APÓSTOLO S. TOMÉ PATRIARCA DA ÍNDIA, E O FEITO DOS PORTUGUESES

"Foi, com efeito, a armada de Pedro Álvares Cabral que trouxe com a triste nova de que, afinal, os
habitantes da Índia eram gentios e não cristãos, a de que, para mais de Goa até Cochim havia mais mouros que em toda a costa de África, de Ceuta a Alexandria. Mas foi ela também qu, em Janeiro de 1501, embarcou em Cranganor dois cristãos locais, o Pe. José e seu irmão Matias, que queriam vir à Europa para visitar Roma, Jerusalém e a Mesopotâmia onde residiam os seus patriarcas. A D. Manuel traziam, como precioso dom, terra colhida sobre a tumba de S. Tomé Apóstolo, em Meliapor. Traziam igualmente informações sobre a Índia menos fantasiosas do que as que o piloto mouro e Gaspar da Gama haviam fornecido dois anos atrás. D. Manuel, que continuava a sonhar com a conquista de Jerusalém e a anelar pelo apoio dos cristãos do Oriente, folgou com a vida de José e de Matias; e, na sua Carta aos Reis Católicos, seus sogros, com cujo apoio contava igualmente reportou:
"Naquele reino [Cochim] há muitos cristãos verdadeiros da conversão de São Tomé, e os sacerdotes deles seguem a vida dos Apóstolos com muita estreiteza, nem tendo próprio senão o que lhe dão de esmola e guardando inteira a castidade; e têm igrejas em que dizem missas e consagram pão ásimo e vinho que fazem de passas secas com água, por [não] poderem [de] outro; e mais igrejas não têm imagens senão a cruz; e todos os cristãos trazem vestidos apostólicos com suas barbas e cabelos sem os nunca fazerem, E ali achou certa notícia donde jaz o corpo de São Tomé, que é cento e cinquenta léguas dali na costa do mar numa cidade que se chama Mailapur, de pouca povoação; e me trouxe terra de sua sepultura. E todos os cristãos e assim os mouros e gentios pelos grandes milagres que faz vão a sua Casa em romaria. E assim me trouxe dois cristãos, os quais vieram por seu prazer e por licença de seu prelado para os haver de mandar a Roma e Jerusalém e verem as coisas da Igreja de cá, porque têm que são melhor regidas por serem ordenadas por S. Pedro, e eles crêem que foi a cabeça dos Apóstolos, e serem eles informados delas. E também soube certas novas de grandes gentes de cristãos que são além daquele reino, os quais vão em romaria à dita Casa de São Tomé; e têm reis muito grandes que obedecem a um só e são homens brancos e de cabelo louros e verdes por fortes e chama-se a terra Malchina, donde vem a porcelana, almíscar e âmbar, e tenho leões que trazem do rio Ganges que é aquém deles; e das porcelanas há vasos tão finos que um só vale lá cem cruzados..."
Estas informações repetem-se em mais pormenores na relação pouco depois impressa em Itália com base no que aí referiu o mesmo Pe. José de Granganor, a Relação de José da Índia.

Ignorando-se quase tudo acerca da armada de João da Nova (1501-1502); não se sabe, portanto, se teve algum contacto com os cristãos do Malabar.

É na expedição seguinte - a segunda de Vasco da Gama - que se situa um episódio significativo. Estando o Almirante em Cochim, veio-lhe uma embaixada dos cristãos de Cranganor trazendo-lhe não só presentes, como a vara da justiça de que usavam - espécie de ceptro, vermelho, guarnecido de prata, com três campainhas desse metal - para que passasse a administrá-la aos cristãos locais em nome DelRei de Portugal; e ao mesmo tempo sugeria-lhe que os Portugueses erguessem em Cranganor uma fortaleza. Visivelmente, após os primeiros desaires infligidos aos mouros e ao seu protector, o Samorim, pelos capitães de D. Manuel, os cristãos de Cranganor entreviam uma hipótese de ver restaurados, quem o papel predominante outrora desempenhado pelo seu porto no grande comércio oceânico, antes da escápula da pimenta se ter transferido para Calicut, quer a situação de favor de que a comunidade gozava antes de os muçulmanos se terem tornado senhores do Índico. A entregar da vara da justiça não serviu, contudo, a longo prazo, os efeitos que se esperavam. Refere, de facto, o Pe. Francisco de Sousa que, mais tarde, muitos cristãos que entretanto haviam descido dos Gates a viver sob a protecção dos Portugueses se voltaram a retirar para o interior, não só por se não se quererem conformar com alguns usos litúrgicos ocidentais (...), como também por se não adaptarem à justiça portuguesa, (...) assaz rigorosa nas penas que aplicava.

No ano imediato a este encontro entre Vasco da Gama e os cristãos de Cranganor foi a vez de os de Coulão recorrerem igualmente à protecção dos Portugueses: Afonso de Albuquerque fora aí a assentar feitoria e a confirmar o acordo feito em Cochím com os representantes das autoridades locais; os cristãos da terra pediram-lhe então que interviesse para que lhes fosse restituída a administração do peso da cidade, que lhes cabia por antigo privilégio mas lhes fora recentemente retirada. E quiseram mandar a D. Manuel a cruz principal, de ouro, da sua igreja; mas Albuquerque apenas aceitou que mandassem uma menor, de prata. Passou-se isso em Janeiro de 1504. (...)

Nem em Cranganor nem em Coulão houvera, entretanto, contacto com a hierarquia, já que o único Bispo que então havia na Índia, Mar João, devia estar na sede habitual dos Bispado, Angamel, sita a certa distância da costa.

Foi só durante a monção desse mesmo ano de 1504 que se deu em Cananor, o primeiro encontro entre Portugueses e a hierarquia local. Vindos de Ormuz, eram aí chegados da Mesopotâmia quatro prelados, Mar Yabalah, Mar Tomé, Mar Jacob e Mar Denha; esperando, provavelmente, que passasse a força da monção para prosseguirem a jornada, detiveram-se junto da vintena de portugueses que aí tomava contra da feitoria DelRei dois meses e meio.

Curiosamente, não [se conhece] nas fontes portuguesas qualquer menção deste encontro, do qual subsistem dois relatos em siríaco; a Carta, que especialmente nos ocupa aqui, e uma breve notícia consignada por Mar Jacob no cílofon de um pequeno calendário litúrgico que copiou durante sua estadia em Cananor.

Eis as circunstâncias em que surgiu o texto que a seguir traduziremos e estudamos.

As relações amistosas entre Portugueses e a hierarquia da Igreja sírio-malabar então encetadas haviam de durar meio século, apenas toldadas de quando em vez por questiúnculas litúrgicas (...). Será preciso esperar pela segunda metade do séc. XVI, pela morte de Mar Jacob, (...) pela criação de uma hierarquia latina na Índia, (...); só então iniciará o Padroado Português uma espécie de guerrilha eclesiástica para fagocitar a velha cristandade de S. Tomé [opinião muito pessoal do autor], o que alcançará em 1599, no Sínodo de Diamper." (A Carta Que Mandaram Os Padres da Índia, da China e da Magna China - Um Relato Siríaco da Chegada dos Portugueses ao Malabar e Seu Primeiro Encontro com a Hierarquia Cristã Local. Luís Filipe F. R. Tomaz. Coimbra, 1991)

SINFONIA em Fá M - Pedro Avondano (séc. XVIII)

Pedro António Avondano é um daqueles compositores portugueses que agora começam a ser redescobertos.



O vídeo que segue foi gravado na Capela do Palácio da Bemposta (Lisboa).

na capela do Palácio da Bemposta

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCLVII

BIBLIOTECA ASCENDENS - difusão (IX)

Armas do Cardeal Patriarca de Lisboa D. Tomás de Almeida
(retirado de um dos livros)
(continuação da VIII parte)

500 - Dedução Cronológica, e Analítica, na qual se manifesta o que sucessivamente passou nas diferentes épocas da Igreja sobre a censura, proibição, e impressão dos livros - Demonstrando-se os intoleráveis prejuízos, que com o abuso delas se têm feito à mesma Igreja de Deus, a todas as Monarquias, a todos os estados soberanos, e ao sossego público de todo o universo... - II Parte (José de Seabra da Silva. Lisboa, ano 1748) [Pt. - 390 páginas]

501 - Dedução Cronológica, e Analítica, e Petição de Recurso ... - I Parte (José de Seabra da Silva. Lisboa, ano 1748) [Pt. - 424 páginas]

507 - Descrição Geral e Histórica das Moedas Cunhadas em Nome dos Reis, Regentes a Governadores de Portugal - II Tomo (A. C. Teixeira de Aragão. Lisboa, ano 1877) [Pt. - 580 páginas]

508 - Do Sítio de Lisboa, Sua Grandeza, Povoação, e Comércio, e Diálogos de Luís Mendes de Vasconcelos, Reimpressos conforme a Edição de 1608. Novamente correctos, e emendados. (Lisboa, ano 1786) [Pt. - 230 páginas]

510 - Diário da Navegação da Armada que Foi à Terra do Brasil em 1530, sob a Capitania-mor de Martim Afonso de Sousa, escrito pelo seu irmão Pero Lopes de Sousa... (Lisboa, 1839) [Pt. - 184 páginas]

511 - Diário da Navegação de Pedro Lopes de Sousa pela costa do Brasil até ao Rio Uruguai (de 1530 a 1532), acompanhada de vários documentos e notas: e Livro de Viagem da Nau "Bretoa" ao Cabo Frio (em 1511) por Duarte Fernandes... (Rio de Janeiro, ano 1867) [Pt. - 137 páginas]

514 - Dicionário Geográfico Abreviado das oito províncias dos Reinos de Portugal e Algarves .... (Pedro José Marques. Porto, ano 1853) [Pt. - 319 páginas]

522 - Divindade de Jesus e Tradição Apostólica... (Camilo Castelo-Branco. Porto, ano 1883) [Pt. - 210 páginas]

523 - Documentos Arábicos Para  História Portuguesa Copiados dos Originais da Torre do Tombo ... (Fr. João de Sousa. Lisboa, ano 1790) [Pt. - 214 páginas]

525 - Documentos Àcerca do Trafico da Escravatura Extraídos dos Papeis Relativos a Portugal Apresentados ao Parlamento Britânico (Lisboa, ano 1840) [Pt. - 115 páginas]

526 - Cartas do Padre António Vieira da Companhia de Jesus... - III Tomo (Lisboa, ano 1746) [Pt. - 480 páginas]

532 - Documentos Relativos a Mem de Sá, Governador Geral do Brasil (Rio de Janeiro, ano 1906) [Pt. - 177 páginas]

536 - O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha - II Tomo (Miguel de Cervantes. Lisboa, ano 1794) [Pt. - 330 páginas]

