22/02/17

NOTÍCIA - ENGRAÇADA COINCIDÊNCIA PIRATÓLAS

 
Em menos de uma semana os actuais colaboradores do blog ASCENDENS receberam ataques às contas de e-mail  e Facebook. É coincidência!? Ai pois sim, coincide, lá isso coincide.

Pe. JOSÉ MARIA LOPES NOGUEIRA - UM RESISTENTE

Este artigo ficará em aberto e será actualizado na medida em que formos obtendo mais dados biográficos do Pe. José Maria Lopes Nogueira, natural de Valverde (Fundão - Portugal), o qual foi atento doutrinador da Fé e perseguido pelas ostes republicanas.
 
1 - Fuga à República: Logo depois da imposição da república em Portugal, o Pe. José Maria escondeu-se numa pequena gruta subterrânea, conhecida por Fonte dos Leitões (já fora da Aldeia de João Pires). Como Paiva Couceiro no Norte havia proclamado a restauração da monarquia, assim o Pe. José Maria Lopes Nogueira a tinha proclamado em seus domínios paroquiais. Este feito foi de tal forma festejado pela população que as milícias republicanas deram conta, deslocaram-se estase em força, desde Penamacor para colocar a população sob ameaça e prender-lhes o Pároco. O Pe. Lopes Nogueira refugiou-se em Monsanto (no meio de muita peripécia), depois em Espanha, finalmente foi para o Brasil. Em 1926 estava já em Portugal como Pároco de suas paróquias. Morreu e foi enterrado no Cemitério da Aldeia de João Pires, "e a sua memória é venerada".

(vídeo: Aldeia de João Pires)

 
3 - Doutrinação: Nas paróquias deixou memória de ter sido insistente na doutrinação de todos, e segundo o Catecismo de S. Pio X, segundo consta.
 
4 - Família: a) Seu pai Eduardo Lopes Nogueira dedicou-se ao ensino gratuito de moços [há notícia de ter ensinado em Donas no Fundão, e ter catapultado a formação de José Leonardo Venâncio Saraiva], articulista no jornal regional "A Gardunha" [?], proprietário de terras e casas por herança, costela brasonada, irmão ou sobrinho de um Prior de Santa Cruz de Coimbra. b) Tinha uma irmã, Maria da Piedade Lopes Nogueira que casou, teve quatro filhos e duas filhas.
 
5 - Música: tinha qualidades musicais e sabia tocar vários instrumentos (na privacidade tocava principalmente o violino e a flauta); o que leva a supor que tenha tido contacto com estes instrumentos em sua casa, antes da formação sacerdotal.
 
(a actualizar)

BARBÁRIE COMUNISTA (V)

(continuação da IV parte)



(a continuar)

ASCENDENS - NOVO BLOG QUE AÍ VEM

 
Caros leitores,
 
alegremente noticiamos mais um blog amigo. "Novo blog?", perguntais. Não, e sim: trata-se de uma página de redes sociais criada em janeiro de 2013 que agora toma o formato de blog. "Qual o nome?", questionais. Ainda não há certeza, pois a autora poderá não manter o mesmo nome, e tudo está em fase de transição. "É um blog português?", indagais. Arrisco a dizer-vos que se o novo blog falasse diria: "sou um blog bom brasileiro, e por isso não deixo de ser bom português".
 
Em princípio, o novo blog abrirá ainda em Fevereiro.
 
Além de continuar a linha que sempre teve como página de rede social, o novo blog fará também a divulgação do conteúdo da secção "Santinhos" do blog ASCENDENS (esta secção faz anos que não está acessível à consulta pública).
 
Em breve haverá mais notícias.

Pedro Oliveira.

CONTRA-MINA Nº 21: O Clero Constitucional de França (II)

(continuação do I parte)
 
Pondo agora de parte os casos lastimosos, e terríveis, já de um Fauché intruso de Calvados, desatinado pregador da Lei agrária, e até da indiferença em matérias de Religião, e blasfemo transtornador das Sagradas Letras; já de um Expilli intruso de Finisterae, sagrado pelo Bispo de Autun, sem licença do Ordinário, sem instituição Canónica, sem confissão, ou protestação de Fé, sem os juramentos do estilo, etc., etc., que foi o primeiro Pároco, que desertando de sua Ordem, passou a unir-se com o Braço Popular nos Estados Gerais, e depois de milhares mesmo, que tinham poste sobre as nuvens o seu raro Patriotismo, teve de sofrer a mesma pena; já de um Saives intruso de Poitiers, servido de morte súbita em o próprio acto de subscrever um interdito contra os Sacerdotes fiéis à voz de suas consciências; já de uma Jales, Pároco no Poitou, que fora dos mais ardentes Procuradores da observância da Constituição Civil do Clero, e que morreu de repente, e de um modo pavoroso; já de um Manjard, Paroco de Barajols, um dos que primeiro juraram aquela Jansenística, herética, cismática, e detestável Constituição, e que se deitou em Paris de uma janela abaixo; já de outros muitos, que por brevidade omitiu, demorar-me-hei um pouco, segundo as minhas promessas, com um dos mais façanhosos Bispos Constitucionais, a saber, Mr. Torné, que tinha adquirido seu nome em a República Literária, como se pode ver no Curso de Literatura de Mr. de la Harpe, e de que facilmente podem julgar muitos, dos que têm lido, e pode ser que aproveitado as suas Orações Sagradas, que se encontram em todas as Livrarias deste Reino. Deixarei falar a este propósito o já citado Bispo de Troyes, que é sem controvérsia um dos mais eloquentes Oradores deste Século XIX:
Já que nos ocupamos (diz ele) em remexer o lodo da Igreja Constitucional, digamos uma palavra a respeito de Pedro Torné, Bispo Constitucional, e chamado da parte de Camus (Letrado Jansenista, que fez a Constituição do Clero), Metropolita do Centro, a quem acharam morto na cama há poucos meses. De todos os fenómenos de perversidade, que nos oferece a Revolução, Torné é um dos mais incompreensíveis. Viu-se um homem, que fôra bem criado, fazer-se um tigre; e viu-se igualmente um Sacerdote, que vivera largo tempo em uma Congregação acreditada, arrastar-se vilmente por todas as cloacas do Sans-cultotismo; e um homem, que anunciará o Evangelho com tanta dignidade, fazer-se o pregador de assassínios, e do Ateísmo; um velho quase octogenário prostituir-se aos mais vergonhosos extremos de devassidão; e já com os pés na cova fazer grandes crimes em ar de brincadeira. Desde que apareceu a Constituição Civil, tão pouco se persuadiu, de que ela havia de regenerar a Igreja, que se aprontou logo para a defender, como que achava nela mais um meio para sinalar a sua impiedade, até aí reprimida pelo receio, e pejo. Casou muitos Sacerdotes, e ordenou de Sacerdotes muitos homens casados. Foi o primeiro, que na Assembleia Legislativa despiu o Traje Sacerdotal, e que à imitação de Caifás rasgou os vestidos, que não merecia trajar; foi o mais empenhado na profanação dos Templos, o mais desenvolto em abjurar o Sacerdócio, o mais ardente em perseguir os Sacerdotes, querendo ao mesmos servir-lhes de carcereiro, quando não podia exercer para com eles o mister de carrasco. É para confundir, e humilhar a vista de tal abatimento da natureza humana, e a certeza de que estamos todos sujeitos a cair em tão deplorável estado. É todavia necessário, que tudo isto se descubra para ensaio das idades futuras; é necessário, que se diga, para que o seu nome exarado no pelourinho da infâmia seja execrado, assim como a sua memória, até à mais remota posteridade. Debalde quererão objectar-nos a glória da Igreja, e o decoro da Religião... Que podem fazer contra a glória da Igreja as abominações de um homem, que tinha deixado a Igreja? Que perigo pode ter o decoro da Religião, se contarmos o opróbrio de um Sacrílego, que pôs de parte a Religião, ao passo que também se punha de parte a si mesmo? Ah! Só a Filosofia é que periga nestes lances, pois este miserável era Filósofo, e por isso é que saiu assim; que nem ele seria tão abominável, se nunca tivesse jurado as Bandeiras da Razão; e por certo, que nunca se abalançaria a tão horrendos excessos, se a Moral dominante, e os princípios monstruosos da Filantropia da moda, o não tivessem contaminado, e estragado. Prodígio de maldade, Pedro Torné foi também um prodígio assombroso da vingança Celestial. E quem deixará de conhecer, nesse género de morte, a Mão de Deus, que por efeitos de um juízo terrível não lhe deu tempo de cair em si? Muitas vezes se há de tornado, que os principais autores da Revolução na Ordem Política morreram desgraçadamente quase todos, e outro tanto se pode afirmar dos que figuram especialmente na História do Cisma... Ainda há certamente alguns Constitucionais mui criminosos, e que o Senhor ainda não castigou... mas tremam! O raio, que não cai hoje, pode estalar amanhã... tremerão, ou para melhor dizer, cheguem a cair em si, e a meditar seriamente na desgraça, que os espera, caso não se aproveitem de tão grandes, e terríveis exemplos."
Aqui têm os meus Leitores o belo ideal de uma Igreja construída, e governada pelos Jansenistas, e Pedreiros.  Da rebelião contra o Sumo Pontífice nasceu o desprezo das Leis mais santas, e respeitáveis, e das mais acertadas Providências do Chefe, e Pastor Supremo da Igreja Católica. O Jansenismo, que tinha ensinado, que a Bula Unigenitus não tinha força de Lei, que obrigasse as consciências dos fiéis, iludido facilmente os sábios, e fortíssimos Decretos do Santo Padre Pio VI, que proscrevera solenemente, como obra do engano e das trevas, a Constituição Civil do Clero Francês; o Jansenismo, digo, precipitou a Nação Francesa em todos os horrores da Anarquia Civil, e Eclesiástica; os Jansenistas  são campeões de toda a inovação Política, e Religiosa, nem eles vieram ao mundo para outra coisa; e possuídos de um orgulho próprio de Satanás cuidam, que só eles têm juízo, que só eles sabem revolver os Anais da História do Cristianismo; e tão ansiosos, como os seus bons camaradas, os Pedreiros Livres, acastelaram-se na mesma Praça, buscaram iguais meios para a sua defesa; e assim como estes disseram em Portugal por mais de trinta anos, que não havia Pedreiros, e que este nome era um espantalho para meter medo às crenças, assim também nada há mais vulgar neste Reino (e eu já o tenho ouvido a conspícuos, e abalizados Mestres) com o dizer-se, que os Jansenismo é um mero fantasma sonhado pelos Jesuítas... Sentido com os tais heróis... Nem um só desses Bispos, e Sacerdotes, até agora mencionados, deixou de ser a princípio Jansenista, que este é sempre o vestíbulo do alcáçar, ou masmorra da impiedade... Que tremendas explosões de Jansenismo foram vistas no Salão das NECESSIDADES!!... Quantos Impressos correram, e se divulgaram por Autores Jansenistas contra a Soberania Eclesiástica do Vig+ario de Jesus Cristo! Já se deitavam os alicerces de uma Igreja Constitucional Francesa, e que fosse o seu melhor, e mais fiel retrato... Não houve descuido em favorecer os impugnadores do Celibato Eclesiástico, que até saíram do próprio seio das chamadas Constituintes!! Um simples Bacharel Repetente Coimbrão ousou publicar em 1822, e nos prelos da Universidade, uma célebre Memória contra o Celibato Eclesiástico, oferecida a um Bispo da Igreja Lusitana, e que pela mairo parte não era outra coisa mais, que uma quase servil cópia da Obra Francesa de Mr. Gaudin (Les inconveniens du Pelibat des Pretres). Acrescentou-lhe porém várias espécies, como, por exemplo, uma larga passagem do seu Gmeiner contra aquele Celibato, e outras que tais galantarias por extremo curiosas, e agradáveis aos que ainda hoje guardam em caixa de cedro, e o que ainda é mais, em seu próprio coração os sofismas, e embustes do sobredito, e nunca censurado Livrinho... Chamo-lhe nunca censurado, porque me não consta, que um tão desmedido arrojo fizesse dar um grito às sentinelas da Fé... O caso é que a edição gastou-se, a ponto de que me foi necessário suar, e trabalhar muito para haver à mão este documento irrefragável da íntima aliança dos Constitucionais Franceses, e Portugueses. Tenho para mim que um só Pároco amancebado causa mais graves danos à Igreja Lusitana, do que uma loja inteira, e bem recheada de Pedreiros; e sabendo como sei, que o sobredito Livro, ou Memória é uma espécie de broquel para muitos, que chamam verdade a tudo quanto possa lisonjear as suas paixões, lembro-me de contra-minar os principais fundamentos, em que se estribou aquele estouvado reformador; e apareceram juntamente com eles os Bemvindos, e os façanhosos Medrões, para reforçarem a prova, de que o silenciamento do Clero, e a destruição do Catolicismo são os fins principais, a que se endereçam as fadigas Literárias destes adeptos do Maçonismo, ou do Jansenismo.

