do Evangelho, um Voltaire trincando cartas de excomunhão do Cura da sua freguesia para empecer a destruição das árvores da sua mata de Ferney, e um Dufriche Valeré (se bem me lembro) voltando de morte na causa de Luís XVI, depois de ter defendido nas suas obras que a pena de morte era um atentado contra os direitos do homem, etc. etc. etc.. A Inquisição, tornando agora ao ponto essencial, à muito que não usava de polés, nem cavaletes, que só existiam mais para incutirem susto do que para se usarem; e um dos tais Preopinantes, que podia falar com sobejo conhecimento de causa, não duvidou afirmar que a Inquisição se tinha amoldado às opiniões do século, que já não era tão rigorosa como dantes: logo para que era temer sevícias já inteiramente desusadas, para que era aborrecer uma instituição que nas matérias penais caminhava a par das luzes do século? Responda-o.

Texto

Ainda depois do reinado de ElRei D. José muito homens foram vítimas dele. Ainda em nossos tempos vimos sofrer muitos beneméritos deste país, antes da famosa setembrizada. Do texto se conclui que temiam ver excitados novamente os que eles chamavam antigos furores do Tribunal, e por isso o queriam abolindo a ponto de que, sendo possível, queimassem os próprios edifícios, e deitassem as cinzas e ruínas ao mar.

Censura e comentário

Eis que chego ao mais fino da questão; e serei mais claro do que nunca. Perseguiu a Inquisição o Lente José Anastácio no Reinado da Senhora D. Maria I ... e assim foi ... mas vejamos se o Tribunal procedeu justa ou injustamente. Ninguém provará que a Inquisição entendesse com aquele Professor em assuntos de Faculdade de Matemática, e debalde quererão os adeptos fazer deste homem perseguido um novo Galileu (já que vem a talho de foice, ou corte de punhal que vem a ser o mesmo, direi este facto da perseguição do Galileu é um dos que andam mais desfigurados na História moderna; e se alguém me saísse ao caminho, que eu levo, então lhe mostraria por documentos de irrefutável crédito que nem a Inquisição de Roma foi cruel, nem o Astrónomo foi tão inocente como se diz vulgarmente, sem exame, e sem averiguação alguma. Tenho armado uns poucos de alçapões aos sábios destas eras, mas infelizmente não saem a campo, o que não admira, porque no seu S. Martinho, no seu bom tempo constitucional, não souberam responder a quem lhes argumentava na forma senão insultando, prendendo, e desterrando). Podia ele se quisesse, e os seus talentos e forças alcançassem tanto, não só igualar, mas exceder o famoso Pedro Nunes, sem que lhe pusessem o menor impedimento; José Anastácio porém excedeu-se em matérias de que não era sabedor, e nas quais não podia ser juiz; dogmatizou contra os principais mistérios da nossa Fé, e para ser mais eficaz o veneno, temperou-o com todas as graças da Poesia, e como enfeitou de lábios dourados a laça em que propinava a moral bebida aos incautos mancebos que o atendiam. Que devia fazer nestes lances o Tribunal do S. Ofício quando reinava uma Princesa verdadeiramente religiosa do Cristianismo ao próprio Soberano que fez erigir o Tribunal da Fé? Muito embora chorassem as musas, as letras, e as ciências; mas foi de absoluta necessidade reprimir os males na sua origem, e só estranhará os aliás pequenos sofrimentos de José Anastácio quem desejar segui-lo na temeridade de escrever contra a fé e bons costumes. Oxalá que o S. Ofício já bastantemente aguilhoado nessas, e outras semelhantes causas, pudesse então bracejar e desenvolver-se na forma que tanto convinha aos interesses da Monarquia!!! Apenas conseguiu represar nas mãos de infames depositários as virulentas, ímpias, e blasfemas cartas de um Português, que em poucas páginas recolheu todo o veneno das Cartas Persanas, Índias, Cabalísticas, etc. etc., etc. Logo porém que o dia 24 de Agosto fez soltar os ventos, e as tempestades de volta com o Dragão Infernal que estivera sopeado mais de seiscentos anos, foram impressas neste Reino!!! As cartas de José Anastácio, venderam-se descaradamente no Porto e em Coimbra, que em Lisboa já seriam velhas, e correram como se fossem novos catecismos da mocidade Portuguesa!! Em vão protestei na Gazeta Universal contra a aparição de mais este fenómeno da impiedade; uma voz fraca, e desconhecida mal se ouvia, quando os próprios que eram obrigados a falar em voz alta, pereciam estátuas! No que pertence aos beneméritos que compareceram no Tribunal do S. Ofício, já toda a Nação conhece admiravelmente de que laia são estes beneméritos, e acompanham-me toda no sentimento de que, assim como levaram meigas e suaves repreensões, não ficassem ai deitados e clausurados! Pois que perdíamos com isso? Teríamos vivido em paz, e não teríamos visto as proezas maçónicas. Já agora que tenho adiantado este certamente, convém levá-lo ao fim, propondo, e desfazendo as objecções dos adversários dos S. Ofício.