537 - Reys de Portugal Desde 1035 (Deliniavit - Ignacio de Oliveira: Sculptor - G. M. Rosseau - ano 1736) (Lisboa) [Pt. - 27 páginas coloridas]

540 - Elementos da Civilidade e da Decência, Para Instrução da Mocidade de Ambos os Sexos... (Lisboa, ano 1801) [Pt. - 350 páginas]

542 - Elogios dos Reis de Portugal, em Latim e em Português, Ilustrados de Notas Históricas e Críticas... (António Pereira de Figueiredo. Lisboa, 1785) [Pt. - 330 páginas]

544 - Eneida Portuguesa, que contém os últimos seis livros de Virgílio - II Parte (João Franco Barreto. Lisboa, ano 1761) [Pt. - 430 páginas]

545 - Enganos do Bosque, Desenganos do Rio, em que a Alma entra perdida, e sai desenganada... (Pe. Francisco da Costa. Lisboa Ocidental, ano 1736) [Pt. - 330 páginas]

565 - [mapa do Brasil; séc. XVIII]

566 - [mapa de Portugal e Espanha; ano 1808; 12 páginas coloridas]

574 - O Bom Dia Para os Homens de Bem, .... ao Muito Alto e Muito Poderoso Senhor D. Miguel I ... (José Daniel Rodrigues da Costa. Lisboa, ano 1828) [Pt. - 16 páginas]

578 - A Legitimidade da Exaltação do Muito Alto, e Muito Poderoso Senhor D. Miguel Primeiro, Ao Trono de Portugal, Demonstrada por Princípios de Direito Natural, e das gentes. (Filipe Neri Soares de Avelar. Lisboa, ano 1828) [Pt. - 48 páginas]

579 - Fala do Bispo de Viseu no Auto do Juramento, que ElRei Nosso Senhor D. Miguel I Prestou e Recebeu dos Três Estados do Reino, na Cidade de Lisboa. aos 7 dias de Julho de 1828. [Pt. - 3 páginas]

580 - El Judio en el Misterio de la História - Stat Veritas (Pe. Júlio Meinevielle) [Esp. - 60 páginas]

585 - Revolución y Contra-Revolucioón (Plínio Correia de Oliveira) [Esp. - 233 páginas]

588 - En Qué Quedamos? Son o no Son Deicidas los Judios? (David Nuñez. Buenos Aires, ano 1967) [Esp. - 157 páginas]

591 - A biblioteca perdida de Jorge Cardoso (+1669) e a biblioteca do Agiológio Lusitano. (1997) [Pt. - 28 páginas]

596 - Esmeraldo de Situs Orbis (Duarte Pacheco Pereira. Lisboa, ano 1892) [Pt. - 188 páginas; este é um documento reeditado, e que Duarte P. Pereira tinha entregue a D. Manuel]

610 - Crónica DelRei D. João I de Boa Memória e dos Reis de Portugal ... - I Parte (Fernão Lopes. Lisboa, ano 1644) [Pt. - 400 páginas de cor]

(a continuar)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCLVI

BIBLIOTECA ASCENDENS - difusão (VIII)

(continuação da VII parte)

433 - Compêndio da Vida e Feitos de José Balsamo Chamado o COnde de Cagliostro ou o Judeu Errante Tirado do Processo Formado Contra Ele Em Roma no Ano de 1790 e que pode servir de regra para conhecer a índole da seita dos franc-maçons - Traduzido do italiano por Camilo Castelo Branco. (Porto e Braga, ano 1874) [Pt. - 200 páginas]

434 - Comentários do Grande Afonso de Albuquerque Capitão Geral que foi das Índias Orientais em tempo do muito poderoso Rei D. Manuel o primeiro deste nome - IV Parte (Lisboa, ano 1774) [Pt. - 280 páginas]

438 - Colecção de Vários Escritos Inéditos Políticos e Literários de Alexandre de Gusmão Conselheiro do Conselho Ultramarino e Secretário Privado DelRei D. João V... (J. M. I de C. Porto, ano 1841) [Pt. - 369 páginas]

441 - Colecção de Observações Gramaticais sobre a Língua Bunda ou Angolense e Dicionário Abreviado da Língua Congueza (Fr. Bernardo Maria da Cannecattim. Lisboa, ano 1859) [Pt. - 200 páginas]

442 - Colecção de Notícias Para a História e Geografia das Nações Ultramarinas, que vivem nos Domínios Portugueses, ou lhes são vizinhas: Publicada Pela Academia Real das Ciências - III Tomo, I Parte (LIsboa, ano 1825) [Pt. - 450 páginas]

443 - Colecção de Notícias Para a História e Geografia das Nações Ultramarinas, que vivem nos Domínios Portugueses, ou lhes são vizinhas: Publicada Pela Academia Real das Ciências - I Tomo, I , II e III Parte (Lisboa, ano 1812) [Pt. - 340 páginas]

444 - Colecção de Notícias Para a História e Geografia das Nações Ultramarinas, que vivem nos Domínios Portugueses, ou lhes são vizinhas: Publicada Pela Academia Real das Ciências - II Tomo, I e II Parte (Lisboa, ano 1812) [Pt. - 475 páginas]

445 - Colecção de Notícias Para a História e Geografia das Nações Ultramarinas, que vivem nos Domínios Portugueses, ou lhes são visinhas: Publicada Pela Academia Real das Ciências - I Tomo, I , II e III Parte (Lisboa, ano 1825) [Pt. - 330 páginas]

447 - Colecção de Inéditos Portugueses dos Séculos XIV e XV, que ou foram compostos originalmente, ou traduzidos de várias línguas, por Monges Cisterciences deste Reino... - III Tomo (Fr. Fortunato de S. Boaventura. Coimbra, 1829) [Pt. - 244 páginas]

455 - Manifesto do Reino de Portugal, No Qual Se Declara o direito, as causas, e o modo, que teve para eximir-se da obediência do Rei de Castela, e tomar a voz do Sereníssimo D. João IV do nome, e XVIII entre os Reis verdadeiros deste Reino. (Lisboa, ano 1641) [Pt. - 86 páginas]

456 - Gazeta em Que Se Relatam as Novas Todas, Que Houve Nesta Côrte, e que vieram de várias partes no mesmo número de 1641 (Lisboa, séc. XVII) [Pt. - 220 páginas]

463 - Cerimonial da Missa - Cânones penitenciais - bula da cena - modo como se hão-de ministrar os sacramentos da [...] ... ([Portugal], ano 1548) [Pt. - 110 páginas de cor]

464 - Crónica do Muito Alto e Muito Poderoso Rei Destes Reinos de Portugal D. João II deste nome... (Francisco de Andrada. Ano 1613) [Pt. - 1115 páginas]

465 - Cópia de Una Carta que enbio de la India el padre Enrique Enriquez, de la comañia de Jesu al padre maestre Simon preposito de la dicha compañia en Portugal, y alos hermanos de Jesu de Coimbra, tresladada de Portugues en castellano. Recebidas el año de M.D.LI [Esp. - 116 páginas]

465 - Relação da Vitória que Alcançaram as Armas do Muito Alto, e Poderoso Rei D. Afonso VI em 14 de Janeiro de 1659 Contra as de Castela, que Tinham sitiado a Praça de Elvas: indo por General do Exercito de Portugal o Conde de Catanhede D. António Luís de Menezes, do Conselho de Estado, e Guerra, Veedor da Fazenda, etc... [Pt. - 48 páginas]

468 - Cerimonial e Ordinário da Missa, e de como se hão de administrar os Sacramentos da Santa Madre Igreja, com declaração da virtude e uso deles, e doutrina que de cada um se fará ao pouco certos dias do ano, com outras coisas necessárias para os Curas, e mais sacerdotes. Feito por mandado do sereníssimo Príncipe; e Cardeal Infante D. Henrique, Arcebispo de Lisboa etc. (Lisboa, ano 1568) [Pt. - 228 páginas em cor]

469 - Novo Descobrimento do Gram Cathayo, ou Reinos de Tibete, pelo Padre António de Andrade da Companhia de Jesus, Português, no Ano de 1624 (Lisboa, ano 1626) [Pt. - 50 páginas]

472 - Arte Poética ou Epístola de Horácio Flacco aos Pisões, Vertida, e Ornada no Idioma Vulgar com Ilustrações e Instrução da Mocidade Portuguesa (Joaquim José da Costa e Sá. Lisboa, ano 1794) [Pt. - 350 páginas]

478 - Caramurú. Poema Épico do Descobrimento da Bahia... (Fr. José de Sta. Rita Durão. Lisboa, ano 1781) [Pt. - 320 páginas]

479 - Crónica do Sereníssimo Senhor Rei D. Manuel ... I e II Parte (Damião de Goes. Coimbra, ano 1790) [Pt. - 500 páginas]

482 - Compêndio da Doutrina Cristã ([Belarmino!?...] ano 1775) [Pt. - 130 páginas]

494 - Década Quinta da Ásia. Dos feitos que os portugueses fizeram no descobrimento dos mares, e conquistas das terras do Oriente .... (Diogo de Douto. Lisboa, ano 1612) [Pt. 493 páginas]

495 - Series Potentissimorum Regum Lusitaniae Iconibus Illustrata, et Ordine temporum exposita, coordinata mensibus Abrilis, et Maii Anno Domini M.D.CCLXXXXI [Lat. - 120 páginas de cor e muitas gravuras]

496 - Quarta Década da Ásia... (João de Barros. Madrid ano 1615) [Pt. - 470 páginas]

497 - Da Ásia ... Década Sétima - I Parte (Diogo de Couto. Lisboa, ano 1782) [Pt. - 420 páginas]

498 - Da Ásia ... Década Décima - II Parte (Diogo de Couto. Lisboa, ano 1788) [Pt. - 720 páginas]

499 - Da Ásia... Década Segunda - I Parte (João de Barros. Lisboa, ano 1787) [Pt. - 520 páginas]

(continuação, IX parte)

CRUEL DEMOCRACIA

Sucedeu nos finais do séc. XIX na Espanha, quando promulgaram a lei do divórcio. No "parlamento", o líder da esquerda levantando-se agradeceu aos católicos, explicando que sem eles tal lei nunca teria sido aprovada. Indignados a direita protesta dizendo que tal era absurdo, pois havia votado contra aquela lei. O mesmo líder explica-se: "porque vós viestes votar é que a lei pôde ser votada [quorum]; se aqui não tivesses vindo, a lei nunca poderia ser votada, nem nós termos ganho." 