Não me foge, que vou incorrer na mais agra, e mais violenta indignação, até dos próprios, que se alcunham defensores do Trono Português... Já estou ameaçado de gravíssimas perdas, e danos... Assim mesmo hei de expor-me de bom grado às incertezas de uma Campanha, em que um silêncio forçado poderá ser o menor castigo da minha temerária ousadia... Desenganem-se por uma vez os Zoilos emissários do grande Oriente de Lisboa, que ainda está em sessão permanente, e que ainda influe pelo menos indirectamente nos destinos de Portugal... Já consegui a maior felicidade, que podia ter neste mundo... Conservo a própria mortalha, de que me vesti na Profissão Religiosa, e com ela desejo, e espero descer à sepultura...

Colégio do Espírito Santo em Coimbra 7 de Maio de 1831

Fr. Fortunato de S. Boaventura

"A VERDADE" - XXIV - Religião Não é Política

A VERDADE
ou
PENSAMENTOS FILOSÓFICOS
sobre os objectos mais importantes
Á RELIGIÃO, e ao ESTADO
 
por
Pe. José Agostinho de Macedo
 
LISBOA
Na Imprensa Régia
Ano 1814
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D. João III - e o seu Patrono S. João Baptista
 
XXIV
 
Se a Religião Fosse um Invento da Política, Como Querem os Enciclopedistas, Ainda Nesta Hipótese Seriam Inimigos da Sociedade
 
Diderot (Se é o Autor do Sistema da Natureza) deriva toda a moral, e toda a Religião de um projecto de Política. Neste famoso livro os homens são definidos Entes infelizes, ignorantes, e avezados a tremer, amoldados ao génio, e caracter das Divindades; e que por uma louca credulidade recebem, e acreditam aquelas, que o Fanatismo, e a Impostura lhe anunciam. Com estas expressões quer dar a entender, que a Religião é uma quimera. À vista disto é preciso degradar todo o género humano; porque só se pode dizer, que aceita a Religião por ignorância, e por fraqueza. Isto é o mesmo que dizer, que o Autor do Sistema da Natureza só teve luzes, e talentos, e que estes faltaram a toda a espécie humana, e que ele só sabe mais que todas as Nações do Mundo: eu poderia fazer este Dilema: "Ou Diderot só conhece a verdade, e todos os homens existam no erro: ou se todos os homens, com igual sentimento, não se podiam enganar, então só Diderot se engana". No mesmo livro aprendem os Filosofnates, que a Religião em algum sentido se deve chamar necessária. Em uma sociedade civilizada, e estabelecida, se multiplicam sempre as necessidades, e se opõem entre si os interesses: neste caso são os homens obrigados a recorrer a governos, a leis e a cultos públicos, e sistemas de Religião, unicamente para manter a concórdia: eis aqui o meio porque a moral, e a política se acham unidas à Religião. Eis aqui como do mesmo centro do erro transluz algumas vezes a verdade. Do mesmo Sistema da Natureza se colige, que para a concórdia da sociedade é necessário um culto público, um sistema uniforme de Religião. Serão pois inimigos da concórdia da sociedade todos aqueles, que tolerando-a não admitem um exercício público, abolindo aquele sistema uniforme, que tanto interessa à união dos espíritos, e à unidade do princípio, de que depende a concórdia da sociedade humana. Se eu admito esta doutrina, ainda tiro outra consequência em favor da Religião. Se a voz da necessidade pública, o concerto dos interesses particulares em uma sociedade, existem uma Religião com um recurso, de que os homens lancem mão para sua tranquilidade, e segurança, deste princípio concluo, que o império da natureza humana quer uma Religião, e que a Religião é indispensável, porque se descobre fundada sobre os mesmos interesses do homem. Assim como o homem não pode despojar-se do sentimento de suas necessidades, assim também não se pode alienar do homem o sentimento da Religião. Logo, uma sociedade sem Religião não pode subsistir. A consequência é clara; e é igualmente claro, que quem é inimigo da Religião é oposto, e contrário ao bem do homem, e é inimigo dos interesses da sociedade. O espírito, ou intenção desta Religião vem a ser: Que o homem se persuada, e creia, que existe debaixo do domínio de um Deus; que ande sempre em sua presença; que o julgue testemunha, e Juiz de suas próprias acções. É de intenção desta Religião, que se obedeça às Potestades terrenas como se obedece a Deus; e que se obedeça, não com hipocrisia por temor, mas como filho por consequência. É da intenção desta Religião que todos prestem a seus semelhantes quanto se lhes deve, honra, socorro, e benevolência; que se tema a Deus; que se tema o Rei; que se honre a Deus; e que se honrem os Reinantes.