Texto

Quem será tão desumano, que não se comova dos gritos de mil e quatrocentas vítimas que foram queimadas, e mais de vinte mil que foram infamadas neste Reino por esse Tribunal povoado de canibais e antropófagos? Somente na Bélgica foram condenados à morte oitenta mil pessoas, quando o feroz Duque de Alba dirigia as operações do Tribunal exterminador, "e quem tomar o pincel vagaroso, mas seguro, de Dominichino, e molhar no sangue que fez derramar em Espanha esse infame Torquemada" (Diário da Côrte - 1º ano, nº42, pág. 356) fará por certo o quadro mais espantoso e abominável.

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Qual é o Tribunal humano, que não tenha abusado de seus poderes, que não tenha excedido os limites de sua competência e de sua jurisdição? Se fôra este um motivo suficiente de sua extinção, quantos deveriam ficar em pé? Tomando porém a coisa por outro lado, quantos ladrões e homicidas terão há duzentos anos a esta parte subido à forca nas duas cidades de Lisboa e Porto? Quem folheasse os registos das sentenças capitais deste Reino acharia mais de mil e quatrocentos; e será este um argumento, porque se devam extinguir desde já os Tribunais que impuseram a pena última? Ora esses mil e quatrocentos, número este que por ventura será exagerado, foram homens relapsos, dogmatizantes, e perturbadores da ordem pública, e por isso a autoridade civil deu as mãos à eclesiástica, para que do rebanho de Jesus Cristo fossem cortadas de uma vez essas ovelhas contagiadas, que o poderiam inficcionar todo, se lhe não acudissem a tempo. Os filósofos de hoje estão muito discordantes da sabedoria cristã, e por isso nem pode haver ajuste de princípios, nem as disputas acabam felizmente. Para eles tudo é político e temporal, e os negócios da Fé são os últimos... Concedem facilmente que uma desatenção, uma palavra injuriosa que se diga ao Rei da terra, é punível, e de bom grado subscreveram a pena de morte, se houver esperança de merecê, de comenda, ou de título... porque enfim querem viver só para este mundo, e talvez não admitiam, nem esperem outro... mas tratando-se de injúrias públicas e atrozes feitas ao Rei dos Céus e da Terra, humanizam-se, mudam de tom, e parecem-lhe delírios de cabeças estouradas, que não contemplam nem sabem dar desconto ao fanatismo dos seus concidadãos; e muito embora se altere o sossego público, se corrompa a mocidade, pereçam almas aos centos, e milhares delas se precipitem no inferno, basta para esses crimes um simples aviso correccional. Não é agora do meu intento defender a severidade das medidas que tomou o Duque de Alba, nem fazer encurtar o número das vítimas que se imputam ao Cardeal Torquemada; devo porém fazer uma advertência mui essencial neste ponto. Quando os Ateus e Pedreiros Livres governam, tudo é santo e justo; façam-se embora centos de pavorosas cenas como a decantada S. Bartolomei, assim era necessário para o bem da sociedade, que usou dos seus direitos, cortando ou expulsando de si os membros podres que a corrompiam danificavam; quando porém governa Carlos IX de França ou Filipe II de Espanha, muito embora os Belgas e os Hugunotes sejam notoriamente uns vassalos rebeldes, uns aleivosos conspiradores, que levantando um Estado dentro do Estado queiram e possuam lugares de segurança e praças fortes, donde renovem a seu salvo, quando houver mais forças, e guerra civil; tudo isto são jogos de crianças a que os Reis devem mostrar uma cara de riso, e subirem com ela ao patíbulo, que lhes anuncia já sem rebuço, e lhes prepara no silêncio das trevas a orgulhosa sabedoria moderna, empunhando a trolha, cingindo a cabeça de mitra, e rodeada de esquadrias, de triângulos, e outros emblemas de suas altíssimas concepções.

Texto

Quem se vale do argumento de se terem evitado neste Reino as funestíssimas dissensões religiosas, que ensanguentaram a França e a Alemanha, recorrer a uma simples invectiva, a uma simples recriminação, como quem diz "tu fazes pior, logo eu não faço mal."