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCLV

"ABSOLUTISMO" - CONTRIBUTOS PARA O SEU ESTUDO (II)

(continuação da I parte)


2 - Depois do monumental testemunho do Censor e Orador Régio Pe. José Agostinho de Macedo, escutemos o A Aurora Fluminense, 23 de Janeiro de 1829, nº 145, para comparar as ideias e o estilo:


"Depois de haver discorrido sobre o Infante, e seu regime diz [transcrevendo o  republicano e francês Courrier Français]: "O poder sacerdotal se colocou entre os governos, e D. Miguel: D. Miguel é um monstro, mas observa as práticas exteriores do Cristianismo; revoltou-se contra seu Pai, mas obedecia o seu confessor; atraiçoou seu irmão, e o monarca, que o havia acolhido, mas ofereceu candeeiros de prata a não sei, que Imagem célebre na Áustria; enganou os seus súbditos por um juramento derrizorio, mas ia de ajuste com um Bispo; banha-se sem sangue, mas protege os frades; mata os vassalos para lhes confiscar os bens, mas dota os conventos. É portanto o Rei modelo; o Príncipe piedoso, segundo o partido apostólico; o eleito das Sacristias; o ídolo dos beatos. Houve Te Deum pela sua subida ao trono, há bênçãos para cada um dos seus crimes: o reinado de D. Miguel é a Utopia do partido Padre-Realista."" [É esta mesma imagem horrenda que se fez circular no Brasil (que prefere encontrar na França revoltosa o seu modelo e nova raiz). O tradicionalismo da época estava por D. Miguel, quem não deixou fugir a Monarquia Tradicional; aos liberais tal cheirava a "sacristia" e "servilismo".]

3 - Continuando no mesmo número do A Aurora Fluminense:

- "Infeliz Reino [Portugal], tu e a Espanha são, como disse um profundo Político Francês [eu avisei...], vivos documentos do que traz consigo o regime absoluto! Todo o horror, que os Brasileiros têm ao Absolutismo, é ainda pouco; é mister que os nossos Compatriotas aprendam a amar a Liberdade, e a Constituição, tanto, como a própria existência; a serem de uma inabalável firmeza às ameaças e seduções do Despotismo." (pág. 619) [Pois claro... tem que aprender a odiar o seu passado, os seus antepassados, a tolerar apenas os seus antigos Reis e Príncipes "opressores" e "esclavagistas"... pois não vá a opressão seduzir os brasileiros!!! Esta manha, esta facada tão funda nas raizes, este ardil difamatório, esta forma baixa de enganar os brasileiros revolta ouvi-la hoje, séculos depois! Pobre Brasil, foi levado, seduzido pelas falsas liberdades, a custo de difamassão e vã esperança! Um falso Brasil a ocupar o verdadeiro, um outro! Escutemos o que segue... insólito...]

- "... um princípio comum produziu na mesma época os mesmos efeitos por essa vastidão do Brasil; este princípio é, como dissemos, o amor da Liberdade, natural nos Brasileiros (embora o Jornal do Comércio nos chame aduladores do Povo) e a educação começada do regime Constitucional, que vai melhorando sensivelmente o carácter da população, aperfeiçoando as ideias confusas de amor de Pátria, e de direitos cívicos que a pressão do absolutismo, e ao depois os choques da anarquia, tinham viciado, ou mesmo feito esquecer." (pág. 741) [É de voltar a ler a anterior, e tornar a esta, como se de um único texto se tratasse... Já que tivemos que permitir a fasquia da seriedade, que tal uma ironia? Cá vai: Hoje o Brasil sentiu a necessidade de se debater pelo debate da "escola sem ideologia"...!!!]

- "Se há esse espírito, atribua-se a culpa aos que governam (se não todos, uma grande parte) que parecem querer minar surdamente o Edifício Constitucional, e excitam suspeitas no Povo, que não quer perder as suas caras Liberdade. Trabalham em vão, porque o absolutismo é planta, que não vinga no nosso solo;" (pág. 767)

- "Diz B. P. que se deve ter mais cautela com o Republicanismo do que com o Despotismo; porque o salto dos nosso sistema para o do Republicanismo é mais breve, mais fácil, e separado apenas por um caminho, que os seus adoradores costumam semear de flores." [Não tinham descoberto que a "monarquia" constitucional, ou liberal, foi uma forma de acabar com a monarquia existente!? Nos Reinos mais "absolutos", e menos danificados pela propaganda revolucionária, quem teria aguentado a imposição de uma república!? Veja-se como os próprios liberais sabem do pequeno paço que os separa do Republicanismo. Mas... depois destas palavras escritas é de ler a continuação na frase seguinte, escrita pelo mesmo jornalista que tinha dito que a planta do absolutismo nunca poderia vingar no Brasil, porque o Povo não deixa... escutemos:] "Não sabemos se isto é exacto; porém é indubitável, que o salto dos nossos costumes, usos, hábitos, etc. é muito mais breve para o absolutismo, de cujos terros saímos há poucos anos;" [...liberal!] (pág. 808)

- "Apesar do que diz a Abelha, nós cremos que os Japoneses não aspiram por agora ao absolutismo puro; porém sim a tornar nulas na prática as Instituições liberais, tolhendo o livre exercício dos direitos cívicos, e fazendo conceber ao Povo falsas ideias contra os que defendem os seus foros e liberdades." (pág. 846) [Tanto receio que estes liberais têm dos "oprimidos" tentarem restaurar a "opressão" sobre si!... A seguir veremos como o uso da palavra "absolutismo" era panaceia liberal contra qualquer regime oposto, qualquer um, como até a República.... Para os liberais brasileiros havia que meter medo com "absolutismo"... eis o "argumento" da sua campanha.]

- "O. Sr. Holanda Cavalcante disse que os absolutistas de hoje eram os mesmos [os próprios] republicanos, descontentes por não haverem saído Deputados." (Pág. 856) [vemos também como NUNCA é criticado um argumento à oposição, e se lhe inventam supostos motivos para a sua existência]

- "; que não houvesse o menor temor de absolutismo, pois o Governo conhecia mui bem seus próprios interesses; que estava certo da impossibilidade de plantar-se no Brasil o Despotismo, até pelo progressivo aumento das luzes do século;" (pág. 899) [Ao contrário do que se dizia na época, hoje dizem que os "absolutistas" eram inspirados pelo iluminismo; na verdade o liberalismo, o iluminismo, a maçonaria são tudo farinha do mesmo saco, tal como os documentos da época o PROVAM. Os maiores vultos da língua portuguesa, que se insurgiram contra o iluminismo e a maçonaria, escreveram no início do séc. XIX em favor do "absolutismo", e contra o Constitucionalismo e Liberalismo. Do lado dos liberais, nesta altura, nem um cálamo houve que ousasse ir contra a maçonaria ao iluminismo! A maçonaria que se espalhou rapidamente naquela altura por todo o Brasil, ela sim é difusora das "luzes" contra a "opressão absolutista"... (isto são factos segundo a documentação da época)! É assim... não de outra forma... está escrito abundantemente. O Marquês de Pombal foi o delírio da maçonaria: anti jesuítico, anti inquisitório, importador e cultor das "luzes"; aboliu o comércio de escravos, visto que na época os "filósofos" iluministas eram os primeiros na defesa de tal abolição, e com isso atacavam também a Igreja acusando-a de "desumanidade" e "impiedade"!]

- "A Espanha e Portugal (disse Depradt) à maneira desses condenados, que se penduram nos caminhos, para correcção, e exemplo dos facinorosos, mostraram hoje à Europa e ao Mundo o que é o regime, que por irrisão intitulam "paternal" [trata-se da restituição da monarquia segundo o que tinha sido antes das revoluções liberais e republicanas que se foram fazendo por todo o lado]. Não acumulamos declamações vãs: os factos estão diante dos olhos; e os extracto de um Jornal de D. Miguel não podem ser suspeitos. O Correio do Porto [que na verdade é jornal liberal, não de D. Miguel, mas contra D. Miguel] refere miudamente as últimas execuções, de que a segunda Cidade do Reino foi testemunha, e lhe ajunta reflexões tais, de tão atroz hipocrisia que recusámos copiá-las [os autores liberais fizeram questão de passar esta notícia como verdadeira, mas tudo indica que não o é]. Ali são elevadas às nuvens as virtudes do Rei carrasco [nem os liberais escondem que no Rei D. Miguel se lhe louvavam as virtudes e os feitos de bom católico]; a sua piedade, e clemência são oferecidas como modelo aos Príncipes, e a memória das vítimas infelizes é insultada com uma frieza, digna de um Sectário do absolutismo ["sectário" porque nesta altura, a custo do mundo Cristão estar já tomado por falsas monarquias (sistemas liberais), os que resistiam ao gigante onda liberal e republicana eram uma pequena minoria, da qual foi última Portugal - os liberais tomaram o seu sistema como a regra, e o que estava antes como "seita"... Faz-me lembrar o caso de Mons. Marcel Lefebvre que por manter fidelidade ao que estava antes do concílio, e ser caso raro, era apontado como sectário - absurdos!]. Pareceu-nos ver o hediondo Algoz esbofeteando aqueles mesmos, que acaba de decapitar [veja-se o tipo de honestidade jornalística] . Os destinos do triste Portugal reclamam lágrimas ainda dos corações indiferentes [veja-se na necessidade de mostrar Portugal de forma negativa, quando era ele herói entre os Reinos na resistência ao Liberalismo.... e que brasileiros, tão distantes geograficamente, o poderiam confirmar ou desmentir naquela época!?]; e também reclamam sisuda reflexão: tal é a sorte, que espera a todos aquele povo, que perder as suas liberdades; que por sua negligência deixar que os absolutistas derrubem as Instituições preciosas, que afiançam os direitos individuais, e políticos, e que formam barreiras contra a opressão [fica claro não estarmos perante a "liberdade" e o "direito" da nossa Civilização cristã, e sim perante conceitos cozinhados e promovidos pelo eixo iluminismo-liberalismo - veja-se ainda que verdadeiramente os liberais não reconheciam o colectivo de leis régias, o costume, a moral, a lei natural, a Lei divina, a Doutrina, como autoridade segura e mais que decorativa]. De um lado a anarquia da canalha; do outro a vara de ferro dos privilegiados: os homens bons, porém moles, que não defenderam com todo o esforço os seus direitos; derramam ao depois lágrimas inúteis sobre uma pátria escravizada... Não; o Brasil nunca há de dobrar-se ao jugo do poder absoluto [eis finalmente o receio sobre o qual a campanha difamatória está montada]; debalde lho agoiram vis satélites da escravidão [já cá faltava...].  Um Príncipe, amigo do povo [D. Pedro I, no Brasil]; afeiçoado às ideias generosas do Século nos é segura garantia; não temos em redor de nós a Aliança de vinte Déspostas, que não sofressem que a liberdade respire em qualquer ponto do Continente Europeu. Os privilégios [assim tratavam a Nobreza], e a fradaria [assim tratavam ao Clero maioritário, que era ainda pela Tradição] não imprimem o pé maldito sobre o nosso solo: os Brasileiros, ou aqui nascidos, ou ligados ao país por laços de interesse, de confraternidade, e de sangue, amam a ordem constitucional, e meditam sobre os males da antiga Mãe Pátria, para os removerem do solo que habitam, ou que os viu nascer. - Viva a Constituição!!!   (942 pág) [Está tudo muito claro!]