21/02/17

21 de FEVEREIRO - AGIOLÓGIO LUSITANO (II)

(continuação da I parte)
 
b) No Convento Dominicano de Sta. Catarina de Sena de Placência, cidade em Castela a velha, o trânsito de Fr. Fernando de Braga, varão exemplar, e amador da virtude, em que resplandeceu grande pureza de vida, junta com tão abraçado zêlo da perfeição religiosa, quem desejou notavelmente a reforma de sua Ordem, a qual Deus lhe mostrou, pois o viu em sua vida restituída ao primeiro fervor em que o Patriarca S. Domingos a instituiu. E para este fim moveu Deus a ElRei D. Fernando o Católico, porque (como diz Salomão) o coração do Rei está nas suas mãos, a que tratasse da reformação da dita Ordem em Castela, para o que mandou pedir a este Reino religioso de prudência, e virtude aprovada, idóneos para tão grave negócio. Para ele foram nomeados seis, e o principal o Pe. Fr. João Diaz, e por seu companheiro Fr. Fernando, pela grande opinião, que se tinha de seu espírito, e religião. E havendo todos conseguido com muita suavidade o fim para que foram chamados, tornando-se os mais a Portugal, sé ele quis ficar lá no convento de S. Pedro Mártir de Toledo, onde foi Superior, e viveu santamente, velando com grande fervor todos os dias até meia noite em oração na presença do diviníssimo Sacramento do Altar, e guardando tão estreitamente as constituições, que se não foi em graves enfermidades, nunca comeu carne, nem saiu fora, excepto acompanhando a comunidade. E anelando a maior reconhecimento, tendo notícia que a dita casa de Sta. Catarina era retirada, e devota, se foi viver a ela, em companhia de outros servos de Deus, sendo-lhe mui principal motivo estar nela continuamente o Santíssimo Sacramento exposto, cuja divina perfeição, eram todas suas delícias; ali em bem lograda velhice com grande paz rematou a transitória vida.

D. Fernando, Rei consorte de Isabel I de Castela.
- do comentário:
Sendo Vigário Geral da observância Dominicana neste Reino Fr. Pedro Dias, Pregador DelRei D. João II pelos anos 1480 mui conhecido em Castela, onde havia ido por Embaixador sobre as pazes, e casamentos do Príncipe D. Afonso com a filha dos Reis Católicos, os quais vendo a gravidade, prudência, e compostura de tão exemplar Legado trataram de reformar os conventos Dominicanos de toda a Hispânia. Havida licença do M. Geral da Ordem, e do Sumo Pontífice fizeram como que viesse comitiva a Portugal, porque o dito Padre nomeasse um religioso, qual convinha para a comissão de tanta importância; e ele(com maduro conselho) escolheu a Fr. João Dias, confessor DelRei, e da Princesa D. Joana, varão douto, e o que mais é de mui santa vida, e por seus companheiros Fr. João de Aveiro, Fr. Diogo Velho, e o nosso Fr. Fernando de Braga, filho do convento de Benfica, e dois Conversos. Estou o Comissário em Castela, e depois de visitar os conventos de toda ela, fez Capítulo, em que estabeleceu o mais conveniente para a nova reforma daquela Província. Concluindo tudo com grande louvor se tornou a Portugal com seus companheiros, ficando à Fr. Fernando, onde no ano 1490 faleceu de muita idade. Assim o referem com o mais do texto Fr. António de Sena in Chr. Ord. (ad anos 1480 pág.263), Fr. João Lopes na mesma (p.3 l.1 C.90, e p.5 l2 c.33), Fr. Luís de Sousa (p.2 l.2 c.7), D. Rodrigo da Cunha na hist. de Brag. (p.2 c.107 e outros).

(a continuar)

ARMAS DE FOGO PORTUGUESAS


20/02/17

JACINTA MARTO, 97 ANOS DEPOIS

Jacinta Marto
Hoje, a 20 de Fevereiro deste ano (2017), completam-se 97 anos do falecimento da Pastorinha Jacinta Marto, em cujo curto espaço de vida aqui na terra foi exemplo de grande Virtude, e amor a Deus. Ante os pedidos maternais da Senhora do Rosário de Fátima, fez penitência e "orou sem cessar" (cfr. I Tess. V,17), vivendo no século como simples camponesa, a cuidar das ovelhas da família, tendo menos que 10 anos de idade. "...Tinha um porte sempre sério, modesto e amável, que parecia traduzir a presença de Deus em todos os seus actos, próprio de pessoas já avançadas em idade e de grande virtude... Ela era criança só de anos." -- Assim fala a Irmã Lúcia a seu respeito, dando-nos uma imagem que nos impressiona, pois acostumados que estamos com a presença de adultos imaturos, parece-nos utópico pensar que uma criança de 7-8 anos que, com Fé, sobriedade, honradez e constância cumpriu tão dedicadamente aquilo que lhe pedira a Mãe de Deus.

Por isso o blogue ASCENDENS faz iminente memória das mensagens de Nossa Senhora de Fátima, cujo centenário se aproxima, e recorda sob o exemplo prático da pequena Jacinta a que obramos conforme Deus quer: com espírito de penitência, cumprir os nossos deveres do estado em que Deus nos colocou; fazer oração e aprender a doutrina, como ela tanto desejou e fez. E fazer tudo por amor a Deus, nosso fim último. Aqui está um exemplo para a Quaresma que se avizinha.

R. Silva

VOZES DO CENTENÁRIO - Eunice Munhoz

Provavelmente a maior actriz portuguesa na actualidade deu um testemunho-oração.


VOZES DO CENTENÁRIO - Figurantes da Terra

Na selecção de testemunhos na série "Vozes do Centenário" saltei logo o testemunho de Catarina Furtado, por achar que nada de iria dizer de interesse. Mas, voltei atrás, dei uma oportunidade. Catarina Furtado, ateia, acabou por dar um testemunho interessante, recorrendo à memória do tempo em que foi actriz num filme sobre Fátima. Vale a pena:
 

 
 

VOZES DO CENTENÁRIO - António Fil. Pimentel

António Filipe Pimentel tem sido cara e autor de várias e correctas iniciativas no campo do património cultural, e conta a iniciativa do Museu de Arte Antiga (Portugal) com o da Santa Sé a respeito das Imagens de Nossa Senhora.
 

VOZES DO CENTENÁRIO - Adriano Moreira

O Santuário de Fátima, por comemoração do Centenário das Aparições integrou um conjunto de testemunhos dados por várias personalidades da actual sociedade em Portugal.

Fui espreitar, e encontrei este interessante testemunho do DR. Adriano Moreira:
 
(nota: "ou será religioso ou não será", não significa "ou será religioso, ou não".... atenção, leitores)
 
 

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCLXXV

19/02/17

21 de FEVEREIRO - AGIOLÓGIO LUSITANO (I)

Agiológio Lusitano

 
FFEVEREIRO 21

a) Em Monserrate, vive a memória de um santo Ermitão por nome Bento, Português, companheiro que foi na Serra de Ossa do servo de Deus Mendo Gomes, naquela ainda agora é conhecida a cova, em que habitava, que se chama de seu nome. Este desejoso de mais perfeição deixou a pátria, buscando maior rigor, e solidão, e se foi a No. Senhora de Monserrate à Catalunha, onde por seus poucos anos não foi admitido, porque a vida Anacoreta requer inclinação natural, madura idade, robustas forças, e firmes propósitos de perseverar em tão sublime estado, coisa que poucas vezes se acham juntas em mancebos. Mas como os desejos que a Bento acompanhavam da vida solitária, e contemplativa eram intensos, sabendo que junto de Manresa viviam certos Eremitas separados do tráfego mundano, determinou passar com eles a vida, como fez, perseverando alguns anos em tão santa companhia, até que a devoção da Rainha dos Anjos, e trouxe a Monserrate, onde admitido, lhe deram o hábito de Eremita, e aprovado já nos rigores, e asperezas do deserto, se lhe concedeu a ermida de Sta. Cruz, em que santamente viveu sessenta e seis ano, exercitando-se em altíssimas contemplações, ilustradas de favores celestiais, como que o Senhor o animava, e consolava. Com estas, e outras muitas virtudes, que grandemente acreditavam sua vida, chegando a tão decrépita idade, que andava já recurvado sobre a terra, à qual com grande alegria restituiu o antigo depósito, subindo sua pura alma ao etéreo trono da bem-aventurança.