Censura e comentário

Não é por esse modo sofistico e vicioso que nós conduzimos o argumento; porém de outro o mais conforme às regras de uma discussão judiciosa e atilada. Os defeitos e abusos são como inerentes às melhores instituições humanas, e a que tiver menos, tem sobejo direito não para os justificar, mas para exigir que não sejam punidos severamente, quando outros maiores se disfarçam e ficam impunes. Que defeito de argumentação ou de raciocínio cometemos nós, quando protestamos que ElRei D. João III nos livrou desse 24 de Agosto, dia que tão fatal há sido para os Reinos da Europa, e que se ele não instituíra o Tribunal do S. Ofício teríamos chorado antes de 4 de Agosto (e o Agosto sempre em campo!!) de 1578 alguma catástrofe talvez maior que a perda de África? O dia 24 de Agosto pelo computo encarecido dos inimigos da Fé custou à França sessenta mil homens cobardemente assassinados, e pelo computo mais razoável só vinte mil; e daqui se vê que a Inquisição a matar em setenta e nove anos, ou desde a sua instituição (variam estes cálculos na boca dos vários preopinantes; veja-se o lugar citado), apenas chegou a uma vigésima parte, ou sexagésima, dos que foram trucidados na França em um só dia! E onde iria eu parar se quisesse trazer a este paralelo o sem número de vítimas sacrificadas por iguais motivos em toda a Alemanha, e na Inglaterra? A Maçonaria, que se diz humana e filantrópica, deseja-nos este mimo só para se livrar da Inquisição, e bem parvos seríamos nós se caíssemos nesses laços já podres, que somente chegam a apanhar avesinhas incautas e desprevenidas.

(a continuar)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXXXIII

NA SERRA ALTA - PAIS, SUPERIORES, REINO


"... então um mau filho: ignorar, abandonar, "demitir" do sagrado posto de pais apenas porque estes ficaram enfermados de doença semicontagiosa... coisa aberrante! Aos legítimos superiores o mesmo fez. Escolheu outros "pais", dizendo que um órfão tem tal direito e que S. Tomás não o negaria, mas  "esquecendo-se" que não era realmente órfão. À Pátria, essencialmente monárquica, o mesmo fez."
(na serra alta - J. Antunes)

NA SERRA ALTA - INVERSÃO DO BOM SOLDADO


"Porque ela, de tanto se acreditar na posição de defensora do bem, gradualmente passou a acreditar como mal tudo aquilo que lhe desagradasse; havia começado bem, naquele tempo em que o agrado e desagrado lhes coincidiam com bem e mal, e desejava que o seu sentir se adequasse sempre à verdade. Sabe-se lá como...  foi deixando de ordenar-se assim, e começou a fazer depender as coisas em seu redor e ordená-las a si mesma!"
(na serra alta - J. Antunes)

BEATO NUNO, O SANTO CONDESTÁVEL DE PORTUGAL

Nuno de Santa Maria, já como ingressado na Ordem do Carmo
Por motivo do aniversário da Batalha de Aljubarrota (14 de Agosto), publicamos algo sobre o seu grande e santo herói português:

"De uma forma ou de outra, continua a rezar as Horas e a confessar-se, a fazer jejum todos os sábados e vésperas de Festas de Nossa Senhora. Caso da Batalha de Aljubarrota, acontecida na véspera da Senhora da Assunção. Antes e depois dos combates reza diante da sua bandeira: uma cruz vermelha ladeada por Cristo, pela Virgem, e por dois santos de guerra: S. Jorge e S. Tiago.


Acredita profundamente estar do lado de Deus, e Deus com ele, nada poderá temer. Pôs-se de joelhos entre umas pedras a rezar, como era seu costume. Estando assim rezando, porque as pedras e as setas que vinha pela parte dos castelhanos eram muitas, toda a sua gente lhe bradava que fizesse andar pela frente a sua bandeira e que não os deixasse morrer assim. Inexplicavelmente sereno, o Condestável pede que o deixem terminar. Depois, ergue-se, e corre para a frente de batalha. Após dois dias de combate sai vencedor, mais uma vez."

D. João I de Castela rende-se a D. João I de Portugal na Batalha de Aljubarrota
Terminada a guerra, D. João I recompensa o Condestável com títulos e bens, que fazem dele um dos homens mais ricos da Europa. Ao 27 anos, poderia viver uma vida fabulosamente confortável. Porém, tinha outros planos... Deus parecia ter para ele outros planos. Passado um ano fica viúvo, e nunca volta a casar. Manda levantar 7 templos, 6 deles em homenagem a Santa Maria a quem atribui o mérito das suas vitórias militares.