- "Mas o que há de pior são as suspeitas e temores de absolutismo, que com pouco ou muito fundamento se estão derramando de uma maneira, que aflige os amigos da Constituição e da Monarquia". (pág. 945)

- "O Pharol Paulista refere que circulavam na Cidade e Província de S. Paulo boatos de absolutismo, dizendo-se que se proclamaria do dia 12 de Outubro. O digno Redactor do Pharol se esforça para mostrar quanto é absurdo semelhante rumor, que só pode ter origem nos sonhos, e desejos de alguns malintencionados e farropilhas de todas as classes, que esperam fazer fortuna no meio da anarquia". (pág. 986) [a superficialidade é uma constante na propaganda liberal, raramente apoiada em queixas reais e na caricatura: pelo facto dos seus opositores resistirem às suas ideologias, entre elas o constitucionalismo, NOVA base de ordem social liberal, difamavam-nos de "anarcas", como se anarquia tivesse sido a Monarquia anterior.]

- "Tem-se-nos escrito diferentes correspondências, relativas a alguns dos agraciados, habitantes nas províncias, expondo que são homens conhecidos, por se haverem oposto com todas as suas forças à nossa independência política, ou por trabalharem abertamente em favor do absolutismo. Não lhes demos publicidade, por que são pessoas, que ninguém aqui conhece." (pág. 1083) [... retiremos das duas transcrições anteriores duas palavras de queixa: "despotismo", "anarquia"! Basta dizer que não se conhece o articulista, para lhe impedir expor em jornal os erros liberais e as doutrinas tradicionais... Está tudo dito...]

- Rio de Janeiro "A Opinião Constitucional é agora mais firme no Rio de Janeiro do que nunca: temos visto muitas pessoas, em quem os prejuízos haviam deixado profundas impressões, mudarem de pensar, converterem-se sinceramente para a causa liberal, e virem engrossar as fileiras dos amigos da Constituição Monárquica-Representativa [clara indicação de que no Rio de Janeiro havia resistência às hostes liberais - repare-se com muita atenção na designação "Constituição Monárquica-Representativa"]. Debalde se procura alienar gente desse esquadrão sagrado, despregando contra eles a bandeira da perseguição dissimulada, ou manifesta [como havia força para fazer perseguição se o poder "absolutista" tinha caído!?... é notável que, apesar dos liberais terem imposto o seu novo regime, a resistência tinha permanescido entre a população; eis o motivo da incansável propaganda liberal nada fundamentada e muito emotiva principalmente depois da própria vitória]; debalde lhes apresentam diante dos olhos o exemplo das recompensas, que são a partilha dos que pensam, ou se conduzem em sentido contrário, dos que suspiram pelo regresso do absolutismo, e fazem garbo disso. A causa da liberdade e da razão é muito bela [honestamente, sem razão, com emoção, com falso conceito de "liberdade", e com desprezo pelos critérios maiores como o são o "dever" e a "legitimidade"], para deixar de ganhar a si numerosos afeiçoados, logo que pode ser conhecida, tal qual é". (pág. 1091) [este "tal e qual é" deve ser entendido "tal e qual o liberalismo a difundiu", tanto que é até esta a palavra que dá nome ao liberalismo]

- "Que se desmascarem os traidores! Conheça o Brasil aqueles, que vivendo ou tendo nascido no seu seio, lhe preparam ferros, e os mesmos dias abomináveis, que Portugal, Nápoles, e a Espanha têm presenciado. O que havia de mais instruído, de mais ilustre, de melhor nos dois reinos da península Hispânica, discorrem, sem pátria pelo Universo, perecem de miséria, acabam a vida nas prisões, ou sobre o cadafalso. Depois que as suas Constituições foram derribadas, ainda não houve para esses países um momento de repouso, as conspirações, as sedições se sucedem; os Reis mesmos não têm se não um fantasma de autoridade, que as Juntas Apostólicas efectivamente exercitam. Que se desmascarem os traidores! O Brasil deve conhecê-los; e não é justo que um Povo, que ama as suas liberdades, veja nos mais elevados empregos os declarados sectários do absolutismo acobertarem-se com uma simulada neutralidade, enquanto nos seus discursos não respiram mais do que ódio à Constituição, despreso pelas suas máximas, rancor a todos quantos a estimam e estão prontos a dar a vida por ela". (pág. 1088) [Traidores? Os liberais propunham um sistema próprio, diferente, contra aqueles a quem chamavam traidores, os quais não faziam mais que proteger o que até então tinha havido (hoje, os semi-liberais querem fazer crer que estes "traidores" tinham teses próprias inovadoras, nascidas no iluminismo, mas, ao vermos a documentação histórica confirmamos algo bem diferente: eles sempre manifestaram ter interesse em defender o que sempre tinha havido e nunca propuseram um sistema novo, sempre quiseram proteger o que era de tradição e a pureza da Fé, condenaram a maçonaria, condenaram o liberalismo, condenaram o iluminismo, mas defenderam a autoridade do Rei contra as propostas fragmentárias do liberalismo - e eis o único motivo pelo qual foram chamados pelos revolucionários de "absolutistas")! Veja-se também o cenário emotivo, a chantagem, a apresentação que o articulista faz dos "ferros" da escravatura, quando, como sabemo pela história anterior e posterior, foi o liberalismo quem praticou a escravatura no sentido menos católico da palavra, e que, ironicamente, tinha sido o iluminado Marquês de Pombal quem abolira o comércio de escravos... E os factos? Que factos são esses apresentados pelo articulista? Pelas fontes incontestáveis, sabemos que, pelo menos no que respeita a Portugal, que os "factos" dados não passaram de propaganda liberal, como já se tinha feito na revolução francesa e como se viera a fazer depois na revolução marxista (o fenómeno é semelhante)..., eis o pequeno vício da formação das "lendas negras", que não é mais que a calúnia social para fazer assentar em jornal e em livro!]

- "É finalmente um monstro, digno de erguer o grito do absolutismo, e de estar à frente do partido, que suspira pelos ferros da escravidão." (pág. 1197) [como temos visto, os liberais tentavam apresentar à população um motivo credível pelo qual os "absolutistas" lutassem pelo "absolutismo", e que seria o motivo de quererem recompensas e cargos, ou porque eram liberais que ficaram desiludidos por não lhes terem sido dados os cargos e benesses almejadas; mas isto é dito já depois da vitória liberal, e sem se apresentar NENHUM DOS ARGUMENTOS dados pelos tais "absolutistas". Não há sequer tentativas de refutação, tudo é propaganda liberal e encobrimento do ideário "absolutista", o qual era o grande inimigo da maçonaria e amigo do Clero e da pureza da Fé - por isso eram chamados de "partido apostólico", "frades", etc.. A muitos leitores, que até agora tenham acompanhado, fará confusão por terem recebido uma herança por via dos vencedores, a qual, por mais católica que hoje se diga ser, bebeu já a informação predominante naquela época, o que fez também aparecer uma construção errada que começa hoje a mostrar as suas brechas e que há tempo de a corrigir para verdadeiro benefício de todos, custe o que custar aos laureados autores da actualidade... etc. O texto do artigo refere-se a Joaquim Pinto Madeira, militar condenado à força pelos liberais]

Embora nos restasse uma significativa quantidade de páginas no Aurora Fluminense, as referências ao "absolutismo" que faltam ver estão já metidas nas tentativas do Crato (Brasil) pelo restauro da Monarquia, depois da abdicação de D. Pedro I; facto pelo qual não interessa agora continuar a seguir por aqui o uso da palavra "absolutismo".

Há jornais brasileiros que são talvez melhor exemplo que o Aurora Fluminense, e se houver tempo iremos a eles noutra ocasião.

Nas suas campanhas os liberais apresentaram como "anarquia", "arbitrário" e "despotismo" a oposição à criação de uma Constituição. Tinham em seu programa que só a defesa da criação de uma Constituição, ou da permanência dela, teria direito a ser interpretada como "querer lei"; eis um dos absurdos da ala liberal: na prática negavam de toda a lei anterior por estar ela fora de uma Constituição (segundo o conceito liberal-republicano), e demitindo toda a autoridade que não fosse democrática, ou quase. Ora, os "absolutistas" nunca em seus escritos se insurgiram contra a existência de lei, facto que deveria ter sido honestamente assumido pela propaganda liberal, mas sim contra a criação de uma Constituição segundo o conceito liberal-republicano. Um dos mais ilustrados "absolutistas" portugueses, o Pe. José Agostinho de Macedo chegou inicialmente a apoiar a criação de uma Constituição até se aperceber de que espécie de coisa se tratava realmente. Não defendeu nunca a não existência de leis, pelo contrário: defendeu que a verdadeira constituição de Portugal está no conjunto de leis e costumes do Reino, segundo a Lei de Deus e da Igreja etc... Tal como este, também todos os portugueses "absolutistas" que escreveram na época defenderam o mesmo, e os posteriores grupos que se quiseram chamar de "tradicionalistas" a si mesmos disseram ter naqueles ilustres primeiros pais os seus Mestres. Sem dúvida alguma, a experiência espanhola foi diferente e grande em números, se bem que qualitativamente seria Portugal a ter de ajudá-la!

(a continuar)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCLIV

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCLIII

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCLII

OS "PADRES ESQUECIDOS" DE PORTUGAL

Quais os nomes daqueles Padres portugueses que em Portugal continuaram sempre a rezar a "Missa antiga"? Quantos foram, quantos são? Quais os nomes daqueles Padres portugueses que em Portugal mantiveram intacta a Doutrina tal como ela anteriormente tinha sido transmitida? Quantos foram, quantos são?

Catacumbas
À afirmação de que em Portugal não há nem houve padres portugueses nas condições apresentadas, haveria que pedir paradeiro. Virá tal afirmação de fonte oficial, revelação sobrenatural, imaginação, necessidade e desejo, equívoco, cálculo matemático, adivinhação, inquérito, suposição...!? Seja como for, tal afirmação é errada, e sinto-me na obrigação de dar o meu testemunho.

Porque convém objectivar, recuo aos anos 90, para vos mostrar alguns exemplos de Padres portugueses, em Portugal, naquelas situações, e vivendo em locais diferentes (omitirei nomes e dados muito precisos, por razões convenientes):

- Um destes Padres era Capelão num Hospital, Doutor, e grande sumidade em certa área científica. Homem muito humilde que passaria despercebido se não fosse pela quantidade de gente que o cumprimentava ao passar, e por usar batina. Não tinha paróquia, tratava alma a alma os hospitalizados, paroquianos dos outros em situação extraordinária, digamos assim, era confessor em algumas instituições (lar de idosos, colégio das meninas, etc.). Mais há para dizer...