- do comentário:
A montanha de Monserrate famosa pelo soberano tesouro, que entre seus incultos penhascos encerra a sagrada Imagem a que deu nome, tem seu assento no coração do Principado de Castela, sete léguas ao Meio-dia de Barcelona, ficando-lhe ao Levante 25 os Pireneus, de cujas fraldas nasce o rio Lobregat, que abrindo caminho a suas correntes por entre serras, e montes, com infinitas voltas, que lhe fazem torcer o curso até beijar os pés desta célebre montanha. Nela (demais do convento em que se conserva a milagrosa Imagem da Rainha dos Anjos, assistida, e servida de religiosos Bentos da Congregação de Valhadolid, que do ano 1493 estão dedicados a seu perpétuo obséquio) há 12 ermidas em solitário, e ásperos lugares, onde fazem vida eremítica outros tantos monges, que com sua admirável penitência, mortificação, e oração estão ao Céu fazendo força. Uma intitulada de Sta. Cruz, ficava antigamente mais próxima ao convento, encostada a uma penha, da qual se subia com grande risco às mais por certos degraus (obra da natureza). Nesta viveu 67 anos um Eremita, como consta dos seguintes versos, que nela se conservam, entalhados em pedra, o qual nós logo provermos foi o nosso Bento, de que tratámos no texto:
 
Occidit hac sacra frater Benedictus in aede,
Inclytus, et fama, et religione sacer,
Hic sexaginta, et septem castissimus anos
Vixit, in his saxis te Deus alme precans.
Usque senex senio mansit curuatus, et annis
Corpus humoretulit, venerat unde prius.
Ast anima exultans, clarum repetiuit Olympum,
Nunc sedet in summo glorificata throno.
 
O Pe. António de Yepes na Chr. de S. Bento (p.4, ano 888 c.2) escrevendo sumariamente a vida deste santo Ermita diz que foi natural de Aragão, e que em moço havia servido de escolar a V. Senhora no dito mosteiro. E posto que este autor com seus escritos tem adquirido tanta autoridade, que parecerá temeridade impugná-lo, nós o faremos com bastantes fundamentos, pois publicámos neste lugar o dito Ermita por Português; deixando ao prudente, e desapaixonado leitor o juízo, e eleição da melhor destas duas opiniões.
O nosso Gaspar Barreiros na Chronographia refere que fez sua jornada no ano 1546 e que na ermida de Sta. Cruz achara escrito os ditos versos, de que constava que vivera nela o Ermita Bento 67 anos. Na qual morava havia 39 outro chamado Pedro: de modo que juntos estes 39 aos 67 de Bento, fazem número de 106 anos, quando entre este, e aquele, não houvesse vivido outro nenhum, o que não parece possível, como abaixo diremos. Assim que abatendo estes 106 dos 1546 da jornada de Barreiros restam 1440 que para o tempo que a reforma de S. Bento ali entrou faltam 53 anos, pois conforme ao mesmo Yepes, e à hist. Monserrat, foi no ano 1493, de maneira que sendo a entrância [entrada] de Bento 53 anos antes da reforma, mal podia ser seu escolar, e antes dela nem havia naquele sítio escolares, como ele mesmo afirma no lugar alegado.
Confirma-se esta nossa opinião do Itinerário que o Conde de Ourém D. Afonso fez ao Concílio de Basileia no ano 1435 (que m. s. se conserva no cartório da casa de Bragança) no qual se refere, que estando ele em Monserrate, na ermida próxima ao Castelo, achara nela um Ermitão Português, que vivia ali havia 20 anos, que disse ao Conde, que fôra companheiro de Mendo Gomes de Seabra neste Reino, pelo que segundo isto foi sua entrada no ano 1415 o que concorda com escrituras da Torre do Tombo, e do convento da Serra de Ossa, de que consta, que Bento viveu em companhia de Mendo Gomes no ano 1390 até ao de 1410 onde ainda persevera nela a cova, em que morava (detrás do outeiro, que do mosteiro aparece ao longo de um pequeno ribeiro, que por ali passa) com o nome de cova de Bento.  E do dito ano de 1410 por diante faltam neste Reino as memórias dele; tempo em que se devia ir desejoso de maior perfeição; porventura monido da notícia da virtude (que a fama publicava) dos Eremitas de Monserrate, por cujo respeito ficando cá seu nome célebre, não temos nenhuma notícia de sua morte, o que (de boa razão) houvera de ser se ele falecera neste Reino. Assim que juntos aos 1415 da entrância, os 67 que lá viveu, fazem 1482 em que faleceu, onze anos antes da reforma, e 25 da entrada de Frei Pedro. Pelo que julgamos, que entre Bento, e Pedro, houve algum outro Eremita nestes 25 anos intermédios, que morasse na dita cela, que não é de crer, que ficando ela acreditada com a fama de tão santo varão, estivesse tantos anos de vazio. E no século antecedente à reforma o mesmo Yepes confessa que viviam na dita montanha Ermitas Italianos, os quais deviam esculpir na ermida os versos, que achou Barreiros, e ele relata. E sendo hoje o Castelo a ermida de S. Dimas próxima à de Sta. Cruz, como o mesmo autor confessa, e a hist. de Monserrate (c.5) se convence eficazmente que o sobredito Ermita de Monserrate foi o nosso Bento Português, por concorrerem nele todas as razões de conveniência, e computo, pois conforma no nome, na ermida em que morou, no tempo em que lá viveu, e faltou deste Reino, e finalmente em ser companheiro de Mendo Gomes: pelo que não é este o Bento, natural de Aragão, escolar, como mal informado disse Yepes. E desta também fundada opinião é Manuel Severim de Faria Chantre da Sé de Évora, insigne antiquário deste Reino, e singular ornamento do século presente.

(continuação, II parte)

NA SERRA ALTA - A Abdicação!

 
"Olhando agora o Pontificado de Francisco devemos considerar o momento da abdicação de Bento XVI assente no argumento da incapacidade. Algo passou!"
(na serra alta - J. Antunes)

GREGORIANO - Intróito: EXSURGE - Domingo da Sexagésima

"Exsurge, quare obdormis, Domine"
(Iº Modo), intróito do Domingo da Sexagésima
 

18/02/17

"A VERDADE" - XXXII - Culto, e Imutabilidade

A VERDADE
ou
PENSAMENTOS FILOSÓFICOS
sobre os objectos mais importantes
Á RELIGIÃO, e ao ESTADO
 
por
Pe. José Agostinho de Macedo
 
LISBOA
Na Imprensa Régia
Ano 1814
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XXXII
 
Há um Culto Revelado Que Tem em Si os Sinais de Uma Constante Imutabilidade
 
O povo, que nós conhecemos depositário da Revelação, e que pode mostrar seu culto imediatamente revelado por Deus transmitido sempre com fidelidade a seus descendentes os dogmas, e os ritos, que tinha aprendido de Deus. Os cultos das outras nações traziam em si o carácter, ou selo dos vícios, e das paixões nacionais. A impostura ou a Política acomodava os actos da Religião ao vício do país, à natureza do clima, e às circunstâncias dos governos. mas o rito dos antigos Patriarcas era superior a todos os respeitos humanos. Fosse qual fosse a maneira do governo do povo Hebreu, ou vivesse pacífico na Palestina, ou escravo no Egipto, ou em Babilónia, sempre contrário a seus vícios, sempre contante em todo o tempo entre os desastres, e a corrupção universal, se mantinha invariável em seu culto. Não se alteravam os dogmas; não se variavam os ritos; não se perdiam, nem adulteravam os Códices. Este prodígio de Providência prova, que a sua Religião não era dos homens, mas de Deus. De que presta acusar a Religião de quimeras, e assoalha-la como fonte de contradições, e disparates, tornando-a desprezível ao juiz da razão! Houve muitos, e diversos cultos; mas começaram nos homens, mudaram-se com as circunstâncias, ou já acabaram com a mudança dos Governos.

Santo Sacrifício da Missa - Igreja do Mosteiro de S. Vicente de Fora, Lisboa (Portugal)
Tiveram seu culto os Chins, os Índios, os Egípcios, os Gregos, e os Romanos; e que vestígios nos restam destes cultos? O tempo desmente as invenções dos homens. Houve um só culto, que começou com o primeiro homem, prosseguiu em todos os séculos, e em todas as gerações de um povo, que mostrou haver recebido este culto das mãos do mesmo Deus. Este Culto dado ao Summo Creador do Céu, e da Terra, não faltou jamais; e é este o verdadeiro Culto. Reconhecemos nele a única, e verdadeira Religião, que é a revelada; todo o outro culto é falso; todo o outro dogma é ideal. Nada pode o tempo contra as obras de Deus. As vicissitudes, os desastres, as guerras, a corrupção geral do género humano, não poderão destruir este culto; eis-aqui o sinal de que não procedera de invenção humana, mas que descera imediatamente do seio da Divina Revelação.

17/02/17

"COMO FUNCIONA EL DINERO"


BARBÁRIE COMUNISTA (IV)

(continuação da III parte)














(continuação, IV parte)

3333 - A CONTA QUE DEUS FEZ


Caros leitores,

é sem júbilo e sem pompa que informamos ter ultrapassado as 3333 publicações. Não é muito, nem é pouco, é o "cá se vai fazendo". Que seja por Deus, pela Igreja, e pela Pátria.

Mas... o blog ASCENDENS talvez comece a ficar com os dias contados... Aproveitem enquanto há!