O Santo Condestável de Portugal vence todas as tentativas do ataque castelhano, em várias batalhas
Em 1414 recebe novo golpe, o mais duro de todos: Beatriz, sua única filha, morre ao tentar dar à luz. O mundo terreno diz-lhe cada vez menos. No ano seguinte, Portugal entra numa nova era: a da expansão portuguesa e dos descobrimentos.


Os Infantes D. Pedro, D. Duarte, e D. Henrique, lideram a armada que parte com a missão de tomar a cidade de Ceuta [conquista de África aos muçulmanos]. E D. Nuno, apesar dos 55 anos de idade, parte com eles."

Conquista de Ceuta (África), aos muçulmanos.
No verão de 1422, vai devolver ao mundo tudo o que o mundo lhe deu. Deixa tudo aos netos, companheiros de armas, ordens religiosas, e desventurados. O homem mais rico do Reino faz-se pobre, terrivelmente pobre. Por fim, quando nada mais já lhe resta senão ele próprio, até de si abdica. Entra para o convento do Carmo (Lisboa), com o nome de Nuno de Santa Maria.

Convento do Carmo
Quando se recolheu ao Mosteiro do Carmo, por ele mesmo fundado, não quis entrar como dignatário, e apenas conservou o indispensável para se abrigar do frio. O poderoso Condestável escolhe ser um simples donato, aquele a quem cabem as mais humildes tarefas da vida monacal: varrer, limpar, lavar. Vive os seus últimos 9 anos de vida na solidão do convento, numa cela onde não quis mais que uma imagem de Cristo crucificado. Sai apenas para servir sopa aos pobres, ou percorrer as ruas, descalço, mendigando, ou amparando os aflitos. O homem que tudo teve, e a tudo renunciou, que trocou a Côrte pela companhia dos chagados e dos leprosos, morreu numa manhã de 1431. A sepultura no Convento do Carmo, foi destino de romarias, e a sua terra levada por gente em busca de cura para todos os males. O terremoto que arrasou Lisboa a 1 de Novembro de 1755 deixou feridas profundas no convento e destruiu a campa. A pedra tumular perdeu-se no tempo, mas o epitáfio, no entanto, era uma poderosa profecia no futuro:
"Aqui repousa aquele Nuno, Condestável, fundador da Casa de Bragança, General exímio, depois longe bem-aventurado, o qual sendo vivo desejou tanto o Reino do Céu que mereceu depois de morto viveu eternamente na companhia dos Santos."
Para Salazar, as comemorações dos 800 anos de Portugal, e 300 da restauração da independência, deveriam culminar na grande festa da canonização do Condestável. Mas o Papa Pio XII rejeita: não viesse alguém confundir assuntos de Deus com exaltações nacionalistas.

reconstrução do túmulo do Santo Condestável
Há quem mostre a razão para tal: Nuno Alvares Pereira não podia ser canonizado por negativa influência dos espanhóis. A influência da Igreja de língua espanhola, a maior do mundo, não podia ser ignorada, mas isto não impedia Salazar, nem o Cardeal Patriarca Manuel Cerejeira de avançar simbolicamente: levantam a igreja do Santo Condestável, mandam trasladar as relíquias, e fazem uma festa à qual comparecem milhares de pessoas. Essa devoção dos fiéis, então como hoje, não tinha segundas intenções, era e é real: canonizado ou não, algo em Nuno Alvares atraia multidões através dos séculos." (by RTP2)

Réplica da espada do Santo Condestável de Portugal. A espada contem gravada uma Cruz em estrela, a inscrição "Excelsus super omnes gentes Dominicus", dou outro lado "Maria", dentro de um círculo o nome "Dom Nuno Álvaro", uma Cruz entrelaçada de flores. Os rasgos no meio da lâmina tornam a espada mais rápida, e possibilitam quebrar a espada do adversário num golpe hábil.
Em documentos antigos, diz-se que certo dia, um nobre espanhol, amigo, visitou o Irmão Nuno de Santa Maria, já muito velho e encostado, e comentou como tinha trocado a armadura da guerra pelo hábito. Nisto, o santo ancião desvia o hábito deixando ver por baixo a cota de malha.

Enfim... exemplo de Cavaleiro, exemplo para os nobres, exemplo para os monges, exemplo para os casados, exemplo para os ricos, consolação para os pobres. Um homem que atravessou a sociedade, e a história.

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