- Um outro Padre é conhecido em Portugal por uma área muito específica do estudo da história de Portugal (vulto agraciado por várias entidades, entre ela a Fundação Calouste Gulbenkian), Professor universitário. Como cónego, sempre conservou as suas funções na Sé, como podia. No centro da cidade o Arcebispo havia-lhe destinado uma antiga casa com capela onde recebia ordinariamente um certo número de pessoas. Mais por simpatia da sua condição, chegou a ser visitado por um Padre francês da FSSPX, o qual foi convidado à refeição entre vários outros padres da Diocese. Deste Cónego alertaram-me mais ou menos desta forma "cuidado... ele diz a missa de costas para o povo... e não aceita o concílio... ", ao qual, muito admirado, assustado, perguntei "mas... porque é que ele é assim!?", ao que me responderam "ele diz que quando foi ordenado foi no tempo de Pio XII, e que só tem que aceitar fazer como aceitou fazer naquele tempo em que foi ordenado". Mais há para dizer...

- Um outro Padre, temido por ser muito culto, era um homem com muito domínio de si, e apesar de do ar austero, tinha bom coração e claro sentido de justiça. Tal como os outros dois não tinha paroquianos. Vivia no seminário, não tinha paroquianos, era Perfeito de estudos, professor de línguas e bibliotecário, assistia espiritualmente uma comunidade de irmãs de certa idade. Tinha uma pequena capela privada montada num dos quartos do seminário junto à capela.

Bastaria um caso destes para desenganar os mal informados. Dei três casos, apenas de Padres que eu conhecia pessoalmente nos anos 90.

Quantos mais há!? Quantos mais houve!? ... Uma só afirmação não é para a nossa gente: "como eu não conheci nenhum, logo, não existiu nenhum!". O que dizer daquele cristão que no tempo das catacumbas achasse indicado contar cabeças!? ...

Não sei se alguém ou alguma entidade atreveu-se a fazer um levantamento destes casos em Portugal; o que seria trabalho meritório e de importância para a Santa Igreja. Se está por fazer, que se faça ...

blog VERITATIS já foi "Acção Integral"

Era leitor do "Acção Integral"? E onde está agora tal blog!? ... não encontrará.... Depois de uma remodelação, porque a evolução tem estas necessidades, passará a encontrar o blog VERITATIS. Nome leve, claro, e mais ajustado aos fins. Como subtítulo tem a portuguesa e tradicional triologia: "Deus, Pátria, Rei". Melhor era impossível!


No mesmo dia o "crisma" do VERITATIS e o baptismo do FIDELISSIMUS! Que maravilha.

O blog ASCENDENS apoia esta iniciativa, evidentemente.

Os leitores que eram, continuarão a ser leitores do VERITATIS; e recomendamos a sua leitura frequente a todos os que ainda não o são.

Parabéns VERITATIS!

NOVO BLOG TRADICIONAL CATÓLICO, LUSO: FIDELISSIMUS

Hoje há várias novidades para dar, mas detenho-me agora no nascimento do blog FIDELISSIMUS, de gente da nossa. Trata-se de um espaço tradicional católico, com vertente marcadamente lusa, e daqui se chamar "Fidelissimus": "E qual o motivo do nome? "Fidelíssimus", título dado pela Igreja à Coroa Portuguesa, é de certa forma também a marca de todos os verdadeiros portugueses, título que aqui queremos aclamar e dignificar. É este um blog de forte marca lusitana."


O blog ASCENDENS tem parceria com o FIDELISSIMUS, blogs integrantes do "Projecto Arcanjo S. Miguel Custódio de Portugal" (encarregados da série "novo Vocabulário Filosófico-Democrático...").

Entre os blogues portugueses de tradicionais católicos, podemos esperar do FIDELISSIMUS uma tendência maior aos temas da moral, espiritualidade, etc., coisas muito necessárias que até então tinham ficado demasiadamente dissolvidas entre os milhentos temas que este tipo de blogues comportam.

Em suma, recomendamos a visita frequente ao FIDELISSIMUS.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCL

RETIRAR-SE DA CRISE PROFUNDA APRESENTANDO-SE COMO SALVADOR DE UMA CRISE MENOR


Enviam-nos esta profissionalíssima edição de vídeo, na qual o Papa Francisco:

1 - Fala da crise da humanidade (da qual, evidentemente, ele se retira, e retira a "modernistágem");

2 - Convida à unidade solidária;

3 - Chama à colaboração para o "bem comum";

4 - Apela a uma nova sociedade ainda mais humana.

Já todos ouvimos a respeito do grande que se desculpar com os pequeno; mas poucos ouvimos falar desta moda de dissolver a própria responsabilidade contrapondo um problema mais geral do qual nos apresentamos como a solução ou os promotores dela. A crise da Igreja tapa-se com os apelos à solução da crise do mundo!!! Enfim...

O modernismo avança. Eis que chegámos ao tempo em que os conceitos estão muito invertidos, e são eles mesmos usados desde a Cátedra de S. Pedro... Exemplo é o conceito "bem comum", ao qual não se lhe querem hoje reconhecer a objectividade que sempre teve (é mais uma "satisfacção social humana segundo a filantropia moderna".

É o que Deus permite; eis uma cruz.

NA SERRA ALTA - A RESPEITO DA CHAMADA "FALSA IGREJA"

do filme "X-Men: Apocalipse" - tentando encontrar os mutantes no mundo, mentalmente. (alegoria)
"Dizem os menos exigentes que essa "falsa Igreja" [das revelações e visões] é muito fácil identificá-la. Não convence! Certamente as posições de moral relativa ou errada, as posições de doutrina relativa ou errada, e outras, não são da verdadeira Igreja de Cristo. É mais prudente dizer que essa "falsa Igreja" não é um posicionamento tão colectivo quanto individual!"
(na serra alta - J. Antunes)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXLIX

"ABSOLUTISMO" - CONTRIBUTOS PARA O SEU ESTUDO (I)


À imagem do que fizemos com as palavras "violência", "bons costumes" etc. será agora com a palavra "absolutismo". Contudo há um fenómeno intransponível que nos detém: os livros e documentos antigos registam em Portugal, pelo menos, DOIS USOS diferentes da mesma palavra, anteriormente à vitória liberal em Portugal (1834). Por isso, vamos também fazer o que hoje se tem feito: discriminar entre os dois usos, mas agora colocando-nos no uso não liberal; eis a linha mais desconhecida (que é este o motivo de preocupação desta nova série de artigos). Adiciono pequenos comentários quando for caso disso, afastando possíveis confusões e para melhor precisar. Usaremos ainda da comparação com textos liberais da época, para que o leitor neste tema possa fundar-se mais na realidade que na posterior propaganda dos vencedores, ou nos que escreveram longe da época e que são eles da geração dos vencedores.

1 - Cartas de José Agostinho de Macedo ao seu amigo J.J.P.L. (1827):

"... ; a Junta Apostólica quer, e promove aquelas sagradas e veneráveis leis, que fizeram grande a Espanha por catorze séculos desde Ataúlfo seu primeiro Rei até Fernando VII seu actual Soberano; a Junta Apostólica quer com afinco sustentar a Religião, e absolutismo... eis aqui as funções da Junta Apostólica, segundo diz o Lençol, e seu apaniguados, e trombetas. Pois a Junta Apostólica, segundo o mesmo Lençol no Manifesto da Catalunha, e em seus detestáveis, e abominandos, e nefandos Comentários, quer uma total sublevação dos Povos contra os Reis; a Junta Apostólica chama a Nação à rebelião e às armas; a Junta Apostólica quer fazer a guerra àquele mesmo Exército Francês, que ela conserva, e que ela paga; quer destronar, banir, desterrar aquele mesmo Fernando, que ela tem defendido a expensas de seu próprio sangue; a Junta Apostólica quer fazer passar o seu ceptro às mãos de seu Irmão; a Junta Apostólica quer arremessar o jugo da obediência. A Junta Apostólica é a fautora de todos os partidos revolucionários, a promotora principal da anarquia; a Junta Apostólica é uma alcateia de lobos, um covil de ladrões, que querem beber o sangue, e despojar todos os bons Espanhóis da suas sagradas propriedades; a Junta Apostólica abusa do nome de J. Cristo e dos sagrados Apóstolos S. Pedro e S. Paulo para destruir a Religião, cometer Regicídios e parricídios, lançar os Espanhóis no abismo da escravidão, da penúria, da miséria, da ignorância, e do desprezo.
Eis aqui, meu amigo, o que é a Junta Apostólica na boca e na pena dos que cozem as costuras do tal lençolinho." (Cart. 3, pág. 5) [Não é lugar para tratar da Junta Apostólica, mas é oportuno transcrever a respeito dela uma notícia da época: "Ciceron, e Narcia, dizendo-se pertencer à Junta Apostólica, formada no reino de Galiza para obrar contra o sistema constitucional em voga na Espanha, retiraram-se a Portugal, entrando por Valença em 19 de Julho de 1820, onde obtiveram passaporte com o qual chegaram ao Portugal a 4 de Agosto seguinte. O Governo extinto aquém o encarregado dos negócios daquele Reino em Lisboa tinha requerido, mandou-os prender por aviso de 7 do mesmo mês; porém da relação do Porto, a pedido do cônsul espanhol daquela cidade. O presidente do tribunal superior de Galiza tem declarado a entrega dos presos na forma da convenção que observou sempre entre os dois reinos, e é de saber que eles se acham ali condenados à morte, segundo diz em sua informação o Intendente geral da polícia. Todavia a Comissão que não acha documento algum autêntico deste facto não julga possível que o julgado (a existir) se execute sem audiência dos réus, porque eles como ausentes não foram ainda admitidos a defesa." Linda coisas do Triénio Liberal na Espanha, que pretendeu dar fim ao "absolutismo", perseguir os inimigos do Liberalismo e constitucionalismo - onde estavam então os tradicionais e ortodoxos católicos da época se não estavam do lado liberal!? Atenda-se também como em 1827 estes anti-liberais da Junta Apostólica consideravam Fernando VII de Espanha reinante em monarquia tradicional, a quem os liberais tinham por "absolutista" (assumam-se primeiro os factos, e eis tantos factos que contradizem a versão hoje difundida hoje por grande parte dos "tradicionais católicos" da Espanha, e não apenas; certamente que se trata de um fenómeno à margem da culpabilidade; já na época os autores portugueses "absolutistas", testemunhos e não teóricos, anteriores à derradeira vitória do Liberalismo em Portugal (1834), deveriam ser ouvidos religiosamente, pelo menos pelos portugueses. É importante ler estes documentos na época, e não posteriormente segundo a letra dos vencedores, ou seus filhos.
Usa de ironia o Pe. Macedo expondo o que diziam os liberais a respeito da Junta Apostólica.]