FUNDÃO - Rei da Cova da Beira

(aqui a música anterior)


Do mesmo conjunto de trabalhos esquecidos no meu disco antigo, há aqui ainda três. Entretantoo, descobri mais, mas em colocando os três fica terminada esta série de postagens; calhou fazê-la.
 
Anda por aqui um trabalho dedicado à cidade do Fundão (Portugal); uma brincadeira de iniciativa própria, e que consistia numa sequência de "painéis" musicais descritivos da região do Fundão. No áudio que ouviremos estão dois desses "painéis", o primeiro e o segundo, o terceiro e quarto não sei deles, não me lembro sequer do quarto, e o terceiro contem uma pequena fuga.
 
O que vamos ouvir é a gravação de uma montagem instrumental MIDI, que tinha a finalidade de melhor me aperceber do efeito de conjunto. A composição entre outras coisas é para dois conjuntos instrumentais de cordas, o que dificulta (verão pelas sobreposições). Portanto, quem é compositor lembre-se que isto é um trabalho por concluir, e uma experiência sem compromisso.

Para quem queira imaginar: o primeiro painel descreve na região o "antes do romper da aurora" (os campos daquele grande vale, a serra etc..),  e dá continuidade a uma cena pastoril (há uma lembrança da resistência pastoril no interior ao inimigo, e memória do "hino" regional que tocam os bombos de Silvares, Souto da Casa, Lavacolhos etc...), nos segundos finais rompe a aurora, a qual ao longo do segundo painel já vai dando umas pinceladas. Isto continuaria pelas horas do dia a fora, nos quais desfilariam "imagens" descritivas da região.
 

16/02/17

"DEFEZA DE PORTUGAL" (1831) - Que Pretendem os Pedreiros com a Chegada de D. Pedro à Europa ... (VIII parte b)

D. Pedro "IV"
(continuação da parte a)
 
Eu não tenho a liberdade de perguntar ao Senhor D. Pedro por que título exerce essa Tutoria, porque me responderia que me responderia que me não importe lá com os negócios dele, nem da sua família; mas como esta Tutoria ofende os Portugueses, vou examina-la. Quero consultar Letrado sobre este negócio, e não os acho que estejam de vagar para me responder. Tão poucos são os que têm letras, havendo tantos que têm este título! Foram-se para fora do Reino algumas dúzias dos das dúzias, que poderiam responder-me, pelas muitas letras, que levaram de cá para lá, e pelas que ainda lhes vão para lá, sem embargo de dizerem por ai que seus bens rendem para o Estado; pois bem se entende que eu falho de letras de valer, que são as que valem, e não das letras de saber, que não prestam para coisa alguma; porque esses Letrados, que abalaram do Reino, nunca tiveram letras, senão tratas, que são as com que trapaceiam por toa a parte; de Livros basta-lhes a Carta Constitucional de 1826, que é uma Enciclopédia de todas as Ciências, e o seu Autógrafo de 1822, que é o armazém de todas as ideias: para esses Sábios o Digesto é mais indigesto que o ferro em boca de mosca; se ouvem falar em Pandectas, julgam ser algumas pançadas de comida; e eram esses Letrados Juízes de Fora, Corregedores de dentro, Desembargadores de baixo, e Deputados de cima: assim foi; a ignorância algum tempo administrou justiça. Caiu-me em graça o dito de um Clérigo em Lisboa, queixando-se de uma Sentença, que lhe dera um Tribunal sobre uma pendência bem clara: "O Direito destes Doutores é torto, e duro como ponta de Bode". Ora pois, na falta de Letrados, que me explicassem a dita Tutoria, deito abaixo toda a minha Livraria, que toda ela é um Larraga velho, e roto: mas este Livro foi composto por um Frade, lá perto do campo de batalha dos doze Pares de França, e ali mesmo o compôs de propósito para castigar os Clérigos, que não sabem Latim: essa Livro pois não serve para consultar o caso, porque Tutorias de Frades são mui pesadas aos Constitucionais. Ora eu bem conheço que perdi o sério, que os meus Leitores desejam; mas um pouco de desprezo castiga mais os Revolucionários do que um rabo de bacalhau. Torno pois ao exame, e seja ele feito sobre o estudo comparativo dos dois grandes Códigos, que os Revolucionários prezam mais que tudo. Constituição Política da Monarquia Portuguesa do ano de 1822, Capítulo 5º, Artigo 155: "Durante a menoridade do Sucessor da Coroa" (o Artigo 147 declara que é menor antes de ter dezoito anos completos) será seu Tutor quem o Pai lhe tiver nomeado em Testamento... e deverá ser natural do Reino. A Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa do ano 1826, Capítulo 5º, Artigo 100 copiou a mesma disposição; só não diz de onde o Trono deve ser natural. Ora agora argumento segundo a Lei, porque argumentando aos Revolucionários, hei de argumentar-lhes pelas suas Leis, e pelos seus Livros, porque eles nem querem, nem sabem mais. Todos sabemos que a Senhora D. Maria da Glória é Filha do Senhor D. Pedro, e acreditamos que o Senhor D. Pedro é seu Pai: nem eu tenho goelas de Pato, por onde caibam aquelas caluniosas, e sórdidas expressões, com que ele com os seus Patinhos denegriu uma alta, e virtuosa Maternidade, com o fim de excluir do Trono a todos os seus Filhos, e derrubar a Dinastia mais digna de Reinar em uma vasta Monarquia. Mas o Senhor D. Pedro ainda vive, ainda não fez Testamento; e se o fez, não lhe valo, enquanto não morre; e mesmo ele não pode nomear-se a si mesmo Tutor de seus Filhos. Sei o que a isto se pode responder; mas sei as respostas, que têm todos estes argumentos, e precisões ideais, que não devem vigorecer na Sociedade. Eu vejo que o Senhor D. Pedro se esquece do nome de Pai, para com ele promover as injustas pretensões de sua Filha, ou antes as suas, e toma o nome de Tutor para louvar, e proteger a todos os Revolucionários, que buscam o nome da inocente Menina para introduzirem em Portugal outra Menina criminosa. E como isto vejo, e não percebo, faço um esforço para pôr esta obra das trevas em toda a sua luz. O senhor D. Pedro fez o seu Testamento, dispondo a favor de sua Filha de herança Portuguesa, que não era sua, nem como sua a podia tomar, adir, gozar, manter, e defender, pois se sua fosse, ou a pudesse usurpar, e conservar, de certo não disporia dela pelo seu Testamento, ou Abdicação de 29 de Abril do ano de 1826: feito este Testamento, como nenhum pode ser confirmado senão pela morte do Testador, dá-se o Senhor D. Pedro por morto para Portugal, vivendo lá no outro Mundo, que de certo não nasceu para este; e morto ficou ele para Portugal, desde que não quis viver para ele; dá porém a sua volta de lá, e ele arroja para o Mundo de cá esse desgraçado Príncipe, que também para lá não nascera: esta volta é uma espécie de ressurreição, que faz do Senhor D. Pedro morto o Senhor D. Pedro vivo; e como o dito seu Testamento ficasse confirmado pela dita sua morte, aparecendo vivo na Europa, e não podendo tomar o nome de Pai, que perdera, depois de haver entregue a sua Filha à disposição, protecção, e defensão do ex-Conde de Vila Flor, e mais Sucia, toma o de Tutor por uma dessas tenebrosas ficções da nova Filosofia, que nem a antiga, nem o Direito conheceram. Este é o mais intrincado labirinto, em que se meteu jamais Revolucionário algum. Morre o Senhor D. João VI, e os Revolucionários gritam: "Viva o Senhor D. Pedro IV". Abdica, ou testa o Senhor D. Pedro, e alguns meses despois supondo-se morto por uma ficção descalabrada dos Revolucionários, que jamais sabem o em que hão de parar, enquanto não sobem à forca, eles gritam: "Viva a Senhora D. Maria II". Manda a Regeneração do Brasil ao Senhor D. Pedro à Europa, e agora: Rei não pode ser, porque abdicou; Pai também não, porque se supôs morto para sua Filha, depois que a pôs fora do Brasil, do seu poder, e da sua educação; pois seja Tutor; e com este nome prossigam os Revolucionários a sua empresa de acabar com todos os Reis do Mundo. É verdade que cá gritam uns poucos de Soldados, e Oficiais do Regimento 4º de Infantaria: "Viva o Senhor D. Pedro IV", porém desses não há que fazer caso: não eram eles os que falavam, era o quarto de vinho, com que cada um deles fôra embriagado; mas os incógnitos, que os dirigiam, sabiam o que deviam dizer, que era "Viva o Tutor". Todavia era palavra, que os mesmos incógnitos directores não sabiam naquela hora pronunciar: também eles estavam bêbados; porque posto que a terra deles não produza vinho; depois que vieram a Portugal, e comerceiam em Portugal, não largam o vinho de tarde, nem a água-ardente de manhã: a linguagem dos bêbados é toda uma Ingresia.