"Em sentido nos Reis, nos Gabinetes, nos Ministérios alguma oposição, isto é, quando não podem cavalgar, e sopear ["adular"] os Reis, os Gabinetes, e os Ministérios, gritam que o ouro dos Apostólicos, e Jesuítas os têm comprado para estabelecer o Império do Arbítrio, e apagar as Luzes do Século, frustrando os progressos da civilização. Eu espero ouvi-los gritar às Potências do Norte, que se acautelem, que o General Chaves, e o Vice-Geral Canelas já passaram os Pirenéus, para irem levantar o Estandarte Jesuítico do Absolutismo, e do Arbítrio nas muralhas de Cronstadt, e de Arcangel." (Cart. 7, pág. 5) [E que tal? Um "absolutista" da época que nos conta como os liberais associavam "absolutismo" e "jesuitismo", entre outros, e até o "livre arbítrio". Os "absolutistas" aqui apresentados pelos liberais como inimigos das "Luzes" do Iluminismo - e é certo. Como veremos, quase todos os nomes aplicados pelos liberais aos "absolutistas" são não neologismos propositados, e comportam irrealismo: tão irreais que nos deveríamos achar-nos perante uma sui generis criação de "lenda negra". Alexis de Tocqueville (1805-1859, França), conhecido pelas sua análises à Revolução Francesa e da evolução das democracias assume que "a Revolução Francesa baptizou aquilo que aboliu" referindo-se à designação e caracterização de "Antigo Regime"... Na verdade, embora com recurso a alguns aspectos reais, nasceram nomenclaturas difamantes, complementadas com o horrível que a imaginação enfermada tende a produzir, e introduziram uma má ideologia apresentada como antídoto contra o monstro imaginário que criaram; sendo que, ao fim da linha eram a monarquia tradicional e o pensamento e doutrina católica os alvos.]

"Andam estes regeneradores do Mundo, estes Propagandistas da civilização do Globo, estes zelosos salvadores dos Direitos do Cidadão, prégando em missão aos Povos: "Filhos, nós vimos emancipar-vos, vimos tirar-vos das cadeias do servilismo, despotismo, e absolutismo; vimos apagar as fogueiras da Inquisição; vós não sentireis mais o pesado jugo do Fanatismo."" (Cart. 7, pág. 6) [Como vemos, as sementes dos males do nosso tempo já ali estavam e eram conhecidas como malignas pelos "absolutistas" de melhor ortodoxia. A "opressão", a "Inquisição", tudo isso era já tema de ódio explorado não só pelos liberais, mas anteriormente pelos Luteranos... O liberalismo, além dos falsos princípios onde assenta, tem também terreno adequado no Protestantismo; lamentável é que Juan Manuel de Prada, teimosamente radicado no infeliz conceito liberal de "absolutismo", que o tradicionalismo espanhol nunca chegou a expurgar de si, por motivo de ódios não ultrapassados em tempos de Filipe V, se recuse a aceitar a existência de vários usos do mesmo conceito na época, e imponha assim o espanhol como único que para todos terá de servir... Lamento, e esperemos que mude de opinião, assumindo que factos são factos, e que em Portugal houve outro uso, e que provavelmente na Espanha houve o mesmo quem em Portugal!]

"Lá vai um Apostólico.... diz uma voz, que sai de uma bodega, ou do pescado seco, ou do pescado molhado; chegam todos à porta para verem a nova Phenix, que todos dizem, que existe, e que ninguém viu ainda; já vai... quem é? É aquele Clérigo!! Olha que dinheirama da Junta Apostólica! Lá vai, vamos atrás dele.... lá vai andando com umas botas velhas, com uma sobrancasaca que por cinquenta e sete terças feiras esteve pendurada na Feira da Ladra, com um chapéu, que tem andado por vinte cabeças, direito à Sacristia de S. António da Sé buscar seis vinténs, que estavam esperando por ele em cima do bofete. Pois este miserável, que vai comer atrás da porta de uma escada meio pão com um queijo de Montemor, ou meio arretel de ginjas [230g.], é um Apostólicos nadando em dinheiro, que vai levar o Prel para o inflame Guerrilheiro Vasconcelos; e bem se vê que é um inimigo da Legitimidade, e da Carta, e que quer o Absolutismo, e as fogueiras da Inquisição para viver de abusos, com os válidos, e lisonjeiros, e os outros zangãos do Estado. E quem diz isto é comprado pelo ouro da Junta Apostólica para iludir os incautos com estes papelórios, e chapelórios." (Cart. 7, pág. 9)

"Digam-me, ignorantíssimos, os Apostólicos não são Europeus? Não dizem VV. mm. que os Europeus querem alguma coisas? Os Apostólicos da Espanha, com uma opulência, e profusão espantosa de Tesouros, pugnam pelo Rei, e não querem Rei? Não querem Rei, nem absoluto, nem Constitucional, não querem Rei de sorte nenhuma (só se estes Apostólicos são os do Português), e matam-se e empobrecem pelo Rei, e não o querem? Se querem o Absolutismo, então querem um Rei; e onde irão construir este Absolutismo? Quem o há de exercitar? Ignorantes!! Ou fanáticos da Democracia!" (Cart. 9, pág. 5) [Será oportuno lembrar que a mente liberal, não acostumada em sujeitar-se à Verdade, quando usa da razão sai-lhe racionalismo... nada mais!]

"Em três continuadas, e consecutivas noites, de 24, 25, e 26 do próximo passado Julho, esteve Lisboa em mortal, e lastimosa agitação; e, se as vigorosas providências do Governo não acudissem a reprimir a sedição popular (atiçada pelos agentes da revolução Democrática) com a força armada, e a inevitável a iminente ruína: isto é uma verdade demonstrada; dentre os grupos dos pacíficos Cidadãos, como V. m., e os da Liga lhes chamam, rompiam aterradores, e funestos gritos: "morra este, e morra aquele, porque esta era a humildade, e respeitosa Petição, com que se requeria à Sereníssima Senhora Infanta Regente e re-integração do Ex. Ministro João Carlos de Saldanha, sem a qual o Reino não podia ser Reino, nem ter Governo, nem ter Representação, nem a Nação Portuguesa ser Nação, nem permanecer na linha das Nações, quebrando o jugo do absolutismo, debaixo de cujo jugo tinha por tantos séculos gemido. A estes pavorosos gritos dos Cidadãos pacíficos, e tranquilos se misturavam os insultos, e assaltando-se o domicílio dos Magistrados; e isto com o direito de Petição garantindo na Carta!" (Cart. 12, pág. 2) [A falácia que hoje conhecemos do "lá fora já se faz... lá fora já se aceita..." vem realmente de uma linha de "pensadores" não muito recente. Ainda há dias, uma beligerante guerreira do semi-tradicionalismo distribuiu um "papelinho" com o qual tentava espalhar a ideia de que o Povo era anticlerical em dada altura...; não obstante tanta caridade distributiva, haveria a mesma incendiária dar outro "papelinho" com este texto do Pe. Macedo, onde vemos que aqueles que do Povo se revoltavam eram pesas fáceis dos Revolucionários...; viu-se bem que esta gente gritava segundo pontos estratégicos da ideologia e por aqueles "santos" que desconhecia mas que eram estratégicos para a revolução! ... Aos portões de Versalhes também forma protestar ternas mulheres e meigas crianças, as primeiras da frente até bigode farto tinham...; eis aqui boas mascotes para o travestismo... Claro... no 25 de Abril.... "foi o Povo"!] 

"Antes de rebentar o Vulcão Democrático de 1820, que se ouviu por muito tempo? Espalhadas murmurações por entre os Povos, queixas do Despotismo, do absolutismo, da arbitrariedade, de abusos, de dilapidações; clamores surdos de que era preciso um Governo enérgico para remediar tantos males; que não podíamos sair da escravidão, sem convocação de Côrtes Gerais, Extraordinárias, e Constituintes para reformar a Constituição da Monarquia. Que as riquezas do Estado eram comidas pelos Mandões, e pelos Zangões. Que os Áulicos, e os Lisongeiros se assenhoreavam de todos os Empregos, e iludiam o Monarca. Que a ilustração do século, o derramamento das Luzes, e os progressos da civilização, faziam conhecer aos Povos que era chegado o momento de reassumirem os inauferíveis direitos da sua liberdade, e viveram só debaixo do império da Lei; e outros que tais palavrões, com que deram agora em explicar tudo, ou em pretextar a revolta; palavrões, que servem para tudo, e com que trazem enredados, e confundidos os Povos, dispondo-os assim para fantásticos melhoramentos, imaginadas reformas, e quiméricas inovações, fontes de todos os bens, e de todas as venturas;"(Cart. 12, pág. 6) [É normal que hoje os da "Monarquia" Liberal e os da República disputem o título de colocadores da democracia em Portugal, ovo posto pelo mesmo espírito que os levou aos dois. Que fique o registo de que a febre democrática é que os chocou aos dois, e a "igualdade" mostrou-nos a pena do comunismo... Mais uma vez Agostinho de Macedo faz-nos uma pequena caricatura do pensamento dos opositores do "absolutismo".]

"A Gazeta Constitucional, sem eu haver bolido com ela, (porque eu nunca fui agressor) começou gritando contra mim muito constitucionalmente; continua a gritar, e a descompor com uma raiva verdadeiramente canina; e o tema para as infames descompostudas, ou ataques pessoais, é a Junta Apostólica, que existe, depois que os Senhores Pedreiros Livres começaram a sentir que o género humano já cansado, e enjoado, começou a mostrar que já não podia aturar tantos desaforos, chamados derramamento de luzes, progressos da civilização, liberdade, emancipação, e melhoramentos das humanas Sociedades, oprimidas com o Absolutismo, Despotismo, Fanatismo, Servilismo, Jesuitismo, Apostolicismo, Fogueirismo, Inquistorismo, e todos os ismos mais; mas não tanto como com o Pedreirismo." (Cart. 14, pág. 1) ["Pedreirismo", portanto é a Maçonaria, os "Pedreiros Livres"]

"É verdade, que eu já estava com pena de ir deixando tão pouco espaço nesta Carta para zurzir como merece este o maior, e o mais dementado de todos os Hipócritas que aparece tão contraditório em seus escritos para melhor ser conhecido. V. m. terá reparado que desde que os Foliculários Priodiqueiros começaram a assoprar a revolta, a baralhar as ideias, a enredar os Povos, e a dispor, ou desenrodilhar as armas para a mais patifa de todas as revoluções, que vem a ser levantar a Democracia sobre as ruínas da Monarquia, tem andado sempre em cena, o velho Marquês de Pombal, Sebastião José de Carbalho. Se querem exagerar o Despotismo, o Absolutismo, e o Fogueirismo, vem o Marquês de Pombal; se lhes convém invectivar os Ingleses, com quem se enganaram, apesar dos vivas, e foguetes do dia primeiro deste ano, vem o Marquês de Pombal, e a rebatida, e já nauseante história da Bahia de Lagos." (Cart. 17, pág. 4) [Há tempos ouvi uma novidade: começa-se a dizer em Portugal que a nossa tradicional Monarquia é democrática, quando os documentos da época nos mostram como a democracia era tida como um desprezível recurso, deixado apenas a menor importância quando não podia ser melhor. É tão fácil provar mostrar o contrário, e mostrar que tipo de gente é que anteriormente tentou esse tipo de ideia ... !!! A tentativa de abandeirar o Marquês de Pombal, contra quem não queria o o novo modelo de "monarquia", era uma tentação dos liberais que no fundo acabavam por dar um caso onde o problema foi o Rei ter mandado muito pouco, ou quase nada!]