15/02/17

"CORDEIRO DE DEUS"

(continuação do "Aleluias")

Mais uma .... depois daquela tal "Aleluia", coloco agora um "Cordeiro de Deus". A este compus e orquestrei lá pelo ano 2004, e destinava-se inicialmente ao coro da Paróquia. Desta vez concentrei-me mais na forma como rezava o "Cordeiro de Deus", por aí fiquei, tanto que a obra se tornou um pouco difícil ao coro amador, e acabei por coloca-la de novo na gaveta. Não é muito cantável...
 
Em definitivo não estamos perante o estilo mais "clássico". Mas sim, a composição reflecte bastante a minha oração no momento do "Agnus Dei".

Dois instrumentos solo; entra um à primeira, o outro à segunda repetição, e por fim os dois em simultâneo, cada um com a melodia que tinha feito.
 
Uma aviso ... prepare-se para a possibilidade de ficar desagradado:
 


(continuação, "Fundão")

15 de FEVEREIRO - AGIOLÓGIO LUSITANO (II)

(continuação da I parte)
 
Igreja do Convento de Sta. Clara, Santarém.
 
e) Em S. Clara de Santarém, passou ao Senhor a Madre Inês de Jesus, de idade de cinquenta anos, religiosa mui abstinte, e penitente, que jejuava sem intermissão todo ano três dias na semana quartas, sestas, e sábados a pão, e água; castigando-se com aspérrimas disciplinas de sangue os outros três dias, com tal rigor, que deixava rociado o chão; servindo-se por leito de uma dura tábua em quase recostava, sem nenhum género de roupa, nem abrigo, com o livro de vita Christi, por cabeceira. Todas estas asperezas saboreava com oração, o maior regalo de sua alma, pois nela o divino esposo a ilustrava com soberanos favores, e revelações. Tinha tão profundo sentimento, e estima da Paixão de Cristo, que continuamente pedia-lhe desse assentir uma das menores dores, que por nosso amor sofreu. O que o Senhor lhe concedeu, pois um ano antes da sua morte lhe nasceu um penoso cancro no peito esquerdo, de que passou gravíssimas dores com estremado sofrimento, as quais cessando por espaço de três dias, em que recebeu os Sacramento, partiu purificada desta vida às mancões soberanas.
 
- do comentário:
A notícia que demos de Sór Inês de Jesus, que faleceu em Sta. Clara de Santarém no ano 1560, alcançamos das relações do dito convento, que se mandaram fazer para a Crónica de Gonzaga, e se conservam no cartório de S. Francisco de Lisboa.
 
 
f) No mosteiro de Jesus de Setúbal da Seráfica Capucha, Sór Joana da Conceição, principal coluna (depois das fundadoras) deste celestial edifício, mui versada, e alumiada nas matérias espirituais, e lição dos santos Padres, e o que é mais na Escritura sagrada; mui caritativa para enfermas, às quais (ilustrada divinamente) aplicava medicinas, com que saravam. Com estes talentos, virtude, e exemplo entabulou, e propagou maravilhosamente os princípios daquela santa casa. No fim da vida para o Senhor a purificar, e lhe dar maior matéria de merecimento, permitiu, que padecesse gravíssimos escrúpulos, e tentações, induzindo-a por vezes o demónio com aparentes razões, que para alcançar de Deus perdão de seus pecados, ou se matasse a facadas, ou se deitasse das varandas abaixo. A estas importunas tentações armada de paciência resistia a bandita religiosa. E com grande resignação convertendo-se àquele amoroso pai (com cujo favor os Santos alcançam do infernal inimigo gloriosas victórias) dizia: Daime Senhor maiores aflições, mandai-me quantos trabalhos quiserdes, padeça este coração, que vos não soube amar, sofra este corpo, que em nada vos serviu, castigai, e mortificai esta vontade, que em vós se não empregou. Com estas, e semelhantes palavras frequentemente repetidas mostrava os subidos quilates da perfeição, a que sua alma tinha chegado, e o recurso que devemos fazer a Deus em todas nossas aflições, e trabalhos. Estando para morrer pediu a Santa Unção de joelhos com muitas lágrimas, e a todas as religiosas perdão, dizendo: Que não merecia viver entre elas, pelas graves ofensas que cometera contra a divina Majestade. E vendo se cada vez mais apertada de escrúpulos se foi ao choro, acompanhada das religiosas que lhe assistiam, e sentindo que se lhe chegava a hora, nele a recebeu com estranha devoção, implorando repetidamente o santíssimo nome de Jesus, e suas sagradas Chagas, aos noventa de idade a levou o Senhor do ergástulo terreno para a pátria celestial.
 
- do comentário:
De Sór Joana da Conceição, filha de João de Lima,. e de D. Briolanja Henriques, que passou desta vida no ano 1609 a relação de Jesus de Setúbal, escrita pela Madre Sór Leonor de S. João, que anda já impressa no livro das memórias da Província dos Algarves.
 
 
g) No convento de Figueiro, Diocese de Coimbra, também de religiosas Franciscanas, o dia último de Sór Catarina do Espírito Santo, tão penitente, que não tinha parte em seu corpo, que não andasse sempre em viva chaga de contínuas, e rigorosas disciplinas, trazendo-o oprimido com perpétuo, e aspérrimo cilício; tão dada à oração, que vacava a ela noites inteiras, sem dar alívio a seus debilitados membros; vencida da necessidade se recostava na sua terra, ou no pavimento da cela, porque até o descanso lhe fosse penoso. Estes rigores, e penitências lhes remitiram na velhice as Preladas por vê-la toda mirrada, e consumida; e que não continuasse o choro, no qual a serva de Deus (como verdadeira obediente) não entrava, mas (como devota religiosa) da porta recitava as horas canónicas; ali tinha o Senhor cuidado de a visitar com soberanos raptos, que lhe duravam muitas horas, e obrigavam a levá-la em braços à cela, onde o comum inimigo trabalhava por desinquietá-la com horrendas visões. Entende-se que foi ilustrada com espírito profético pelas muitas coisas, que antes, e depois e viram cumpridas. Em conclusão chegada a prolongada idade, e maior virtude, acabou felizmente sua jornada com grandes sentimentos das companheiras. Passados alguns anos abrindo-se uma sepultura conjunta à sua, apareceu o corpo inteiro, do qual saiu fragrância celestial.
 
- do comentário:
Foi a ditosa morte de Sór Catarina do Espírito Santo (uma das quatro religiosas insignes em virtude, que deram principio ao mosteiro de N. Senhora da Consolação na vila de Figueiró dos Vinhos, de onde era natural) pelos anos 1611. Da fundação deste convento a 9 de Junho, dia da Madre Ana de Jesus, sua principal fundadora; por hora basta saber que foi sempre mui observante, e o 19 da Província de Portugal. O que da serva de Deus fica referido, anda na fundação m. f. dele, que concorda com relações, que nos comunicou o Pe. Mestre Fr. Manuel da Esperança.
 
 
h) No Japão, o ditoso fim do irmão Mancio, natural de Bungo, da Companhia de Jesus, mui religioso, pio, e devoto, que trabalhou incansavelmente muitos anos na conversão da gentilidade, e propagação da Cristandade naquelas parte com grande zelo da salvação das almas, e edificação dos fiéis com que trouxe copioso número de Gentios à Nossa Santa Fé. Teve urgentes motivos na cruel persecução do tirano Daifu, que o obrigaram a ficar escondido no Japão para animar, e consolar os Cristãos. Onde consumido de trabalhos, combatido de sobressaltos, e afligido de misérias, rematou gloriosamente a vida.
 
- do comentário:
Do irmão Mancio da Companhia de Jesus, que nosso Senhor levou para si no ano 1615 escreveu o Pe. Eusébio Norimbergt na vida do Pe. Marcelo (cap. último, pág. 90), Alegambe in Biblioth. Societ. (pag.567) e o Pe. Cardim in Fasciculo (elog. 15) in catal. (pag.16).
 
 
i) Em Granada, o trânsito de Antão Martinez, Português, que de menino foi mui inclinado à virtude, e sendo moço (por desgostos, que via entre seus pais) passou a Castela; onde oferecendo-se-lhe diversas religiões, em que pudera servir ao Senhor (por sua muita humidade) se contentou com hábito de Converso da hospitalidade de S. João de Deus, que tomou no hospital da dita cidade, na qual serviu muitos anos com grande louvor, exemplo, e caridade, assistindo sempre na cozinha, onde o achavam os doentes, e pobres a toda a hora para lhes acudir a suas necessidades, e por isso nunca saía da casa, mais que Quinta-feira de Indulgências visitar as Igrejas. Vendo os Prelados seus exemplares procedimentos, e virtudes por três vezes lhe quiseram deita o hábito, mas ele (como humilde) o não consentiu, dizendo que não se sentia capaz de responder às obrigações de religioso. Estava tão resignado no divino beneplácito, que movido do espírito, de que anda um cheio, dizia falando com Deus "Senhor bueno es tu cielo, pero mejor es tu voluntad." Sendo pois sua vida adornada de muitas virtudes, penitência, mortificação, humildade, obediência, e de ardente caridade para os próximos, conhecido de todos por Santo, abraçado com um Crucifixo, que trazia ao peito, e com estas afectuosas palavras na boca: "Hijos, com esta prenda os deixo ricos" (o que disse pelo S. Cristo) ano 1630 repousou em paz, com universal sentimento de toda aquela cidade.
 
- do comentário:
O Lumiar, uma légua de Lisboa para o Norte, foi pátria [aprecie-se o uso de "pátria" para neste tempo designar um território mais restrito onde se pertence] de António Martins, seu pai se chamou Martim Alvares, e sua mãe margarida Vicente. No dito lugar se conservam as casas em que nasceu, e no ano de 1643 em que fizemos diligências para nos informarem havia ainda nele homens velhos, que o conheceram. E se nos não constara do livro de Baptismo que lhe foi imposto o nome de António, e que o sobrenome era patronímico, entenderamos que (à imitação daquele santo varão António Martim, companheiro do nosso S. João de Deus) tomara semelhante nome. Depois de seu feliz trânsito, veio a esta cidade, e foi ao Lumiar mandado pela religião o Pe. Fr. João de S. Bernardo, Cordovês, da mesma família, a tirar mui particulares informações, de seus costumes no século, e do que achou, e do mais que se tinha observado em sua religiosa vida, a publicou estampada, aquele por causa da separação deste Reino, nos não chegou até agora às mãos. E o que dele referimos (excepto algumas informações, que à nossa instância averiguou o Prior do Lumiar, que nos remeteu) o mais nos comunicou (por relação firmada de sua mão em 15 de Março de 1645). Fr. Bento Pais, Vigário Provincial da Ordem neste Reino.

BARBÁRIE COMUNISTA (III)

(continuação da II parte)



(continuação, IV parte)

"ALELUIA"

(continuação do "Abri as Portas")

Na sequência daquele "achamento", vem agora uma "Aleluia" engraçada, toda ela composta e orquestrada. Este trabalho foi apenas a resposta a um desafio de um colega: um aleluia para crianças/jovens o qual pudesse ser tocado por estes (na totalidade, ou em maioria) sendo ao mesmo tempo bem composto e agradável, para ocasião festiva.
 
O resultado: Coro, órgão, vários instrumentos cada qual com sua voz e com entradas e saídas diversas. Feito em 2002 +/-, hoje teria feito outra coisa diferente a nível rítmico (que é inadequado para um Aleluia).
 
No áudio, o órgão não chegou a ser colocado depois dos 2 segundos. O programa onde a composição foi montado (formato MIDI) não permite entender bem os instrumentos no refrão por haver uma quantidade grande de melodias instrumentais sobrepostas. Enfim, cá vai o Aleluia, antes que chegue a Quaresma.
 


(continuação, "Cordeiro de Deus")

15 de FEVEREIRO - AGIOLÓGIO LUSITANO (I)

Agiológio Lusitano

FEVEREIRO 15
 

a) Em Pádua, a festa da transladação do nosso milagroso St. António (grande ornamento da Seráfica família, e singular glória de Portugal, e de Lisboa pátria sua) cujos ditosos moradores (que gozam depósito de suas sagradas Relíquias) obrigados dos contínuos milagres, e favores soberanos, que por sua intercessão cada dia recebem da poderosa mão de Deus, erigiram em sua honra um magnífico templo, para onde no ano 1263 com grande pompa, e solenidade foram trasladadas do convento de Sta. Maria, assistindo a esta solene festa o Seráfico Doutro S. Boaventura como Ministro Geral da Ordem Franciscana; o qual abrindo o precioso sepulcro, em que o rico penhor do sagrado corpo estava de propositado havia trinta e dois anos, o achou todo desfeito, e só a língua inteira, e fresca, e tão rubicunda, como de corpo vivo. Então (com suma reverência) tomando-a nas mãos, banhado todo em devotas lágrimas, falou com ela desta maneira: Ó língua benedicta, quae Dominum sempre benedixisti, et alios benedicere fecisti: nunc manifeste apparet, quanti meriti extitisti apud Deum. E dando-lhe devotíssimos ósculos a colocou no Santuário da Sacristia entre outras preciosas relíquias. Depois ano 1350, Guido de Monforte, Cardeal Bolonha, Legado Apostólico em Itália, em reconhecimento de milagrosamente haver escapado de uma mortal enfermidade per oração do nosso Santo, foi a Pádua, e num riquíssimo cofre de prata, segunda vez trasladou as sagradas relíquias, deixando fora parte da S. Cabeça para consolação dos inumeráveis peregrinos, que por todo discurso do ano com devoção concorrem a visitá-las, e cumprir seus votos, implorando tão poderosa intercessão.

- do comentário:
Celebra neste dia a trasladação do nosso Lisbonense St. António (de mais da Seráfica família) a Igreja de Lisboa, e a de Pádua, aquela por pátrio berço de seu nascimento, esta por depositária de suas sagradas relíquias. E há que se saber que duas vezes se fez translação do sagrado corpo; a primeira a 7 de Abril do ano 1263 (que então caiu no oitavo dia da Páscoa de Ressurreição) a segunda a 15 de Fevereiro de 1350 cuja festa no Capítulo Geral, que se celebrou em Leão de França o ano seguinte, se mandou rezar sub ritu duplici, concedendo o Papa Martinho V a todos os que visitarem em tal dia as Igrejas da Ordem 50 anos de Indulgência, e 12 quarentenas. Consta do Compêndio dos privilégios dela.
 
Nas Crónicas se conta (tomando-o de Pisano l. 1 Confirmitatum) que levando a língua do Santo certo Ministro Geral do lugar em que S. Boaventura a colocara, ao sair nunca acertara com a porta, e como a não pudesse tornar ao próprio lugar, a ocultou num altar, onde esteve alguns anos, até que o céu quis que fosse achada para ser venerada de todos; mostrando-se hoje aos muitos peregrinos, que por todo ano concorrem a visitar as milagrosas relíquias. As quais a cidade de Pádua devota, e agradecida as inumeráveis mercês, e favores soberanos que da poderosa mão de Deus recebeu em vida, e depois de sua morte recebe continuamente pela intercessão deste seu maravilhosos patrono lhe fabricou um magnífico, e admirável sepulcro de pórfidos, que na perfeição, magnitude, e excelência de obra excede a todos os de que se tem notícia na Cristandade. As paredes da dita capela estão adornadas de quadros de meio relevo de finíssimos alabastros, que contêm a vida e a morte, e milagres deste nosso insigne Português, patrono seu. De cujo sepulcro sai cheiro celestial, e suavíssimo, como refere o Pe. Fr. António Soares, Monge de Alcobaça no l. I c.10 de seu Itinerário da Terra Santa, cuja peregrinação foi no ano 1554:
Chegando a Pádua (diz ele) fomos logo com M. Simão Rodrigues da Companhia, e dois Reitores, que connosco vinham dos colégios de Veneza, e Pádua, tomar a bênção a St. António, e feita nossa oração fomos pela parte de fora beijar a pedra, onde jaz o Santo Padre, na qual sentimos tão grande, e celestial cheiro, que olhando uns para os outros, estávamos como fora de nós; então os Padres sorrindo-se nos disseram; que tivéssemos por certo nunca se haver apartado este celestial cheiro de seus Santíssimos ossos, desde o tempo que N. Senhor o apartou deste mundo. Meu companheiro, e eu não fazíamos mais, que cheirar por muitas vezes, e experimentar o milagre, e um de nós duvidando se porventura estaria aquela pedra empastilhada perdeu o cheiro, e vendo que o outro cheirava, e ele não, arrependeu-se, e tornou logo a cobrar o dito sentido. Ao outro dia entrando o Pe. M. Simão a dizer Missa sobre esta ara sagrada se volveu (contra seu costume) aos que estávamos detrás, como que sentira alguma coisa. E preguntando depois da Missa disse: que sentira tão grande fragrância, e que lhe cheirara em tanta maneira, que cuidava lhe havíamos posto aos pés alguma casula. Preguntamos então muito devagar deste divino cheiro, assim aos principais do convento, como da cidade, os quais nos respondiam: "O volete parlare daqueste odore? Cosi & stato sempre". E zombavam do caso que nos fazíamos deste milagre por ser tão contínuo, que já dele senão faz ali nenhum. Eu disse Missa no mesmo altar, e não me esqueci da célebre antífona: si quaeris miracula, mors, error etc.
Referem a translação de S. António neste dia demais dos Martirológios de Galesino, Maurolico, e Ferrario, St. António (in Chr. p. 3 tit.24 c.3 § 5 & 6 F.) Marcos de Lisboa (p. I l. 5 c.37 & p.3 l.2 c.2) Marieta no Flos Santorum dos Santos de Hespanha (2 p. l.26 c.21) Wadingo (in Annalibus varijs in locis.) Mattheo Alemão (na vida de St. António l.3 c.4) D. Rodrigo da Cunha (na hist. da Igreja de Lisboa 2 p. c. 37) e Fr. Artur (à Monast. no Martyr. Franc.) e outros.
 
 
b) Em Vila Viçosa, Arcebispado de Évora, a louvável memória de Álvaro Fernandes, Sacerdote de grande virtude, e recolhimento, natural e morador da própria vila, que à imitação dos antigos Padres do Ermo (inspirado pelo céu) se retirou a uma pequena horta, desviada do povoado, e mui apta à vida solitária, e contemporânea (e tanto que depois a família dos Piedosos, satisfeita do sítio, erigiu nela a primeira casa da sua Província) onde levantado um devoto Oratório, gastou o restante da vida em perpétuo silêncio, penitência, e oração, vacando a espirituais exercícios sem afrouxar um ponto de rigor começado, sendo a todo género de estado, em particular a Sacerdotes, de virtude, e pureza um exemplar perfeitíssimo. Por seu testamento vinculou em capela a dita horta, e a mais fazenda que tinha, aquela deixou a Sacerdotes, que naquele sítio (à imitação sua) fizessem vida solitária. Ultimamente com morte felice foi chamado por Deus ao Reino perdurável, onde goza o eterno prémio de seus santos trabalhos, e merecimentos.
 