"A ideia do Absolutismo é nova entre os Portugueses. Esta infernal palavra, nunca por tantos séculos entre nós ouvida, é o grande, e o mimoso pretexto de todas as Revoluções, havidas, por haver, e sempre intentadas, e prosseguidas nas sociedades secretas, que juraram guerra exterminadora aos Altares, e aos Tronos. O Despotismo Asiático, o Absolutismo Sultânico, nunca foi a partilha dos Chefes da grande família, ou sociedade Europeia, mas com o fim único dos trabalhos das sociedades secretas é a dominação geral dos Povos, como só a isto aspiram, como temos visto, ocupando eles só os primeiros lugares; o meio mais próprio, e mais apto para o conseguirem, é persuadir os Povos, que até agora têm sido dirigidos, e governados com um poder arbitrário, e absoluto; e que os Reis, a quem chamam Tiranos, os têm reduzido a abjecta, e desgraçada condição de escravos; e que a coisa, que mais devem aborrecer, é o Absolutismo, que vem a ser o exercício da própria vontade, e do princípio arbítrio, sem respeito, e sem consideração alguma às Leis, aos foros, e aos pactos sociais feitos na origem das Monarquias, entre os Governantes, e os governados. E para que inspiram os Povos este horror a este fantástico e suposto absolutismo nos Soberanos da Europa? Para os disporem às Revoluções a títulos de melhoramentos úteis, e de reformas necessárias." (Cart. 26, pág. 10) [A semelhança com o que hoje dizem é pura coincidência ...!]

"Por muito superficial que seja qualquer homem observador, por menos atenção que haja dado aos horríveis acontecimentos, de que temos sido testemunhas desde 1820 até o dia de hoje 20 de Outubro de 1827, terá visto que ainda até este momento a praga Periodical não se tem calado com o Absolutismo, e com a reforma dos abusos provenientes, dizem eles, do Absolutismo. E que querem com isto estes Pregoeiros das Sociedades Secretas? Querem que ao Governo Monárquico suceda a Democracia, ou o Governo Republicano; para isto pressupõe sempre demonstrada a máxima absurda, e monstruosa, que o Poder governativo existe essencialmente na família, e não no par da mesma família. Para isto parece-me que era preciso demonstrar primeiro que o Absolutismo, nome, com o qual tanto querem assustar os Povos, pode existir em um, que governe, e nunca em muito, mais absolutos que os próprios Sultões, que usurpem o Governo, a si mesmos se chamem a Côrtes, façam para si Constituições, e ditem Leis, de que eles zombem, exercitando tiranicamente o Poder, que sacrílega, e revolucionariamente roubaram. Não tem havido Periodiqueiro por mais miserável que seja, desde que o Inferno vomitou sobre Portugal este flagelo, que não haja gritado contra o Absolutismo, e na sua abolição para o sagrado fim das necessárias reformas dos abusos do mesmo Absolutismo. Em França fizeram os revolucionários a coisa mais sumária, levaram Luís XVI ao cadafalso; em Portugal, falemos a verdade, porque está escrito, e está impresso; e se lhes custa a repetição, não o dissessem, não o imprimissem, clamaram "Desfaçamo-nos deles". As Secretas Sociedades querem fazer detestar o Monarquismo, e para isto procuram fazer aborrecer, e abominar o que eles chamam "Absolutismo" que nunca existiu, nem pelas Instituições do mesmo Reino desde a sua origem até este momento, em que as mesmas Instituições estão instauradas, e reformadas, pode existir. Se este pregão contínuo do Absolutismo não andasse sempre na boca pestilente dos Periodiquieiros, as revoluções, e as conspirações nenhum efeito teriam, porque os conspiradores sempre contam com as disposições dos Povos, e estas disposições são obras dos Periódicos, que tão claramente dizem que o Absolutismo anda essencialmente unido ao Monarquismo; dizem que é preciso o Governo representativo, mas a seu modo, e não como agora o temos, e sempre tivemos, ainda que com diversas fórmulas; mas o representativo dos revolucionários é o primeiro degrau do Republicanismo, ou Democracismo, como vimos em 1820. Tirar um Rei de repente, era arruinar a sua mesma obra ["sua" deles, do inimigo]; não têm os Periódicos tanto poder, que de repente arrancassem do coração de todos os Portugueses a adesão, e o amor, que sempre tiveram, e ainda conservam aos seus Monarcas; fizeram do Rei um Ente, que não tinha acção própria, os seus movimento tinham impulsão estranha; não se iluda Portugal, o Poder Executivo, que aqueles monstros deixaram ao Rei, não é Poder, porque executar o que se lhe manda não é livre exercício da vontade própria, é cumprimento do que determina a vontade alheia; neste caso ter Monarquia, e não ter Monarca vem a ser o mesmo. Monarca é o que manda só; e eles mandavam ao Monarca "Mande-se ao Executivo", como diziam eles." (Cart. 29, pág. 3) [Destaca-se a influência da propaganda para fazer acreditar que a monarquia tradicional era "absolutista", ao mesmo tempo que se fazia propaganda a uma nova ideologia social (liberal e democrática, republicana ou um intermédio para chegar à República); evidentemente que hoje se faz o oposto: dizer que a monarquia tradicional é o que nunca foi, e que a absolutista não é a tradicional...]

"Desesperados por verem arrancar do Santuário o sinal de abominação; que a impiedade revolucionária ali tinha levantado, vingam-se com o desprezo, e perseguição daqueles, que mostraram, seguindo o Rei, a sua adesão ao Trono, e o seu respeito ao Altar. Chegou a tanto este insulto público pelo espaço dos já passados quinze meses, que muito honrados Portugueses, para evitarem novos insultos, e talvez que um princípio de motim com tanta ânsia provocado, esconderam a mesma Medalha, ao menos quanto pelas obrigações da existência, e subsistência se viam obrigados a entrar no centro da Cidade chamada baixa, e atravessarem os fatais arruamentos, ou as Academias destes ilustrados Publicistas. Mosteiros há, onde por amor de dois, ou três Orates, um Tecleiro, e outros Picadores, se não pode ainda entrar com a Medalha, sem correr o mesmo risco. Esta Medalha, dizem eles, é um sinal, ou pregão permanente de que levou o Diabo o nosso adorado, e adorável Sistema regenerador, de tornarmos outra vez da liberdade para a escravidão, e da sublimidade do Democratismo para a voragem do Absolutismo. A isto chamo eu o mais execrado, e punível de todos os insultos; a memória do Rei lhe vilipendia, a fidelidade dos Portugueses reputada um crime. Se todas as Medalhas de Condecoração são dadas pelo Rei, porque só o Rei as pode conceder como prémios de serviços, como são as mesmas de Campanha em seus diferentes graus, porque não insultam eles todas estas, e unicamente aquela? Porque estes feros Republicanos não querem, e protestam não querer nunca um Rei livre, mas um Rei escravo; não querem um Rei com os direitos da Soberania, mas um Fantasma despojado deles. Não querem um Rei que os governe a eles, querem uma Autómato, que eles governem, e tiranizem. Em quanto eu tiver esta espada na mão, dizia um Padre Cívico, não há de aqui entrar um Rei com "Veto". Tão insensato me pareceu sempre o tal Padre, que nem o que quer dizer Veto ele entendia. Só uma coisa me admira, que, levando Malco uma orelha cortada, este Malco as quisesse cortar aos outros." (Cart. 30, pág. 6) [... graduações em número de 33!?...]