- do comentário:
Floresceu Aluaro Fernandes pelos anos 1400. Fez sua habitação fora de Vila Viçosa entre dois cabeços, onde hoje se chama S. Francisco o velho, nome que deixaram os Piedosos do tempo que ali tiveram o primeiro convento. A notícia deste Presbítero Eremita devemos a Fr. António de Nisa que na Chr. da mesma Província (l.2 c.7) o refere com grandes louvores. Se bem não sabemos, quem lhe sucedeu naquele Oratório, até vir a poder dos ditos religiosos.
 
 
c) Em Cambaia na Índia Oriental, a paixão de Simão Feio, escriturão que foi da Alfândega de Dio, no tempo que ElRei de Cambaia, Senhor de Durante com seu filho, pós cerco àquela praça, que durou sete meses, a qual D. João Mascarenhas, seu Capitão, defendeu com bravo valor acudindo-lhe o grande D. João de Castro, que de Goa levou muita gente de socorro. Neste cerco Simão Feio (como pessoa principal, inteligente, e valorosa) obrou muito, servindo diversas vezes de Embaixador de uma a outra parte, até que da última (por não concederem os nossos o que o bárbaro Rei pedia) ficou lá preso, com os que o acompanhavam; a todos os quais, com muitos outros Portugueses, que haviam cativado por aqueles marítimos portos (indignados os Gentios da insigne, e milagrosa victória, que os nossos deles alcançaram na defensão daquela praça) meteram em ásperas, e cruéis prisões, dando-lhes grandes baterias com graves opróbrios, para que deixada a lei de Cristo, seguissem a abominável seita Maometana. O que tudo os valerosos soldados Evangélicos sofreram com paciência constante. Mas vendo os idólatras, que nenhuns terrores eram bastantes aos dobrar, lhes ofereceram ricas dádivas, e a Simão Feio, que o fariam Senhor de vassalos; e como nada disto aproveitasse, porque os confessores da Fé desprezavam todas suas vãs honras, e acrescentamentos, foram condenados à morte. Chegado o desejado dia da execução, posto Simão Feio a porta do cárcere, com fervorosas palavras que o Espírito Santo naquela hora lhe ditava, animou a todos para o último combate lembrando-lhes o momentâneo prazo desta vida, e as eternas coroas, que Deus lhes tinha deputado na outra, se confessando seu nome a sacrificassem por seu amor. Corroborados todos com tão abrasadas palavras, e cheiros de superior fortaleza, e paciência sofreram por Cristo serem despedaçados, e finalmente degolados, com que deram perfeição a suas gloriosas palmas. E para o céu mostrar quão odorífero lhe fora este suave holocausto, logo no próprio lugar, rebentou uma perene fonte de água, na qual indiferentemente lavando-se Mouros, e Cristãos todos cobram saúde de suas enfermidades, apregoando a Simão Feio por Santo, com grande glória de nossa sagrada religião.
 
- do comentário:
Com a insigne vitória, que D. João de Castro, Governador da Índia, alcançou DelRei de Surrate no ano 1546 de tal maneira se encheu de furor ElRei Sultão de Cambaia, que para se vingar dos nossos mandou matar a Simão Feio, e aos mais Portugueses, que estavam lá cativos; cujo número uns fazem de 20 outros o estenderam a 30 (de todos só ficou em lembrança Atanásio Freire, nobre cidadão de Goa) os quais em Fevereiro de 1547 deram as vidas pela confissão da Fé gloriosamente. Assim o refere Diogo de Couto (décad. 6 l.4 c.4) Fr. António de S. Romão na História da Índia (l.4 c.2 e6) Lopo de Sousa no cerco de Dio, e outros. Quem quiser saber as particulares circunstâncias desta victória, que algumas foram miraculosas, veja Lucena na vida de S. Francisco Xavier (l.6 c.I) Maphaeo de rebus (Indicis in fine libri tertij), e Andrade na Crónica RelRei D. João III.
 
 
d) Item em Damão, na costa da Cambaia, a morte gloriosa de Fr. Pedro da Madalena, que sendo Converso, e filho do convento de S. Domingos de Lisboa, ano 1548 passou àquelas parte em companhia de Fr. Diogo Bermudes, primeiro Vigário Geral da Ordem. E depois de assistir na fábrica da Igreja de Sta. Bárbara, uma das quatro Vigairarias, que em Goa tem à sua obediência a dita religião; mandado ao novo convento de Damão, sobre a qual cidade vindo um copioso exército do Grão Mogor, ele foi o primeiro que se pós no campo a defensa (como Alferes da milícia Cristã) arvorando um devoto Crucifixo, imitando nesta heroica acção a seu Padre S. Domingos, que deste modo acompanhava os esquadrões Católicos contra os hereges Albigenses. A batalha foi tão travada, como incerta a victória, porque muitos dos nossos desesperados da poderem conseguir deram as costas. Mas ele (como valeroso Alferes) perseverando a pé quedo, sem nunca desamparar o posto, animando a todos a pelejarem pela Fé, mereceu ser feito preciosa vítima de Cristo, ficando entre inumeráveis mortos, não vencido, mas triunfante, e vencedor, pois em guerra tão santa (contra infiéis) deu gloriosamente a vida, confortando os Católicos.

- do comentário:
Achamos Fr. Pedro umas vezes nomeado com o apelido da Madalena, outras de S. Domingos; mas com qualquer deles é certo que foi natural de Lisboa, verão muito prudente, e de grande virtude, e por isto o escolheu o Pe. Mestre Fr. Francisco de Bovadinha (sendo Provincial de Portugal) para com ele fechar o duodécimo número dos religiosos (à imitação do Apostolado) com que se deu princípio à Congregação da Índia. Foi morto em Damão no ano 1580. Referem já seu triunfo. Fr. João dos Santos na Etiópia Oriental (p.2 l.2 c.5), Fr. Afonso Fernandes na História Ecclesiástica (l.2 c.9) e in Concert. praed. (pág.307), Lopez nas Chr. in fine (p.4 c.37), Fr. Luís de Sousa p.1 l.3, e outros.

(continuação, II parte)

ABRI AS PORTAS

Há poucas horas, em conversa com um antigo amigo revi umas quase esquecidas pastas de composições, harmonizações, e orquestrações que fiz para o coro da Paróquia, quando ali fui organista e etc.. Alguns destes trabalhos estão passados a sonoro, parte deles nunca chegaram a ser executados, e nada melhor que partilhar um ou outro aqui.
 
Este que trago é um cântico que harmonizei e orquestrei lá pelo ano 2003, e chama-se "Abri de Par em Par as Portas a Cristo".
 
Quanto à gravação, trata-se de uma simulação instrumental (MIDI). As "vozes" do coro ouvem-se como fundo, e sobre elas dois instrumentos solo. Este trabalho destinava-se a corrigir a versão antiga que se cantava, e a enriquece-la. Aqui só ouviremos o refrão.

Destaco a progressiva movimentação instrumental, o desenho do baixo, o "impulso" rítmico que empresta adiantamento e frescura. Constatando que a melodia "baixa" no momento em que o sentido da letra exigia boa "subida", procura-se compensar com uma marcada ascendência feita por meio dos instrumentos.
 


(continuação, "Aleluia")

14/02/17

BARBÁRIE COMUNISTA (II)

(continuação da I parte)

 
 
Recomendamos que a série "Barbárie Comunista" desde o início seja atentamente escutada e tomados os devidos apontamentos, como se de uma aula se tratasse.
 
O ouvinte poderá ter alguma dificuldade para registar o nome dos autores mencionados.
 
Bom estudo.
 


(continuação, II parte)

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