"São inumeráveis as Histórias, que existem já impressas, e publicadas, da Revolução Francesa, e sendo um só objecto, e única a matéria, por todos é tão váriamente tratada. Nós os Portugueses, sobre tudo indolentes, muito mais o temos sido sobre a nossa [entenda-se "nossa" para identificá-la como tendo ocorrido em Portugal, e não como coisa própria portuguesa] Revolução Democrática de 1820: ainda não apareceu nem um esboço ligeiro deste acontecimento tão único, como escandaloso em nossos Anais. Será isto delicadeza em nossos Escritores, que não quererão ofender as virtudes, e sobre tudo a exemplar, e conhecida modéstia dos Autores da mesma Revolução ainda vivos, e permanecentes entre nós? Parece-me, que é muito fora de tempo, e de lugar esta melindrosa delicadeza, em nossos Escritores, porque os mesmos Corifeus da Revolução nunca quiseram deixar seu escrito em mãos alheias, começaram eles mesmos desde logo a se chamar Pais da Pátria, Salvadores da Nação, que por um heróico, e violento impulso de Patriotismo quiseram arrancar do abismo da desgraça os infelizes Portugueses, dizendo-lhes, que não podiam subsistir por mais seis dias com aquele Pacto primordial e com aquelas leis com que tão gloriosamente tinham permanecido por seis contínuos séculos, prometendo, que vinham, com suas sábias instituições, por o Povo Português na linha das grandes Nações, donde nenhuma grande Nação, nem todas as Nações grandes juntas o haviam tirado. Disseram com fraqueza mais que Republicana, que se muito tinham feito a Portugal D. João I em o livrar da violenta posse, que dele queria tomar o Rei Castelhano, desbaratando-o em uma memorável batalha campal; e se muito tinha feito a Portugal ElRei D. João IV livrado o Reino de uma dominação estranha, que havia durado sessenta anos, aceitando a Coroa do mesmo Reino; muito, e muito mais faziam eles em livrar o mesmo Reino do mais pesado, e ferro jugo do Absolutismo, em que os seus Monarcas com seus Cortesãos, e lisonjeiros o conservavam. Disseram ainda mais de si, e não deixaram mentir ninguém; disseram que com sua sabedoria vinham dar uma nova face à Nação, abrindo, e desentupindo todos os canais donde lhe podia correr, e comunicar-se-lhe todo o seu bem, e ventura, começando pela Instrução Pública, coisa até desconhecida neste Reino, porque eles para serem, como eram, tão exímios Doutores tinham com dispendiosas viagens, e reiteradas fadigas, ido estudar, e aprender fora deste Reino, que sempre tinha sido a Séde principal da ignorância, e da barbaridade, assim como da superstição, e do fanatismo, insuperáveis obstáculos para o derreamento das Luzes, e progressos da civilização! Que eles vinham promover a cultura da terra, a navegação dos mares, a actividade do Comércio, o aperfeiçoamento das Artes, e das Ciências, e sobre tudo fazer adiantar a Indústria na criação das Fábricas com que nos tirassem da vergonhosa dependência das produções, e manufacturas estrangeiras. Prometeram ainda mais, e eles mesmos o disseram, que vinham simplificar o Culto Religioso, livrando-o de todo o peso, e aparato da magnificência, e majestade externa, reduzindo-o a puro acto intelectual. E sobre tudo nos afirmaram que o motivo mais poderoso, que os obrigara a vir daqui tantas léguas, uns a cavalo, outros em calças, e alguns em liteiras, fazendo marchas forçadas, sem pararem, e se demorarem senão nos Colégios, e conventos de Coimbra, e em Alcobaça, foi unicamente acudir ao lastimoso estado de Finanças, ao qual as tinha reduzido a malversação dos Empregados pouco experientes, e a indiferença da Regência, que pintavam indolente sobre este sagrado objecto; coisa que com efeito à risca cumpriram, distribuindo de tal arte o dinheiro todo, que nunca mais se soube onde ele parava, a não ser nas mãos dos novos, e ilustrados Financeiros, que desceram do Céu para limpar a Terra. Sem ninguém lhes perguntar, eles mesmos disseram que vinham nivelar as condições humanas, reduzindo tudo à perfeitíssima igualdade natural, pois eles nem tinham, nem conheciam outra diferença, que não fosse aquela, que davam os talentos, e as virtudes, e que só às virtudes, aos talentos, e ao pessoal merecimento, e nobreza, eles mesmos vinham dar os lugares honoríficos, e lucrativos, e não aos Aulicios, e aos lisonjeiros, desterrando para sempre o patronato; e na verdade eles tinham afilhados de sobejo!"  (Cart. 32, pág. 3) [fala um testemunho da época não um teórico, muito conhecedor da sociedade de então, que escreve antes de 1827... Aqui está resumido o programa ideológico que até aos nossos dias tem vindo a ser implementado pelos vencedores do Liberalismo em diante, em tão poucas linhas, apenas como testemunha do que se ouviu da boca do próprio inimigo, e com um acerto tão grande que parece estarmos perante uma profecia acertada. Eis uma maravilha documental de valor incalculável, mas que só poucos reconheceram antes de terem visto a concretização!]

"Em que melhorou este Reino com semelhante revolta de 1820? Com ela se abriu a porta a todas as calamidades. Compare-se o Portugal dantes com o Portugal depois!! Prometiam Liberdade, nunca estiveram mais atulhados de Cadeias. Prometiam justiça direita sem suborno, sem patronato, nunca as Terras de degradados viram dentro de si mais gentes, que não conheciam. Nunca os segredos tiveram inquilinos forçados por mais tempo; nunca houve tantas denúncias, nem mais rigorosa inconfidência, nunca passearam metendo a cabeça por todas as portas, os espiões mais descarados, e impudentes; nunca os homens de bem viveram mais assustados, nunca houve um Povo mais infeliz, e miserável, nunca o Reino todo sofreu mais perdas; e uma palavra, nunca o verdadeiro absolutismo, e despotismo pesou mais sobre os Portugueses, nunca foram mais escravos, e nunca se chamaram mais livres, nunca deles se fez mais afrontosa zombaria; nunca a Religião sofreu mais descobertos ataques, e insultos, nunca os senhores do engenho, e seus moleques, do que foram tratados por meia dúzia de Bacharéis aqueles nobres, grandes, e magnânimos Portugueses, diante dos quais na África, e na Ásia tremiam os Poderosos do Mundo, obrigando-os a trocar a magnificência, pompa, e esplendor de seus antigos vestidos, e ornamentos honoríficos em saiotes, balandraus, e roquelós de pano da serra, e azeitada saragoça até no pino do vetão, verdadeira pantomina, ou impostura. Fique para sempre este desengano, e nunca mais se aturem, ou se conheçam tais Framengos à meia noite. Este fermento ainda não acabou de todo, porque talvez ainda hajam hipócritas, que dando vivas ao novo estado de Governo Político, que temos, o mais justo, e o mais aproximado pela matéria, e pela forma, às nossas primordiais Instituições, conservam na alma o fanatismo, ou aventesma de uma República, entre o Governo Monárquico da Europa, o que tem dado a conhecer." (Cart. 32, pág. 11)

(continuação, II parte)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCCXLVIII

BIBLIOTECA ASCENDENS - difusão (VII)

(continuação da VI parte)

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378 - Elementos Para a História do Município de Lisboa, ...  - V Tomo (Eduardo Freire de Oliveira. Lisboa, ano 1891) [Pt. - 648 páginas de cor]

379 - Elementos Para a História do Município de Lisboa, ...  - II Tomo (Eduardo Freire de Oliveira. Lisboa, ano 1887) [Pt. - 628 páginas de cor]

380 - Elementos Para a História do Município de Lisboa, ...  - XV Tomo (Eduardo Freire de Oliveira. Lisboa, ano 1906) [Pt. - 652 páginas de cor]

381 - Estímulo Prático Para Seguir o Bem, e Fugir do Mal. Exemplos Selectos Das Virtudes, e Vícios; Ilustrados com Reflexões, e dedicados à Soberana Rainha dos Anjos Maria Santíssima Senhora Nossa. (Pe. Manuel Bernardes. Lisboa, 1730) [Pt. - 500 páginas de cor]

385 - Breve Relação da Embaixada Que o Patriarca D. João Bermudez Trouxe do Imperador da Etiópia Chamado Vulgarmente Preste João (Lisboa, ano 1875) [Pt. - 145 páginas]

391 - Carta de ElRei D. Manuel ao Rei Católico Narrando as Viagens Portuguesas À Índia Portuguesa desde 1500 até 1505 (Lisboa, ano 1892) [Pt. - 118 páginas]

395 - Castrioto Lusitano ou História da Guerra Entre o Brasil e a Holanda, Durante os Anos de 1624 e 1654 ... (Fr. Rafael de Jesus. Paris, ano 1844) [Pt. - 658 páginas]

396 - Catálogo Cronológico, Histórico, Genealógico, e Crítico, das Rainhas de Portugal, e seus Filhos.  (D. José Barbosa. Lisboa Ocidental, ano 1727) [Pt. - 532 páginas]

400 - Demonstração da Existência de Deus (Pe. José Agostinho de Macedo. Lisboa, 1816) [Pt. - 100 páginas]

401 - Elementos Para a História do Município de Lisboa, ...  - XVII Tomo (Eduardo Freire de Oliveira. Lisboa, ano 1911) [Pt. - 646 páginas de cor]

402 - Exame de Confessores, ou Breve Tratado, em que discorrendo por todas as matérias de Teologia Moral, se instrue um Sacerdotes em ordem ao como se deve haver no Confessionário. (Pe. António Tavares. Lisboa Ocidental, ano 1734) [Pt. - 434 páginas de cor]

403 - A Ribeira de Lisboa, Descrição Histórica da Margem do Tejo desde a Madre-de-Deus até Santos-o-Velho. (Júlio de Castilho. Lisboa, ano 1893) [Pt. - 796 páginas]

404 - Crónica do Imperador Clarimundo, Donde os Reis de Portugal descendentes, Tirado da Linguagem húngara em Nossa Portuguesa, Dirigido ao Esclarecido Príncipe D. João, Filho do mui Poderoso Rei D. Manuel, Primeiro deste nome... - I Tomo (João de Barros. Lisboa, ano 1791) [Pt. - 440 páginas]

410 - Religiões da Lusitânia... - I Volume (Leite de Vasconcelos. Lisboa, ano 1807) [Pt. - 498 páginas]

411 - Exame de Antiguidades - ... opiniões e curiosidade pertencentes ao Reino de Portugal, e outras partes, desde a criação do mundo até ao ano 3403... - I Parte (Lisboa, ano 1616) [Pt. - 266 páginas]

412 - Triunfo do Rosário Repartido em Cinco Autos ... (Pe. Francisco da Costa. Lisboa Ocidental, ano 1740) [Pt. - 316 páginas de cor]

413 - Crónica do Cardeal Rei D. Henrique, e vida de Miguel de Moura escrita por ele mesmo. Publicadas com algumas anotações pela Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis. (Lisboa, ano 1840) [Pt. - 214 páginas]

415 - Crónica do Imperador Clarimundo, Donde os Reis de Portugal descendentes, Tirado da Linguagem húngara em Nossa Portuguesa, Dirigido ao Esclarecido Príncipe D. João, Filho do mui Poderoso Rei D. Manuel, Primeiro deste nome... - III Tomo (João de Barros. Lisboa, ano 1791) [Pt. - 315 páginas]

419 - Da Ásia de Diogo de Couto dos Feitos, que os Portugueses Fizeram na Conquista, e Descobrimento das Terras, e Mares do Oriente - Década Quinta - II Parte. (Lisboa, ano 1780) [Pt. - 486 páginas]

423 - Corografia Brasílica, ou Relação Histórica-Geográfica do Reino do Brasil Composta e Dedicada a Sua Majestade Fidelíssima, por um Presbítero Secular do Gram Priorado do Crato - II Tomo (Rio de Janeiro, ano 1818) [Pt. - 400 páginas]

424 - Corografia Brasílica, ou Relação Histórica-Geográfica do Reino do Brasil Composta e Dedicada a Sua Majestade Fidelíssima, por um Presbítero Secular do Gram Priorado do Crato - I Tomo (Rio de Janeiro, ano 1817) [Pt. - 450 páginas]

429 - Considerações Políticas, e Comerciais Sobre os Descobrimentos, e Possessões dos Portugueses na África, e na Ásia. (José Acúrsio das Neves. Lisboa, ano 1830) [Pt. - 433 páginas]

430 - Congregações Marianas na China e em Macau... (Pe. A. M. Alves. Macau, ano 1904?) [Pt. - 198 página]

431 - Conferências Celebradas na Academia Real das Ciências de Lisboa Acerca dos Descobrimentos e Colonizações dos Portugueses na África, 1877-1880 (Lisboa, ano 1892) [Pt. - 215 páginas]

(continuação, VIII parte)

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